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sábado, 26 de maio de 2018

Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth



Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth

Não é fácil escolher entre os trinta livros publicados pelo prodigioso escritor norte-americano


Entre os trinta livros escritos por Philip Roth, que morreu na madrugada desta quarta-feira aos 85 anos, não é fácil selecionar alguns. São muitas as obras magistrais que deixam uma recordação perene no leitor e na crítica. Sua capacidade de indagar nas regiões devastadas e mais obscuras do ser humano, de pôr em relevo sua risível transcendência e de transmitir a explosão liberadora e aprisionadora do sexo percorre a produção de um fabulador apegado à realidade, a seu tempo, a seu país, ao mundo. Que maior reconhecimento para a maestria de um romancista do que os historiadores de seu país, os Estados Unidos, escolherem seu livro de ficção Complô contra a América como o melhor do ano? Em seguida, uma lista – apenas uma amostra – de algumas das obras imprescindíveis de Philip Roth.


Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth
REPRODUÇÃO


1. O Complexo de Portnoy (1969)

Tornou-se rapidamente um clássico e não só da provocação. É o divertido monólogo das obsessões masturbadoras do jovem judeu Alexander Portnoy, agarrado à mãe, e suas problemáticas relações com as mulheres nos anos 40 em Nova Jersey.

2. A Marca Humana



Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth
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A série de obras protagonizadas pelo alter ego do escritor, Nathan Zuckerman, “personagem mais real que o que a realidade apresenta, e que permitiu a Roth desenvolver uma série de complexas explorações sobre o sentido da arte e da vida”, nas palavras do escritor e crítico Eduardo Lago. Em A Marca Humana (2000), por exemplo, Zuckerman narra como a carreira do professor universitário Coleman Silk se arruína ao pronunciar na sala de aula uma expressão pouco feliz em meio à febre do politicamente correto nos EUA.


Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth
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3. Pastoral Americana (1997)

O reverso do sonho americano. O casamento perfeito, formado por Seymour, antigo atleta e bom filho, e Dawn, ex-miss Nova Jersey, leva uma vida exemplar até que sua existência começa a ruir por uma desgraça familiar. As convicções de Seymour se chocam com os valores da sociedade norte-americana dos anos sessenta nesta primeira parte da celerada trilogia norte-americana, que continuou com Casei com um Comunista (1998) e A Marca Humana.


Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth


4. Complô contra a América(2004)

O que teria acontecido se nas eleições dos Estados Unidos um candidato republicano, pró-nazismo, antissemita e isolacionista, como o popular aviador Charles A. Lindenberg, o primeiro a cruzar o Atlântico sozinho, tivesse em 1940 tirado a vitória de Roosevelt? Os EUA não teriam entrado na II Guerra Mundial e teriam perseguido os judeus, segundo a assustadora obra de Roth, que se concentra, porém, na tragédia pessoal de uma só família, chamada, precisamente, Roth.


Cinco romances imprescindíveis de Philip Roth
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5. Nêmesis (2010)

Seu último romance em que volta a suas questões íntimas. O tema de Nêmesis é a epidemia de pólio que assolou os Estados Unidos durante o verão de 1941 e como afetou a comunidade judaica de Newark, a cidade natal do autor, cenário de sua infância. Roth retoma um velho tema, o da peste, tratado anteriormente por Daniel Defoe e Albert Camus. O pano de fundo, neste caso, é a II Guerra Mundial, com suas atrocidades. Na última obra, “Roth nos arrasta para o melhor de que é capaz, o teatro de sua imaginação, alcançando um virtuosismo de que só são capazes os mestres do invisível”, argumenta Eduardo Lago. Ao comentar o romance, o sul-africano J. M. Coetzee, ganhador do prêmio Nobel de Literatura, atenta para uma cena misteriosa em que se explica como cavar um túmulo. Trata-se de uma lição, observa Coetzee, tanto de vida como de morte. Escrever é enfrentar a morte e aprender a tiver. Tudo ao mesmo tempo.



quarta-feira, 23 de maio de 2018

Morre Philip Roth, gigante literario norte-americano, aos 85 anos

Philip Roth

Morre Philip Roth, gigante literario norte-americano, aos 85 anos

Em uma das últimas entrevistas que deu, o autor do 'Complexo de Portnoy' disse que passava o dia lendo, uma atividade que substituiu a escrita


PABLO DE LLANO
Miami 23 MAI 2018 - 00:04 COT

O gigante literário norte-americano Philip Roth, vencedor do prêmio Pulitzer por seu romance Pastoral Americana em 1998, morreu nesta terça-feira, aos 85 anos. Sua morte encerra tanto uma carreira transcendental nas letras americanas quanto a geração literária que observou e desconstruiu a vida na liderança mundial na segunda metade do século XX. Ele deixa para trás obras como a trilogía americana, Complexo de Portnoy ou Casei com um comunista, Complô contra a América ou Operação Shylock. Candidato eterno ao Nobel, que afinal nunca ganhou, recebeu o restante dos grandes prêmios do mundo, do Man Booker Prize para dois Críticos Nacionais do Livro e três Pen / Faulkner.
Em seu obituário, a revista The New Yorker recordou os temas favoritos de Roth: "a família judia, o sexo, os ideais americanos, a traição aos ideais americanos, o fanatismo político e a identidade pessoal". Em 2012, ele anunciou que iria parar de escrever. Em uma das últimas entrevistas que deu, publicada no The New York Times em janeiro, o autor disse que passava o dia lendo, uma atividade que substituiu a escrita: "Em poucos meses deixarei a velhice para entrar na velhice profunda. Acho incrível estar aqui no final de cada dia. Quando fui para a cama, sorri e pensei: 'vivi mais um dia". E fascina-me acordar oito horas depois e continuar aqui: "Eu sobrevivi a outra noite".
EL PAÍS



DRAGON

PESSOA
Morre Philip Roth, gigante literario norte-americano, aos 85 anos

RIMBAUD
Roth, DeLillo, Adonis / Retour sur les loupés éternels du Nobel de littératureL’écrivain américain Philip Roth est mort à l’âge de 85 ans

DANTE
Sono Philip Roth / Ubriaco di disperazione


sábado, 2 de dezembro de 2017

Nathan Englander / O herdeiro rebelde de Philip Roth

O novo livro de contos de Englander e o retrato do autor, no alto.
Quando lhe perguntam como é ser um escritor judeu, ele diz que não vê isso como uma categoria literária
(Foto: Marco Secchi/Corbis e Divulgação)


Nathan Englander 

O herdeiro rebelde de Philip Roth

No último dia 19 de março, o romancista americano Philip Roth fez uma grande festa em comemoração de seus 80 anos. Reuniu 250 pessoas, entre amigos e admiradores, no salão de festas do museu de Newark, em Nova Jersey, cidade onde nasceu e cresceu, que povoa sua obra como a Londres de Dickens ou a Salvador de Jorge Amado. Roth estava de bom humor: sorriu, acenou, partiu um bolo no formato de uma pilha de livros. Foi sua primeira aparição pública desde que anunciou que deixaria a literatura, durante uma entrevista para a revista francesa Les Inrockuptibles, em outubro do ano passado. Ele é um dos maiores escritores americanos do pós-guerra. Herdeiro da geração pioneira de Saul Bellow (1915-2005) e Bernard Malamud (1914-1986), Roth ajudou a forjar a identidade moderna dos judeus americanos. Sua aposentadoria foi recebida pela crítica como o fim de uma era.
Os temas da nova geração (Foto: David Levenson/Getty Images, Anne-Christine Poujoulat/AFP, Steve Bisgrove/AP Images e Fabio Braga/Folhapress)























Um dos convidados para a festa de Roth foi o escritor Nathan Englander, de 43 anos, apontado como um de seus discípulos. Englander é americano, judeu e romancista. É de uma geração que começa a rechaçar um rótulo que une – a seu ver, artificialmente – essas três condições. Como Englander, outros autores jovens formados na cultura judaica tentam dar sua própria resposta aos desafios culturais e pessoais da diáspora (leia o quadro).

A crítica recebeu bem os livros de Englander – um romance e duas coletâneas de contos. Do que a gente fala quando fala de Anne Frank (Companhia das Letras, tradução de Claudio Marcondes, 208 páginas, R$ 39), seu último livro de contos, foi motivado pela pergunta que o perseguiu em 15 anos de carreira. Como é ser escritor judeu? “Não acho que exista essa categoria literária”, disse Englander a ÉPOCA. “Nunca sento para escrever e penso: ‘Esse texto vai ser sobre o judaísmo’.” Ele diz que Roth é uma influência forte. “Lembro de tê-lo lido ainda jovem, mas tenho influências menos óbvias, como George Orwell ou Júlio Verne.”

Englander cresceu numa comunidade tradicional de judeus em West Hempstead, em Nova York. Frequentou colégios onde praticamente todos os alunos eram judeus. Jovem, morou por cinco anos em Israel. Hoje, vive com a mulher e o cachorro no Brooklyn, em Nova York. No conto que dá título a seu novo livro, dois casais de judeus, um secular e outro religioso, se embriagam e passam a brincar do jogo do “Gentio Justo”: qual de seus vizinhos não judeus os esconderia no caso de um novo Holocausto? “Estou escrevendo histórias sobre pessoas. É sobre pertencer a uma determinada cultura, a uma memória”, diz Englander. “Quando abro em Nova York um livro de Jorge Amado e leio sobre a Bahia, entro em contato com um mundo estranho e maravilhoso. Ao mesmo tempo, um brasileiro na Bahia pode abrir o mesmo livro e se encantar. Só depende de uma boa história.”