quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A arquitetura das histórias / A tessitura narrativa também tem sua estrutura



Livros clássicos de literatura conservados em museu sobre


A arquitetura das histórias

A tessitura narrativa também tem sua estrutura

14 DEZEMBRO 2023, 


Já parou para pensar se as cidades, os ambientes ou os locais que imaginamos quando lemos um livro são os mesmos pensados pelos outros leitores? Visto que livros, muitas vezes, trazem como centro da história o cenário que acontece tudo e os seus autores se dedicam ao longo dos capítulos aos detalhes de cada pedaço das cidades, casas e espaços do enredo, o que nós pensamos é que o que nossa imaginação criou a respeito do livro é pelo menos parecido ao que outras pessoas também imaginam. Mas essa conclusão muitas vezes acaba caindo depois que um livro vira um filme e acabamos nos surpreendendo, tanto positiva como negativamente, com tudo aquilo que imaginamos durante a leitura sendo desvendado diante dos nossos olhos transformando aquelas linhas em algo visual, produzido por outras pessoas.

Sempre gostei muito de ler, livros diversos, sobre história, arquitetura, biografias e ficção. E na minha mente uma história precisava de um lugar, espaços e se o autor não me dava conteúdo eu mesma transformava a história, mas caso o livro tivesse informações sobre o lugar e ainda se fosse um lugar real eu precisava pesquisar sobre e ver a cidade, a arquitetura para construir o cenário ideal para o livro. Essa relação da arquitetura construída pela imaginação dos leitores começou a me interessar e esse ano, quando, a convite de uma amiga, criamos um clube do livro feito para amigas, a princípio arquitetas, e posteriormente amigas de amigas, não necessariamente arquitetas com opiniões e visões de mundo de coisas mais diversas. 

Para quem não conhece, clube do livro é um grupo de leitores que se reúne com certa periodicidade para discutir um livro estipulado e lido por todos os participantes, as discussões englobam todos os fatores do livro e exibem opiniões. Durante as reuniões que participei e discutimos livros diversos percebi o quanto as percepções da mesma leitura tem imagens, opiniões e impressões diferentes. 

Espaços utópicos, são os chamados cenários criados pela literatura e desenvolvidos pela nossa mente. Criamos esses ambientes e até cidades através da necessidade de visualizar o que estamos lendo, espaços que não importam a exata metragem, cores e divisões, mas sim a explicação da cena descrita em cada capítulo. E com isso, nossa mente tem o poder de construir cidades inteiras através de informações descritas em palavras.

Na literatura, a descrição do local, tempo, e contexto são chamados de ambientação do livro. O enredo principal pode correr ao redor dos personagens, mas sem uma mínima descrição desses fatores o texto corre no vácuo e isso não contribui para que a mente se envolva na leitura. Por isso a arquitetura e é um dos fatores que auxilia a definir o tom da história. Como por exemplo um ambiente de um apartamento na cidade, barulhos trânsito e buzinas se opõe ao ambiente de uma casa grande no litoral, clima de verão e sons de ondas do mar batendo na areia, e tenho certeza que você ao ler essas duas ambientações imaginou espaços totalmente diferentes e teve sensações e memórias opostas. Descrever a arquitetura e o urbanismo ilustra a história sem a necessidade de imagens e os leitores se tornam os arquitetos dos seus livros, projetando lugares, casa e países para os personagens.

A arquitetura contida nas histórias, também chamada de espaço narrativo, é proposta pelo autor, mas desenvolvida e finalizada pelo leitor. Temos assim um projeto criado pela imaginação de pessoas diferentes, com conhecimentos de mundo diversos e isso acaba criando para mesma história lugares que não são iguais, apesar de descrição dos espaço ser a mesma, cada um desenvolve um cenário que considera ideal para a leitura e mais adequada as palavras lidas. Sendo assim, essa relação entre literatura e arquitetura se torna única.


A arquitetura contida nas histórias, também chamada de espaço narrativo, é proposta pelo autor, mas desenvolvida e finalizada pelo leitor. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
Design embrulha um livro raro em papel especial por conter narrativas
Espaços utópicos, são os chamados cenários criados pela literatura e desenvolvidos pela nossa mente. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
Leitora viaja nos pensamentos após pausa na leitura dentro de uma biblioteca
Na literatura, a descrição do local, tempo, e contexto são chamados de ambientação do livro. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
Arquiteta e amante dos livros passeia por patreleira de títulos históricos
  1. A arquitetura contida nas histórias, também chamada de espaço narrativo, é proposta pelo autor, mas desenvolvida e finalizada pelo leitor. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
  2. Design embrulha um livro raro em papel especial por conter narrativas 
  3. Espaços utópicos, são os chamados cenários criados pela literatura e desenvolvidos pela nossa mente. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
  1. Leitora viaja nos pensamentos após pausa na leitura dentro de uma biblioteca
  2. Na literatura, a descrição do local, tempo, e contexto são chamados de ambientação do livro. Interior da biblioteca de Pannonhalma, na Hungria
  3. Arquiteta e amante dos livros passeia por patreleira de títulos históricos


MEER


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

O empréstimo do termo vernacular à arquitetura Das sábias e remotas formas de se construir


Abrigo contra o frio feito com blocos de gelo
Abrigo contra o frio feito com blocos de gelo


O empréstimo do termo vernacular à arquitetura

Das sábias e remotas formas de se construir 

14 JANEIRO 2024, 


Nos últimos anos um termo que é visto constantemente em artigos sobre arquitetura e sustentabilidade é o termo vernacular. A definição da palavra vernacular nos dicionários de português descreve que se trata de algo Particular ou característico de um país (nação, região etc.). Diz-se da linguagem desprovida de estrangeirismos, que se apresenta com vocabulário ou construções sintáticas originais e corretas; castiço, portanto, podemos entender como algo próprio do meio. Trazendo o termo para a área de arquitetura pode-se entender como arquitetura vernácula ou vernacular aquela projetada e construída propondo o uso de materiais e técnicas da região em que está inserida.

Em meados do século XX, arquitetos começaram a estudar esse tipo de arquitetura a fim de encontrar soluções para questões ambientais em seus projetos e dessa forma começaram a rever seus estilos de criar e construir mais focados na sustentabilidade. Por se utilizar de métodos e produtos naturais de uma região específica, uma arquitetura dita vernacular é reconhecida como sustentável pois evita gastos com transportes de materiais de lugares distantes e aproveita produtos disponíveis do país e que se adaptam melhor ao clima e a cultura. No Brasil, o arquiteto Lucio Costa foi um dos principais nomes nos estudos voltados a arquitetura vernacular, estudando os exemplos no país em todas as regiões, de norte a sul do país, e desenvolvendo um estudo dos principais exemplares dessa arquitetura nas diversas regiões de um país de tamanho continental.

Falando sobre cultura, na arquitetura vernacular a preservação da cultura local também é outro ponto positivo, uma vez que valoriza técnicas de construções passadas de gerações a gerações. Essas habilidades, as vezes consideradas como primitivas e de tradições dos povos, foram desenvolvidas através dos anos quando a populações vendo a necessidade de desenvolver suas moradias tiveram que lidar com as pré-existências locais, como clima e vegetações, para atender as suas necessidades. O resultado de anos de conhecimento e testes combinou materiais orgânicos, isolantes térmicos e acústicos em construções que conectam seus moradores aos ambientes criados.

Acredita-se que a arquitetura vernacular tenha iniciado na Pré-história, pela necessidade de homens em construir abrigos de proteção contra os efeitos climáticos e animais selvagens. Os povos indígenas e rurais foram responsáveis pelo desenvolvimento da arquitetura vernacular brasileira utilizando técnicas como a taipa de pilão, construções em palafitas e o adobe. Esses povos, responsáveis pela criação da arquitetura vernacular de suas regiões tem papel muito importante na proteção dos seus ecossistemas e preservação de trabalhos manuais e artesanais.

Os ensinamentos trazidos da arquitetura vernacular faz com que os arquitetos contemporâneos continuem revisitando e estudando essas técnicas como forma de tomar ações frente a questões importantes na sociedade atual, como a escassez de matérias primas, a explorações de materiais não renováveis e a crise climática. Assim sendo, o uso de técnicas desenvolvidas há muitos anos pode trazer respostas a muitos problemas da construção civil atual, como o conforto térmico e a redução de emissão de gases nocivos ao meio ambientes.

O desafio da arquitetura vernacular está na união dessas técnicas a tecnologia. A padronização dos métodos construtivos atuais, faz com que os softwares de desenho sejam desenvolvidos e programados para os métodos padronizados de construção e gera um obstáculo para projetar utilizando técnicas vernaculares em softwareschamados BIM - Building Information Modeling e isso pode afastar o dificultar o uso dessas técnicas tão úteis e necessárias para sociedade atual.

De modo geral, os pontos positivos das técnicas de arquitetura vernacular têm muito a acrescentar e ensinar a seus habitantes. E devem ser exploradas para o ato de projetar de forma consciente e sustentável. Porém, a arquitetura deve andar de mãos dadas com a tecnologia e ser absorvida pelo mundo digitalizado, esses ensinamentos têm que ser absorvidos nos softwares de projetos, pelo maquinário da construção civil e pelo mercado no geral. Só assim veremos um impacto maior para as inovações arquitetônicas.


A escola foi construída em um espaço verde de 2.549 hectares em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
O projeto de arquitetura vernacular em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil, ganhou o prêmio RIBA em 2018
A escola abriga cerca de 800 alunos Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
A ideia do projeto da escola de Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil era de ambientar a educação como um lugar de moradia
Junto à comunidade indígena, arquitetos construíram uma escola-internato em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
A crianças da comunidade indígena de Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil, participaram da concepção do projeto
  1. A escola foi construída em um espaço verde de 2.549 hectares em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
  2. O projeto de arquitetura vernacular em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil, ganhou o prêmio RIBA em 2018
  3. A escola abriga cerca de 800 alunos Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
  1. A ideia do projeto da escola de Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil era de ambientar a educação como um lugar de moradia
  2. Junto à comunidade indígena, arquitetos construíram uma escola-internato em Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil
  3. A crianças da comunidade indígena de Formoso do Araguaia, Tocantins, Brasil, participaram da concepção do projeto


ARQUITETURA



terça-feira, 27 de agosto de 2024

Porto / Arquitetura para saúde mental

 


Vista da cidade de Porto, Portugal
Vista da cidade de Porto, Portugal


Porto: arquitetura para saúde mental

Um olhar renovado sobre a arquitetura e arte urbana

18 MARÇO 2024, 


Após formar em arquitetura, estava atento a tudo, observando todas as formas e linhas ao meu redor. Era uma distração gostosa, mas com o tempo comecei a me sentir cansado; parecia que todo aquele encanto pela arquitetura estava se esvaindo, e todos os edifícios pareciam iguais. Estava assustado com como o estresse e a correria do dia-a-dia deixaram tudo entediante.

Felizmente, mudei para o Porto. No início, era tanta informação que tive de parar, respirar fundo e aplicar um novo olhar à arquitetura do local. Enxergo o Porto como uma cidade colorida e animada. Mesmo com o frio chegando no final do outono, a temperatura caindo e as pessoas se fechando, a alegria do verão não está mais em todos os rostos. No entanto, o fato de viver em uma cidade multicolorida ajuda no humor. Aqui, a energia é diferente!

Passeando pelas ruas e prestando bastante atenção, é muito interessante não ver um padrão. Você passa por duas ou três fachadas verdes, encontra uma azul, topa com uma parede amarela cheia de detalhes ou com outra pintada de vermelho. Essas diferenças são muito importantes para dar identidade à cidade e a cada edifício, ajudando a configurar seu caráter. Junto às cores vibrantes, vemos entalhes e adornos de todos os tipos, criando mosaicos fantásticos. Uma combinação muito alegre e descontraída e, ao mesmo tempo, elegante e clássica, formando o visual único da cidade.

Talvez, o elemento mais importante seja o famoso azulejo português. Eles são uma tela que expõe grande parte da cultura, influenciando desde monumentos políticos até igrejas. São nestes templos religiosos, na maioria católicos, que esta arte tem maior capacidade de demonstrar sua força. Conta-se que os azulejos foram trazidos por Dom Manuel I para Portugal durante o século XV, para a decoração do Palácio Nacional de Sintra. Foram trazidos do oriente com grande influência das artes dos árabes e chineses.

Um dos maiores exemplos é a Capela das Almas, o nome deriva de Nossa Senhora das Almas, presente em imagem no interior. A capela está situada na Rua Santa Catarina, uma das ruas turísticas mais conhecidas e movimentadas da cidade. Seus murais estão sempre em alta e presentes na “timeline” das redes sociais de muitos turistas. Sua fachada é muito bem adornada, mas é a arte do painel lateral que mais chama atenção. Os azulejos mostram cena da vida de duas santas: Santa Catarina de Siena e Santa Catarina de Alexandria. Engolida por edifícios de uma zona comercial, estar em uma esquina ajudou significativamente a se destacar nas fotografias.

Outro edifício, ao final da mesma rua junto à Praça da Batalha, é a Igreja de Santo Ildefonso. Em sua fachada, estão importantes mosaicos do artista Jorge Colaço (1932) representando cenas da vida do Santo. Outros pontos com mosaicos importantes são a Pérola do Bolhão, uma mercearia que tem lindos azulejos decorativos originais, a estação de São Bento e a Igreja do Carmo. Os azulejos são tão importantes culturalmente que no edifício da Casa da Música, um monumento da arquitetura moderna, tem uma sala totalmente revestida de azulejos pintados que são réplicas de mosaicos históricos da cidade. Isso mostra a importância desse elemento.

Outra maneira de ver cores e texturas são nas obras de grafite espalhadas pela cidade, também muito importantes na cultura local. Artistas como Mr. Dheo, Alexandre Farto (aka Vhils), Hazul, entre outros, ajudam a decorar a cidade com grandes murais em grafite. As obras que mais gosto são: o painel do Mr Dheo na Rua Monsenhor Fonseca Soares, próximo à rotunda da Boa Vista; a obra “Look at Porto” do Vhils na Rua Ancira; e a obra “Mira” de Daniel Eime na Rua Nova Alfandega, as duas últimas na região ribeirinha.

Além das cores, um ponto importante a se considerar é a arborização. Grande parte das ruas é repleta de árvores, oferecendo sombra e beleza aos andantes. Espécies com copas grandes camuflam a verticalidade da cidade e ajudam na escala humana, tornando os passeios mais convidativos e os pescoços não ficam apontados para o céu. Além dos túneis verdes, a cidade tem uma quantidade muito grande de espaços abertos como parques e praças que ajudam nesta ambientação. São importantes pontes de encontro, de descanso e relaxamento, ótimos para passar alguns minutos e recarregar as energias estando em contato com a natureza.

Esses são alguns atrativos que deixam seu passeio mais agradável ao andar pelas vielas e travessas desta cidade. Existem edifícios com tantos detalhes que pode-se ficar mais de uma hora tentando decifrar tudo. Somente trancado em casa para conseguir ficar triste em uma cidade multicolorida, cheia de movimentos e arte. Um passeio rápido para tomar um café ou ir até uma praça próxima para ler um livro traz ânimo para o dia. Porto é uma cidade encantadora e comprometida com o bem-estar de seus cidadãos.


Bela e antiga fachada de azulejos da Igreja Capela das Almas no Porto, Portugal
Arte de rua pelo artista Mr. Dheo em Porto, Portugal
Fachada da Igreja de Santo Ildefonso, Porto, Portugal
Arte urbana pelo artista Mr. Dheo em Porto, Portugal
Mosaicos de Jorge Colaço na fachada da Igreja de Santo Ildefonso, Porto, Portugal
Grafite do artista Mr. Dheo na Rua Monsenhor Fonseca Soares, Porto, Portugal
  1. Bela e antiga fachada de azulejos da Igreja Capela das Almas no Porto, Portugal 
  2. Arte de rua pelo artista Mr. Dheo em Porto, Portugal
  3. Fachada da Igreja de Santo Ildefonso, Porto, Portugal
  1. Arte urbana pelo artista Mr. Dheo em Porto, Portugal
  2. Mosaicos de Jorge Colaço na fachada da Igreja de Santo Ildefonso, Porto, Portugal
  3. Grafite do artista Mr. Dheo na Rua Monsenhor Fonseca Soares, Porto, Portugal


MEER



segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Rosa Kliass e o paisagismo na arquitetura

 

A arquiteta-paisagista Rosa Garena Kliass, aos 91 anos de idade, em sua casa. Foto de Marcelo Scandaroli
A arquiteta-paisagista Rosa Garena Kliass, aos 91 anos de idade, em sua casa. Foto de Marcelo Scandaroli


Rosa Kliass e o paisagismo na arquitetura

Conheça a arquiteta responsável por esverdear estados brasileiros

14 JULHO 2024, 


Há quem diga que sempre teve um propósito na profissão, que sempre soube o que queria fazer e para onde ir. Porém, existem pessoas que foram se encontrando e sendo encontradas no meio de todas as possibilidades que uma profissão pode oferecer. Essa segunda história aconteceu com a arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass. Mais popularmente conhecida como Rosa Kliass, nasceu no interior do estado de São Paulo, em uma cidade chamada São Roque, no ano de 1932. Estudou arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo, a FAU USP, formando-se em 1955. E foi no seu último ano da faculdade que Rosa descobriu o paisagismo e conheceu aquela área da profissão que era sua vocação. A entrada da disciplina de Paisagismo que tinha à frente o professor Roberto Coelho Cardoso, um americano, fez Rosa se apaixonar e entender que era aquilo que ela tinha como missão, mas que também era uma profissão muito recente no Brasil.

Na década de 1960, Rosa, que havia iniciado sua vida profissional com trabalhos focados a projetos de pequenas escalas, ampliou sua escala projetual com projetos urbanos para as áreas verdes da cidade de São Paulo e trabalhando em planos diretores de cidades no país, juntamente com o urbanista Jorge Wilheim. No final da década, Rosa foi para os Estados Unidos através de uma bolsa de estudos para conhecer as novidades da arquitetura paisagística, como projetos, escritórios, órgãos públicos, e além disso, fez contato com diversos paisagistas na vanguarda que a influenciaram em seus projetos. Essa viagem realmente fez com que Rosa Kliass tivesse grandes experiências que nortearam seus trabalhos e, de volta ao Brasil, trouxe inovações de diretrizes e planejamento de projeto paisagístico.

O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa em 1970. Seu pioneirismo revelou projetos incríveis de paisagismo na escala urbana, como parques, regeneração ambiental, avenidas e outras tipologias nos âmbitos público e privado. Rosa Kliass também ocupou cargos públicos ao longo de sua carreira, sempre se posicionando com firmeza junto a clientes e políticos e mantendo clara sua visão da intervenção paisagística como uma ação estruturante. Essa postura forte da arquiteta paisagista levou a ser chamada de “Rosa Kliass: la paisagista rebelde” em 2000, pela revista chilena El Mercurio. Isso porque a revista destacou o posicionamento de Rosa, que não aceitava um programa de projeto sem antes discutir com o cliente.

O papel de Rosa Kliass na história do paisagismo brasileiro foi fundamental. Quando se filiou à Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas (IFLA), recebeu do então secretário-geral a meta de criar uma Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas. E foi assim que Rosa, em 1976, liderou a criação da ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) e também liderou o 1º encontro nacional de ensino de paisagismo em escolas de arquitetura no Brasil em 1993, quando conseguiu que a disciplina de Arquitetura Paisagista fosse requisito obrigatório em todas as escolas de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Entre seus principais projetos estão a revitalização do Vale do Anhangabaú (1981) em São Paulo, o projeto urbano e de paisagismo da Avenida Paulista (1973) e obras em grande escala para os Estados do Amapá (Parque do Forte) e do Pará (Mangal das Garças), no início dos anos 2000.

Rosa já foi homenageada e premiada tanto no âmbito brasileiro como internacionalmente, como, por exemplo, o reconhecimento pela Universidade de Harvard, EUA, como uma das três mulheres paisagistas modernistas mais importantes das Américas. E é evidente o papel importante da arquiteta nessa área de paisagismo para um projeto. Podemos dizer que sem Rosa Kliass não haveria uma evolução tão grande da disciplina de paisagismo no Brasil.



O Viaduto do Chá foi a primeira passarela suspensa de 250 metros de distância construído na capital de São Paulo, Brasil. Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto atual do Viaduto do Chá em São Paulo, Brasil, e o paisagismo verde de Rosa Kliass conservado pela prefeitura da cidade
Viaduto do Chá, no centro histórico de São Paulo, foi inaugurado em 1982 e recebe este nome porque naquela região pés de chá preto foram plantados pelo Marechal José Arouche de Toledo e, depois, pelo Barão de Tatuí. Foto: Prefeitura de São Paulo
Vista para o Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. Rosa Kliass liderou a criação da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas
O Viaduto do Chá, que inicialmente foi construído com materiais metálicos em 1889, foi demolido anos depois e reinaugurado em 1938 com estrutura de concreto assinado pelo engenheiro francês Jules Martin. Foto: Hagop Garagem
Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa Kliass em 1970
  1. O Viaduto do Chá foi a primeira passarela suspensa de 250 metros de distância construído na capital de São Paulo, Brasil. Foto: Prefeitura de São Paulo
  2. Foto atual do Viaduto do Chá em São Paulo, Brasil, e o paisagismo verde de Rosa Kliass conservado pela prefeitura da cidade
  3. Viaduto do Chá, no centro histórico de São Paulo, foi inaugurado em 1982 e recebe este nome porque naquela região pés de chá preto foram plantados pelo Marechal José Arouche de Toledo e, depois, pelo Barão de Tatuí. Foto: Prefeitura de São Paulo
  1. Vista para o Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. Rosa Kliass liderou a criação da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas
  2. O Viaduto do Chá, que inicialmente foi construído com materiais metálicos em 1889, foi demolido anos depois e reinaugurado em 1938 com estrutura de concreto assinado pelo engenheiro francês Jules Martin. Foto: Hagop Garagem
  3. Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa Kliass em 


MEER