Gustavo Adolfo Garcés
Armário de dois corpos
Com teu traje negro
Satanás coloca em prova
minha virtude
joga lenha
no fogo de meu vício
então
a voz no pescoço
Deus me revela
a verdadeira lei
que te desejo com ânsia
Gustavo Adolfo Garcés
Armário de dois corpos
Com teu traje negro
Satanás coloca em prova
minha virtude
joga lenha
no fogo de meu vício
então
a voz no pescoço
Deus me revela
a verdadeira lei
que te desejo com ânsia
Ao subir ao palco do Globo de Ouro para receber o prémio pelo seu desempenho em Valor Sentimental(Sentimental Value - 2025), o ator Stellan Skarsgård proferiu um dos mais belos discursos das últimas temporadas de premiações. Agradeceu a sua família, como de praxe, mas destacou algo mais raro: a alegria de ver um filme norueguês, independente e sem orçamento para publicidade alcançar o público daquela maneira e, sobretudo, ser visto no cinema, segundo ele, uma espécie em extinção. E concluiu com uma imagem simples e perfeita: num cinema, quando as luzes se apagam e eventualmente você divide o braço da cadeira com outra pessoa, isto é magia! Cinema deve ser visto no cinema.

Vozinha (1986, Mindelo, Cabo Verde)
Vozinha
Cabo Verde entrou como a surpresa africana que calou críticos. No grupo com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, cada partida foi batalha. Deixaram a alma em campo, representaram um país inteiro com orgulho e mostraram que o futebol também cabe nos sonhos de uma ilha.
No mata-mata, as oitavas de final guardavam o maior desafio. Lá estava ele, gigante entre as traves: goleiro Vozinha. Voou, defendeu o impossível, segurou o time com mãos que carregavam a esperança de milhões. Cada defesa era um poema de resistência contra os campeões do mundo.
Veio a derrota sob a Argentina, mas não houve queda, só aplauso de pé. Cabo Verde caiu lutando, de cabeça erguida, chorando por orgulho. Da pequena ilha para o mundo, os Tubarões Azuis provaram que glória não se mede só em vitória. Às vezes, perder também é fazer história.
Maria de Oliveira, de 20 anos, estuda piano. Em 1941, escreve de São Luís, Maranhão, onde encontrara o conto “Piá não sofre, sofre”, na revista Planalto. Entusiasmada, deseja ler mais desse autor que o irmão lhe recomenda. Expressando-se com graça e desenvoltura, ganha, em São Paulo, um amigo que lhe oferece o livro Clã do jabuti, músicas e paciente atenção. Retribui com um azulejo antigo e uma boneca de feira. Victor Brecheret, escultor, mostra ao companheiro e crítico modernista, croquis do que anda fazendo em Paris, no ano de 1922, apesar do frio. A carta, mistura de português e italiano capaz de fazer inveja a Juó Bananere, contrasta com o rigor no traço.
De naturezas-mortas e trapezistas a cavalos e bailarinas, as obras de Botero são singulares no que se refere às proporções, sendo todas figuras rechonchudas, um tanto quanto exageradas. O estilo inconfundível do artista o tornou um verdadeiro sucesso de público. Contudo, a polêmica em torno do seu trabalho é algo constante. Alguns críticos e especialistas de arte rotulam o seu estilo de kitsh e populista, outros de apelativo e retrógrado. Botero, no entanto, parece ignorar os inúmeros rótulos dados ao seu trabalho o classificando como um misto de arte renascentista com arte pré-colombiana, que aprimorados dão origem à um estilo próprio. Todavia, não há como negar a versatilidade do artista que, além de pintar, esculpe e desenha.
Juan Rulfo era um obcecado pelo corte, pelo polimento final, pelo secar de um texto até reduzi-lo a mais rigorosa exatidão.
Não há como negar que grande parte das palavras tem significado independentemente do contexto. Somos capazes de atribuir um significado a palavras como árvore, branco, cadeira e café mesmo que elas apareçam isoladas, já que elas têm significados mais ou menos permanentes.
A definição mais comum de literatura é que se trata de uma forma de arte que tem por matéria-prima a palavra. Essa definição, no entanto, parece não resolver o problema de se conceituar com precisão o que é literatura, na medida em que leva a uma discussão mais ampla: o que é arte?
Hamnet, da realizadora Chloé Zhao, é um filme que nos dá uma pista para responder a uma pergunta filosófica recorrente. Qual o sentido da Arte? Por que a Arte é necessária?
Assisti recentemente ao filme Nuremberg, que retrata o famoso julgamento por um tribunal internacional de líderes nazistas capturados ao fim da Segunda Guerra Mundial, tendo como fio condutor a relação entre um jovem psiquiatra e o “Reichsmarschall” Hermann Göring, braço direito e provável sucessor de Adolf Hitler. Göring entregou-se às forças de ocupação aliadas após a derrota da Alemanha, foi preso e levado a julgamento pelos crimes de guerra, junto com outros altos oficiais nazistas.
Eu tenho verdadeira fascinação por museus, mas a verdade é que nem sempre fui assim. Esse interesse foi sendo construído aos poucos, movido pela curiosidade. Quando chego em um lugar novo, o que mais me encanta é tentar entender o que há de vivo ali: na comida, nas ruas, nas pessoas e nas histórias que aquele lugar guarda.
Na Europa em 1202, fim da Idade Média, um livro denominado Liber Abaci trouxe algo revolucionário. Escrito por Leonardo de Pisa (mais conhecido como Fibonacci), ele popularizou o sistema numérico indo-arábico, aquele que usamos até hoje com os algarismos de 0 a 9. Mas o que realmente chamou a atenção nesse livro foi uma sequência numérica simples, elegante e, de certa forma, misteriosa: a sequência de Fibonacci.