sexta-feira, 17 de julho de 2026
sábado, 11 de julho de 2026
Gustavo Adolfo Garcés / Armário de dois corpos
Gustavo Adolfo Garcés
Armário de dois corpos
Com teu traje negro
Satanás coloca em prova
minha virtude
joga lenha
no fogo de meu vício
então
a voz no pescoço
Deus me revela
a verdadeira lei
que te desejo com ânsia
terça-feira, 7 de julho de 2026
Lugar de cinema é no cinema
Lugar de cinema é no cinema
A sala de cinema como espaço mágico e coletivo
Ao subir ao palco do Globo de Ouro para receber o prémio pelo seu desempenho em Valor Sentimental(Sentimental Value - 2025), o ator Stellan Skarsgård proferiu um dos mais belos discursos das últimas temporadas de premiações. Agradeceu a sua família, como de praxe, mas destacou algo mais raro: a alegria de ver um filme norueguês, independente e sem orçamento para publicidade alcançar o público daquela maneira e, sobretudo, ser visto no cinema, segundo ele, uma espécie em extinção. E concluiu com uma imagem simples e perfeita: num cinema, quando as luzes se apagam e eventualmente você divide o braço da cadeira com outra pessoa, isto é magia! Cinema deve ser visto no cinema.
sábado, 4 de julho de 2026
Vozinha

Vozinha (1986, Mindelo, Cabo Verde)
Vozinha
Cabo Verde entrou como a surpresa africana que calou críticos. No grupo com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, cada partida foi batalha. Deixaram a alma em campo, representaram um país inteiro com orgulho e mostraram que o futebol também cabe nos sonhos de uma ilha.
No mata-mata, as oitavas de final guardavam o maior desafio. Lá estava ele, gigante entre as traves: goleiro Vozinha. Voou, defendeu o impossível, segurou o time com mãos que carregavam a esperança de milhões. Cada defesa era um poema de resistência contra os campeões do mundo.
Veio a derrota sob a Argentina, mas não houve queda, só aplauso de pé. Cabo Verde caiu lutando, de cabeça erguida, chorando por orgulho. Da pequena ilha para o mundo, os Tubarões Azuis provaram que glória não se mede só em vitória. Às vezes, perder também é fazer história.
domingo, 28 de junho de 2026
Mário de Andrade carteador | O Brasil modernista visto pelas cartas do escritor
Mário de Andrade carteador
O Brasil modernista visto pelas cartas do escritor
Maria de Oliveira, de 20 anos, estuda piano. Em 1941, escreve de São Luís, Maranhão, onde encontrara o conto “Piá não sofre, sofre”, na revista Planalto. Entusiasmada, deseja ler mais desse autor que o irmão lhe recomenda. Expressando-se com graça e desenvoltura, ganha, em São Paulo, um amigo que lhe oferece o livro Clã do jabuti, músicas e paciente atenção. Retribui com um azulejo antigo e uma boneca de feira. Victor Brecheret, escultor, mostra ao companheiro e crítico modernista, croquis do que anda fazendo em Paris, no ano de 1922, apesar do frio. A carta, mistura de português e italiano capaz de fazer inveja a Juó Bananere, contrasta com o rigor no traço.
terça-feira, 23 de junho de 2026
Fernando Botero e o seu estilo único
Fernando Botero e o seu estilo único
Uma viagem através da história do artista colombiano
De naturezas-mortas e trapezistas a cavalos e bailarinas, as obras de Botero são singulares no que se refere às proporções, sendo todas figuras rechonchudas, um tanto quanto exageradas. O estilo inconfundível do artista o tornou um verdadeiro sucesso de público. Contudo, a polêmica em torno do seu trabalho é algo constante. Alguns críticos e especialistas de arte rotulam o seu estilo de kitsh e populista, outros de apelativo e retrógrado. Botero, no entanto, parece ignorar os inúmeros rótulos dados ao seu trabalho o classificando como um misto de arte renascentista com arte pré-colombiana, que aprimorados dão origem à um estilo próprio. Todavia, não há como negar a versatilidade do artista que, além de pintar, esculpe e desenha.
sábado, 20 de junho de 2026
Todo texto é um campo de disputa
Todo texto é um campo de disputa
A obsessão pelo rigor e os bastidores do que se publica
Juan Rulfo era um obcecado pelo corte, pelo polimento final, pelo secar de um texto até reduzi-lo a mais rigorosa exatidão.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Palavra e contexto / Como o sentido nasce e em quê se transforma
Palavra e contexto
Como o sentido nasce e em quê se transforma
Não há como negar que grande parte das palavras tem significado independentemente do contexto. Somos capazes de atribuir um significado a palavras como árvore, branco, cadeira e café mesmo que elas apareçam isoladas, já que elas têm significados mais ou menos permanentes.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Literatura e arte / Diferentes perspectivas sobre o que chamamos de arte
Literatura e arte
Diferentes perspectivas sobre o que chamamos de arte
A definição mais comum de literatura é que se trata de uma forma de arte que tem por matéria-prima a palavra. Essa definição, no entanto, parece não resolver o problema de se conceituar com precisão o que é literatura, na medida em que leva a uma discussão mais ampla: o que é arte?
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Hamnet / Quando a arte é necessária
Hamnet: quando a arte é necessária
Um filme sentido que não será esquecido
Hamnet, da realizadora Chloé Zhao, é um filme que nos dá uma pista para responder a uma pergunta filosófica recorrente. Qual o sentido da Arte? Por que a Arte é necessária?
segunda-feira, 1 de junho de 2026
domingo, 31 de maio de 2026
Nuremberg / Um filme necessário
Nuremberg: um filme necessário
Cinema, verdade e responsabilidade: a evolução do cinema de guerra
Assisti recentemente ao filme Nuremberg, que retrata o famoso julgamento por um tribunal internacional de líderes nazistas capturados ao fim da Segunda Guerra Mundial, tendo como fio condutor a relação entre um jovem psiquiatra e o “Reichsmarschall” Hermann Göring, braço direito e provável sucessor de Adolf Hitler. Göring entregou-se às forças de ocupação aliadas após a derrota da Alemanha, foi preso e levado a julgamento pelos crimes de guerra, junto com outros altos oficiais nazistas.
terça-feira, 26 de maio de 2026
Monet / Quando o lugar é um personagem vivo
Monet: quando o lugar é um personagem vivo
Obrigada, Monet, por me deixar entrar na sua casa e ver de perto um pouco da sua inspiração
Eu tenho verdadeira fascinação por museus, mas a verdade é que nem sempre fui assim. Esse interesse foi sendo construído aos poucos, movido pela curiosidade. Quando chego em um lugar novo, o que mais me encanta é tentar entender o que há de vivo ali: na comida, nas ruas, nas pessoas e nas histórias que aquele lugar guarda.





















