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sábado, 27 de fevereiro de 2021

Mãos de fada

 


Mãos de fada

Mazarine11
dezembro 3, 2010 

Tenho mãos pequenas, mas não tenho mãos de madame. Não sei usar luvas quando lavo a louça e a roupa, quando mexo na terra e nas plantas, não sei me proteger do que nem de quem eu gosto. Tenho calos nos dedos de tanto escrever, e minhas unhas só conhecem o cuidado dentro de casa, onde sou minha própria manicure. Mas acreditem, o meu toque é o mais suave, porque a delicadeza está no meu coração, não nas minhas mãos.

As mãos do Gibi são as mais bonitas que eu já vi num homem, as mais sagradas por salvarem tantas vidas, mas sofrerem um duro baque há alguns dias. Um corte feio, dez pontos, uma cicatriz muito grosseira, quase perdeu o dedo. Gibi anda reclamando que perdeu parte da sensibilidade da mão, e isso é grave, isso é mau, porque sentir é a coisa mais importante de um ser humano. Sentir dor é ruim, mas pior que isso é não sentir nada – e o que deu causa a isso não faz menção do mal que fez, porque também pouco sente.

Há remédio para tudo nessa vida, mas para insensibilidade e desamor, nem reza brava trata. E para um médico tão bom quanto ele, deve ser frustrante ficar tão impotente.

MAZARINE 111


domingo, 21 de abril de 2013

Lygia Fagundes Telles / Uma mulher de rara beleza


Lygia Fagundes Telles
UMA MULHER DE RARA BELEZA

Mazarine

Um conhecido meu me solta essa: “Sabe que é você é parecida com a Lygia Fagundes Telles quando moça”. Torço para que esteja certo. A Lygia foi uma moça muito bonita e uma mulher de rara beleza e cultura. É autora de joias literarias ”Antes do Baile Verde”, “Ciranda de Pedra”, “As Meninas” e “Capitu”. E hoje, aos 87 anos, mesmo tendo perdido o grande amor da sua vida e o único filho, continua a dar lindos sorrisos, como o que ela deu para o Pirulito enquanto ele ajudou-a a sair do táxi, cavalheiro como é. Arrumadinha, cheirosa, mãos finas, uma voz encantadora, um encanto de pessoa - eu vi tudo isso de perto.
Há coisas que li ainda na infância e que não me saem da cabeça, e uma delas é uma reportagem que a revista Veja fez sobre a mais paulista das escritoras. Até hoje lembro das nossas semelhanças: do medo de avião, das pequenas esquisitices, da falta de talento ao trânsito e do gosto por omeletes. Não fiquei nem um pouco triste com a observação daquele conhecido. Não seria nada mal para o Pirulito ter uma mãe imortal.


Tanto Amor

Palavras sobre a única coisa que realmente vale a pena