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sábado, 15 de julho de 2017

Eliane Brum / É possível morrer depois da internet?



É possível morrer depois da internet?

Com sua festejada “vitória” sobre o Google, o espanhol Mario Costeja tornou-se um personagem trágico do mundo contemporâneo



ELIANE BRUM
26 MAI 2014 - 08:25 CDT

O espanhol Mario Costeja encarnou o paradoxo dessa época ao conquistar o “direito ao esquecimento” e, por isso, ser mais lembrado do que nunca. Nascido em São Paulo, no Brasil, país onde viveu até os nove anos, o advogado reclamava que, ao digitar seu nome no Google, encontrava em destaque um texto que manchava sua reputação. Era uma página do jornal La Vanguardia, publicada em 1998, que relacionava seu nome ao leilão de uma propriedade por dívidas com o governo. Ele pediu que os links para a matéria fossem removidos, mas tanto o jornal quanto o Google recusaram o pedido. Em 13 de maio, o Tribunal de Justiça da União Europeia determinou que buscadores como o Google deverão permitir que pessoas sejam “esquecidas” quando informações já superadas do seu passado forem consideradas lesivas ou sem relevância. O “esquecimento” seria consumado pela supressão de links na internet, exceto em situações nas quais existam razões específicas para serem mantidos, como o papel assumido na vida pública por aquele que reivindica o apagamento ou interesse público que se sobreponha ao interesse individual. A decisão só vale para a Europa. Mas abre um precedente, talvez perigoso, e uma discussão fascinante. Temos o direito de ser esquecidos? E, ainda que chegássemos a conclusão de que temos, como chegou o tribunal europeu, é possível ser esquecido?
Mario Costeja será para sempre lembrado por conquistar o direito a ser esquecido"
Mario Costeja, 56 anos, possivelmente irá descobrir que não. Ele teve uma vitória inédita – não sobre qualquer um, mas sobre um gigante, o Google. Mas, ao ter garantido seu direito de ser esquecido, nunca foi tão lembrado, especialmente no Google. Desde a decisão do tribunal, quando seu nome é digitado no buscador o número de citações é muitas vezes maior. Por várias páginas há matérias na imprensa de diferentes partes do mundo sobre a sua vitória. O que ele queria que fosse esquecido é lembrado em todas elas, já que é a razão pela qual buscou a Justiça. Se antes esse episódio podia, eventualmente, ser recordado por um público interessado, ao acessar o Google, agora jamais será esquecido por um número muito maior e mais variado de pessoas, ao entrar para a história do direito digital, um campo em acirrada disputa.
Mesmo eu, uma brasileira que nunca tinha ouvido falar de Mario Costeja, muito menos de suas supostas dívidas em 1998, estou aqui a escrever mais uma página que será somada à lista do Google. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Costeja afirmou que estaria falando pela última vez com a imprensa: “Nunca pensei que podiam existir tantos meios de comunicação no mundo, me chamam de lugares cuja existência quase desconhecia. E recebo convites de TVs de todos os tipos. Mas desejo voltar à minha vida e ao anonimato”. Um desejo ingênuo, talvez, para alguns um golpe de marketing. Costeja será para sempre lembrado por conquistar o direito a ser esquecido.
Nossas páginas pessoais na internet não são o que somos, mas o que queremos parecer que somos"
Há várias implicações nessa decisão do tribunal europeu. Sem contar o debate complexo que tem oposto os direitos à informação e à liberdade de expressão ao direito à privacidade. Mas há uma, subjacente, que me interessa mais: a construção da memória depois da internet. Ou, sendo mais específica, não apenas se é possível ser esquecido, mas um pouco mais: é possível morrer?
Me parece que Mario Costeja queria não ser esquecido, mas controlar a narrativa da sua vida. Ele queria editá-la, cortando as partes que considerava vexatórias e mantendo as mais edificantes. Para ele, não bastava superar pessoalmente um mau momento, era preciso que ninguém soubesse que o tinha vivido. Costeja não está sozinho nesse desejo. Muitos fazem isso todos os dias na internet, esse campo em que cabe tudo, ao escolher o que postar no Facebook, no Twitter, em outras redes sociais, em blogs e sites pessoais, em forma de texto, vídeo, fotos e áudio. Só publicamos aquilo que acreditamos fazer bem para a nossa imagem – e, em última instância, para a nossa memória em construção.
Sabemos que as páginas individuais não são o que somos, mas o que queremos parecer que somos – o que também revela o que somos para além do que queremos mostrar. Nelas temos a possibilidade concreta de apagar, como uma ferramenta disponível, o que estimula uma ilusão de controle que a internet tornou ainda maior. Não se apaga, porém, o que de nós foi reproduzido ou guardado por um outro em seu próprio espaço ou num espaço coletivo, o que uma vez é publicado está para sempre além de nosso controle e de nossas senhas e de nosso limitado poder. Ainda que se apague dos lugares mais visíveis, restará um traço, um rastro, a ação que não pode ser revertida porque já consumada. Se o indivíduo dela não fizer uma marca com a qual possa viver, terá de enfrentá-la como um fantasma sempre pronto a assombrá-lo.
O corpo fluido da internet permite algo mais permanente do que uma gravação em pedra: uma na nuvem"
Como na internet tudo é rápido, instantâneo, imediato e, principalmente, “fácil”, há tanto a ilusão de controle como a tentação de controle. Nem me refiro ao embate político na construção da narrativa dos fatos pelos grupos interessados – na construção da história que, de certa forma, só pode existir como interpretação. Concentro-me na narrativa do indivíduo, de cada um de nós, sobre sua própria vida. O que se “esquece”, com muita frequência, é da permanência que a internet ampliou como nunca antes, ao mesmo tempo que se “esquece” da impermanência de nosso ser e estar no mundo. Esquece-se da constante descoberta de que, talvez daqui a alguns anos, podemos não querer mais ser aqueles que fomos – ou do nosso desejo de sermos outros na nossa constante recriação dos sentidos ao longo de uma existência. Temos tomado o instante como um tempo absoluto, sem perceber talvez que o corpo fluido da internet permite algo mais duradouro do que uma gravação em pedra: uma na nuvem.
Mario Costeja queria eliminar uma página de jornal, missão muito mais complicada. E impossível, apesar – e também por causa – de sua estrondosa e inédita vitória em tribunal tão importante. Nesse desejo ele expressa a ilusão contemporânea, que compartilha com todos nós, de poder apagar as marcas de uma vida para o olhar do outro – ou controlar como o outro nos vê. Enorme ilusão, na medida em que as marcas podem ser ressignificadas, mas jamais apagadas. Señor Costeja, a quem só uns poucos e os de perto talvez conheçam de fato, é um personagem trágico do nosso tempo.
Ele compartilha com todos nós a ilusão de poder apagar as marcas de uma vida para o olhar do outro – ou controlar como o outro nos vê"
Ainda mais trágico pela euforia demonstrada nas entrevistas à imprensa. “Lutar contra o Google é como ir contra Deus”, disse em 2013 ao EL PAÍS, com alguma razão. Senõr Costeja acredita agora ter vencido “Deus”, mas talvez descubra que a onipotência humana é uma batalha muito maior – e desde sempre perdida. Em algum momento, usando um termo psicanalítico, nos descobrimos “castrados”. E é melhor que assim seja.
Ainda assim, é importante perceber que, de forma enviesada, ele conseguiu substituir no topo da lista do Google a matéria específica que tanto o perturbava. Interferiu e produziu uma nova narrativa sobre si mesmo. Uma em que o “perdedor” de 1998 tornou-se o “vitorioso” de 2014. Não é pouco. Mas talvez ele descubra que as versões sobre sua vida estarão para sempre além do seu controle. É no embate narrativo, travado na esfera pública, mas também no interior dos conflitos privados ao longo de uma existência, que a memória de cada um é construída. Nesse movimento de constante criação e recriação de sentidos para o vivido, aquele que é só pode ser duvidando do que é.
Talvez Mario Costeja descubra que a onipotência humana é uma batalha muito maior e desde sempre perdida"
É fascinante que nós, aqueles que lutam cotidianamente nos espaços da internet para “existir”, para “ser lembrados” e constantemente reassegurados de seu valor no mundo – “curtidos”, “retuitados”, “seguidos”, “compartilhados” –, numa eternidade que se absolutiza no instante, comecemos a desejar o esquecimento. De certo modo, é preciso ser “esquecido” para poder ser “lembrado” de outras maneiras. É preciso talvez esquecer-se de si por um momento para poder se inventar de um outro jeito, movimento constante e inerente a uma vida que se pretende viva.
O mundo pós-internet nos impõe uma dificuldade muito maior nessa tarefa de reinvenção de si. O excesso de registros que, em grande parte, nós mesmos produzimos, torna mais difícil deixar lembranças para trás, jogá-las na lixeira ou confiná-las numa caixa que podemos escolher quando abrir ou jamais voltar a abrir. Não é possível nem desejável negar o vivido, nem mesmo e especialmente em grandes tragédias, mas é preciso poder transformar aquilo que sangra em marca para poder seguir adiante. E agora que sangramos para sempre num lugar sem tempo, talvez seja mais difícil.
Lembro uma reportagem que li ainda nos anos 90. A internet não era uma realidade para a maioria, o que tornava uma fuga e um desaparecimento algo com mais chances de dar certo do que hoje, quando somos fotografados, filmados e registrados na rua, dentro dos prédios, em toda parte. A partir de uma lista de desaparecidos – aquelas pessoas que vão comprar cigarro na esquina e nunca mais voltam –, o jornalista tentou localizar esses personagens para descobrir o que tinha acontecido com cada um. Descobriu que, numa parte significativa dos casos, pelo menos de sua amostragem, os que desapareceram queriam desaparecer. Realizaram uma fantasia, que passa pela cabeça de muitos, de renascer em outras bases, ser um outro numa outra vida, sem ter de responder pela existência anterior. Tinham mulher ou marido, filhos, pai ou mãe doente, dívidas, prestações intermináveis da casa própria, um trabalho menos emocionante do que gostariam. Queriam se livrar de um passado que determinava o presente e assombrava o futuro.
É fascinante que aqueles que lutam cotidianamente na internet para ser lembrados – curtidos, retuitados, seguidos, compartilhados – comecem a desejar ser esquecidos
O problema, como descobriu o jornalista, é que não é possível deixar as marcas para trás. Muito menos a si mesmo. O problema, talvez, é que nos carregamos em nossa fuga, com tudo o que somos, incluindo nossas cicatrizes e nossas neuroses. Na tentativa de desaparecer de uma vida para reaparecer em outra, que soava mais atraente e adequada a suas grandes expectativas, esses fugitivos fracassaram. A reportagem mostrava que aqueles que tentaram se reinventar na literalidade de uma fuga, morrendo para o mundo que os conhecia para renascer no desconhecido, supostamente sem passado e sem dívidas simbólicas e reais, acabavam por criar uma vida muito semelhante àquela que deixaram. O repórter os encontrou presos a uma existência em quase tudo igual à anterior. E já sem a ilusão de que haveria uma fuga possível. Ainda não tinham compreendido que, se quisessem viver várias vidas numa só, era preciso enfrentar a tarefa trabalhosa, constante e jamais terminada de criar e recriar sentidos para o seu estar no mundo.
Com a internet, como talvez descobrirá Mario Costeja, apagar o passado tornou-se uma ilusão ainda maior. Sites de busca como o Google hierarquizam nossas marcas por caminhos que nos são estranhos e a importância de nossos atos e dizeres se dá pelo que aparece em primeiro lugar, como tanto apavorou Costeja. Alguns de nós, que, como a maioria, sempre quis viver “para sempre”, viver para além da vida, começa a se preocupar em morrer para o mundo, ainda em vida. Mas, depois da internet, é possível morrer?
Alguns de nós, que queriam viver para além da vida, começam a se preocupar em morrer para o mundo, ainda em vida
Esta é a pergunta que move uma peça de teatro muito original, concebida pelos libaneses Rabih Mroué e Lina Saneh. Assisti a “33 rpm and a few seconds” (33 rpm e alguns segundos) no Pen World Voices Festival deste ano, em Nova York, evento literário criado pelo escritor Salman Rushdie (que recentemente andou pelo Brasil), do qual participei como autora convidada. Não há previsão de o espetáculo ser exibido no Brasil, o que é uma pena. Os autores, Rabih e Lina, conseguiram realizar algo de enorme impacto sobre a plateia, sem colocar um único ator no palco, o que também é muito revelador dessa época em que encenamos nossa vida como realidade – e seguidamente acreditamos que realidade é.
No palco, não há nenhuma pessoa. Só objetos. Não há nenhuma pessoa porque a pessoa que havia naquele escritório dentro de uma casa acabou de se suicidar. Somos informados de que o morto que habitava aquele lugar, Diyaa Yamout, era um jovem ativista de direitos humanos que filmou a sua morte. Mas somos informados pelos objetos que continuam se movendo – “vivendo” e o mantendo vivo – depois de sua extinção física. A TV continua ligada, assim como o aparelho de som e o de fax. A tela do computador projeta a repercussão de sua morte no Facebook. Uma amiga (ou amante?) vai gravando recados na sua secretária eletrônica. Outra amiga (ou namorada?), que está viajando para encontrá-lo, deixa torpedos no seu celular. As narrativas sobre a sua vida e a sua morte vão sendo construídas, sobrepostas umas as outras, mas ele já não está. Ou está?
Somos estrangeiros na própria vida, passageiros de uma existência em que o destino está sempre além, inalcançável, mesmo quando parece logo ali"
Nas redes sociais desenrola-se o que qualquer um que acompanha o Facebook ou o Twitter já está acostumado a testemunhar – e a participar. Ora o morto é um herói, ora um vilão. Ora é um covarde, ora um corajoso. Ora uma vítima, ora um algoz. Frases, ideais e intenções são atribuídos a ele por diferentes personagens. A partir dessas inferências se desenha um país que seria o Líbano, mas com clichês que costumam ser atribuídos ao Brasil e, imagino, também a outros países, como “república de bananas” ou “este país não tem jeito”. Logo há uma disputa nas redes sociais, violenta e ofensiva, pela memória do morto. Na tela, sentidos para sua morte e para sua vida são criados e recriados, em encarniçada contenda política, cultural e religiosa. Há os furiosos, há os líricos, há os que tentam transcender e os que tentam pacificar. Há uma enorme banalidade instantânea, previsível e repetitiva como só a banalidade pode ser.
Na tela da TV assistimos às costumeiras reportagens, sempre repetidas em casos como este. Entrevista-se os pais que choram, entrevista-se colegas e supostos amigos, ao final há sempre o “especialista”, na figura do psiquiatra ou psicanalista, que daria a interpretação final para o suicídio e para o legado do suicida. Conhecemos esse enredo, até o esperamos, como se não houvesse outra possibilidade, mais profunda e menos redutora, de olhar para uma vida – e para uma morte.
Enquanto isso, a mulher que tenta desesperadamente desembarcar no país do morto para encontrá-lo, sem saber que ele morreu, vai contando suas desventuras em lugar nenhum. Primeiro o avião tem problemas, depois as autoridades a retêm, são inúmeros os percalços e ela, uma palestina, encarna a própria terra ao nunca conseguir alcançar seu destino. Na busca por ele e por chão, ela permanecerá em trânsito. Nessa narrativa, ela radicaliza nossa condição de estrangeiros na própria vida, passageiros de uma existência em que o destino está sempre além, inalcançável, mesmo quando parece logo ali.
A única forma de morrer (ou de ser esquecido) é estar fora da linguagem – ou nunca ter falado"
E o morto-vivo? Ou o vivo-morto?
O jovem ativista que escolhe se matar (é o que ele diz, foi uma escolha), escreve em sua carta-testamento: “A vida é uma prisão. A única liberdade possível é a não existência”. É nas mensagens da secretária-eletrônica, deixadas pela mesma voz feminina, por alguém que o conhece, no sentido profundo de conhecer, não no superficial que desfila na tela do Facebook ou nas matérias de TV, que o paradoxo dessa época se desvela. A certa altura, ela diz: “É possível estar fora do corpo, mas não fora da linguagem. Meu amigo, a única forma de morrer é estar fora da linguagem – ou nunca ter falado. Você falou muito, palavras demais. Para sempre estará preso na linguagem”.
Ele morreu, seu corpo não está lá. Mas, como nós, ele está vivo numa multiplicidade de narrativas em movimento que, com a internet e a tecnologia, tornou-se a eternidade que buscamos com tanto afinco – e finalmente alcançamos. Apenas para descobrir que a tragédia era outra.
Esta é a armadilha. Já não é possível morrer.





quinta-feira, 20 de outubro de 2016

‘El Santo’, o lutador mexicano transformado em ídolo imortal

O Filho de 'El Santo' durante uma entrevista com o EL PAÍS em 2015. SAÚL RUIZ


‘El Santo’, o lutador mexicano transformado em ídolo imortal

Google homenageia com um doodle o icônico lutador, que completaria 99 anos nesta sexta



DIEGO MANCERA
Cidade do México 23 SET 2016 - 08:43 COT

Rodolfo Guzmán Huerta (Hidalgo, 1917), mais conhecido como El Santo, faria 99 anos nesta sexta-feira, 23 de setembro. O lutador se transformou em um herói da cultura popular do México e em um ícone pop mundial. É por isso que o Google decidiu comemorar seu nascimento com um doodle na América. A imortal máscara prateada o acompanhou até o dia de sua morte. 

Guzmán Huerta cresceu em Tepito, na Cidade do México, uma das áreas mais perigosas da capital, não à toa chamada de bairro violento, também berço de grandes boxeadores. Lá El Santo se interessou pelo beisebol, o futebol americano e, claro, pela luta livre. Em sua juventude usou outros apelidos: Rudy Guzmán, O Homem Vermelho, O Morcego II e O Demônio Negro. Seu treinador, Jesús Lomelí, o convidou a se juntar a um grupo de lutadores que se vestiam de prateado, de modo que lhe sugeriu que mudasse o nome. Assim Rodolfo Guzmán deixou de existir para se transformar em El Santo, o mascarado prateado. 
El Santo forjou seu legado não só por vencer outros lutadores no ringue, mas também mulheres vampiras, múmias e zumbis nos 54 filmes que protagonizou, nos quais era o rockstar que viajava em um carro conversível branco e com o peito nu. El Santo foi uma espécie de Super-Homem mexicano. Mas, para aparentar ser um pouco mais alto, precisava usar saltos nas botas. 
O público mexicano lotava as arenas mexicanas todas as noites para vê-lo. Quem o conheceu afirma que nunca faltou a uma sessão, mesmo que estivesse doente. El Santo era um viciado na luta livre, um espetáculo que se popularizou no México a partir de 1933. Seu carisma valeu para que aparecesse nas revistas em quadrinhos dos anos cinquenta. 
O misticismo dos lutadores mexicanos se baseia na ocultação de sua verdadeira identidade. El Santo conseguiu escondê-la até 1982, já no ocaso de sua carreira. Em um programa conduzido pelo jornalista Guillermo Ochoa o lutador mostrou seu rosto para demonstrar que não estava velho, apesar de já não possuir um porte atlético. Sua voz era áspera. Um ano depois voltou a fazer o mesmo para o comunicador Ricardo Rocha, os produtores decidiram não congelar a imagem, para tentar manter o segredo do Santo. 
Mas a data mais emblemática foi 26 de janeiro de 1984. Naquela tarde decidiu retirar a máscara, pela terceira vez, para o apresentador da Televisa, Jacobo Zabludovsky. El Santo morreu dez dias depois aos 66 anos. Mas o legado continua com o O Filho do Santo e seu neto, El Santo Junior, que estreou profissionalmente em agosto.








A lenda de El Santo ainda vive nas principais arenas de luta livre através de seus produtos. Também na inspiração para as gerações de lutadores e em seu museu, localizado em Tulancingo, Hidalgo, no centro do México, onde nasceu Rodolfo Guzmán. Mas seu próprio filho, Jorge Ernesto Guzmán, reconhece que isso é insuficiente para valorizar a trajetória de seu pai. “Ao que parece as autoridades mexicanas não se interessam. É incrível que o legado de meu pai seja mais apreciado no estrangeiro do que em meu próprio país”, disse o Filho de El Santo ao EL PAÍS em março do ano passado. A santomania não morreu. 
EL PAÍS

sábado, 8 de outubro de 2016

Buscando sexo no Google


Buscando sexo

no Google

Pesquisador analisa compilação de dados de pesquisas no Google de temas ligados a sexo


SETH STEPHENS DAWIDOWITZ (THE NEW YORK TIMES)
14 FEV 2015 - 18:00 COT


EVA VAZQUEZ

Você se sente confuso sobre sexo? Eu, com certeza, sim. Uma das muitas razões pelas quais o sexo acaba sendo um assunto tão desconcertante é que não temos dados confiáveis. As pessoas mentem para os amigos, para os amantes, para os médicos, nas pesquisas e para si mesmas.

Há três anos, quando era estudante de pós-graduação em economia, comecei a escrever sobre como os novos dados, especialmente nas buscas no Google, podiam nos proporcionar “insights” inéditos sobre temas socialmente delicados. Desde então, muita gente tem me pedido para escrever sobre sexo. Eu ficava reticente porque queria pesquisar mais. Agora, finalmente, estou preparado para dizer algo a respeito. O resultado poderia ser chamado de: “Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas não tinha dados para perguntar”.
Comecemos pelo básico. Com que frequência fazemos sexo? As pesquisas tradicionais não servem para responder a essa pergunta.


Analisei os dados de uma fonte clássica: a Pesquisa Social Geral [dos Estados Unidos] . Os homens heterossexuais a partir de 18 anos dizem que sua média é de 63 relações sexuais por ano, e que utilizam preservativo em 23% delas. Isso resulta em mais de 1,6 bilhão de vezes nas quais o preservativo foi usado em relações heterossexuais por ano. As mulheres heterossexuais afirmam que sua média é de 55 relações sexuais ao ano, e que utilizam preservativo em 16% delas. Com esse dado, seriam 1,1 bilhão de relações heterossexuais com uso de preservativo ao ano. Quem está dizendo a verdade? Os homens? Ou as mulheres? Nenhum dos dois. Segundo a Nielsen, por ano são vendidos menos de 600 milhões de preservativos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sigmund Freud, o homem que deu significado aos sonhos, homenageado em 'Doodle'

Sigmund Freud

Sigmund Freud, o homem que deu significado aos sonhos, homenageado em 'Doodle'

Nascimento do pai da psicanálise completa 160 anos nesta sexta-feira e é lembrado em um 'Doodle'


DAVID BERNAL
Madri 6 MAI 2016 - 16:10 COT



Sigmund Freud, o pai da psicanálise, nasceu há exatos 160 anos. E seu nascimento não foi esquecido pelo Google, que o homenageou com um doodle nesta sexta-feira. Somos como um iceberg, do qual só se vê a ponta. Tudo o que está debaixo da água é o nosso subconsciente, um amontoado de desejos e traumas que reprimimos, mas que dão forma aos nossos sonhos. E foi o neurologista quem criou essa teoria, hoje tão aceita e, com isso, mudou a nossa forma de pensar, com conceitos como narcisismo, pulsão de morte e Complexo de Édipo. Foi uma das figuras mais polêmicas e influentes do século XX.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Hedy Lamarr, a atriz que inventou o wifi


Hedy Lamarr

Hedy Lamarr, a atriz que inventou o wifi

Google homenageia com um doodle a primeira mulher que ficou nua nas telas do cinema


9 NOV 2015

Se um roteirista tivesse imaginado uma vida como a sua, ninguém teria acreditado em um personagem como o de Hedy Lamarr (Viena, 9 de novembro de 1914). A atriz a quem o Google dedica hoje seu doodle, coincidindo com o 101º aniversário de seu nascimento, foi a primeira a ficar nua na história do cinema e a primeira a interpretar um orgasmo nas telas. Mas hoje o site de buscas na Internet lembra dela por ter desenvolvido a teoria do espectro de difusão, o precursor do wi-fi.