F.
Scott Fitzgerald
O estranho caso de Benjamin Button
Tradução:
Fernanda Pinto Rodrigues
I
No longínquo ano de 1860 a
maneira correta de nascer era em casa. Presentemente, segundo me dizem, os
sumo-sacerdotes da medicina decretaram que os primeiros vagidos dos
recém-nascidos devem ser soltos no ar antiestético de um hospital, de
preferência de um hospital em voga. Por isso, Mr. e Mrs. Roger Button estavam
cinqüenta anos à frente do estilo da época quando, num dia do Verão de 1860,
decidiram que o seu primeiro bebê nasceria num hospital. Jamais se saberá se
este anacronismo teve alguma influência na espantosa história que estou prestes
a contar. Contarei o que aconteceu e deixarei que julguem por si mesmos. Os
Roger Button ocupavam uma posição invejável, tanto social como financeiramente,
na Baltimore de antes da guerra. Eram aparentados com Esta Família e com Aquela
Família, o que, como todos os habitantes do Sul sabiam, lhes conferia o direito
de pertencerem àquele enorme pariato que povoava largamente a Confederação.
Esta era a sua primeira experiência relacionada com o fascinante velho costume
de ter bebês. Mr. Button sentia-se, naturalmente, nervoso. Esperava que fosse
um menino para poder enviá-lo para o Yale College, no Connecticut, em cuja instituição
ele próprio fora conhecido durante quatro anos pela alcunha um tanto quanto
óbvia de «Bainha».

