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domingo, 8 de fevereiro de 2026

World of Discoveries / Um museu surpreendente no Porto


Adamastor, o gigante do Cabo das Tormentas perigo pelas naus, 2014. Fotografia World of Discoveries
Adamastor, o gigante do Cabo das Tormentas perigo pelas naus, 2014. Fotografia World of Discoveries 


World of Discoveries

Um museu surpreendente no Porto

11 JUNHO 2014, 

Inaugurado com toda a pompa no dia 24 de Abril, o recém-nascido Museu conta a História dos Descobrimentos Portugueses de uma nova forma: interactiva e surpreendente! É preciso dizer que os encontros sucessivos com as personagens dos Descobrimentos, que são híper-reais, tornam a viagem por terra e mar, neste Museu, única e imprevisível. 

sábado, 25 de outubro de 2025

Museus para o futuro

 

Lanternas brancas no museu de arte digital sem fronteiras do Teamlab em Tóquio, no Japão. Em vez de serem vistos como locais estáticos, silenciosos e distantes da realidade contemporânea, os museus precisam ser compreendidos como ambientes vivos, dinâmicos e acessíveis, capazes de dialogar com os anseios e inquietações da juventude. Desde os primeiros anos da formação escolar até a juventude, a visita a um museu representa uma experiência formativa que vai muito além do simples ato de observar objetos antigos ou obras de arte. Trata-se de um encontro com o conhecimento em sua forma mais humana, sensorial e afetiva
Lanternas brancas no museu de arte digital sem fronteiras do Teamlab em Tóquio, no Japão. Em vez de serem vistos como locais estáticos, silenciosos e distantes da realidade contemporânea, os museus precisam ser compreendidos como ambientes vivos, dinâmicos e acessíveis, capazes de dialogar com os anseios e inquietações da juventude. Desde os primeiros anos da formação escolar até a juventude, a visita a um museu representa uma experiência formativa que vai muito além do simples ato de observar objetos antigos ou obras de arte. Trata-se de um encontro com o conhecimento em sua forma mais humana, sensorial e afetiva

Museus para o futuro

Incentivar as novas gerações a visitarem museus é essencial para a construção de uma sociedade mais consciente, criativa e conectada com sua história

13 JUNHO 2025, 

Em um mundo cada vez mais digitalizado, veloz e dominado pela cultura da informação instantânea, os museus ainda desempenham um papel fundamental como espaços de construção de conhecimento, preservação da memória coletiva e estímulo à sensibilidade estética. Incentivar as novas gerações a visitarem museus não é apenas uma ação cultural, mas um compromisso com o desenvolvimento de cidadãos mais conscientes, criativos e críticos. A presença dos jovens nesses espaços pode transformar não só suas próprias visões de mundo, mas também renovar o próprio significado dos museus em nossa sociedade. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Guardadores da memória / Como os museus surgiram


"Sarcófago das Musas", representando as nove Musas da mitologia grega, divindades associadas às artes e ciências. Elas eram filhas de Zeus e Mnemosine e cada uma delas era responsável por uma área específica do conhecimento humano e seus atributos. Escultura em mármore, da primeira metade do século II d.C., encontrado na Via Ostiense. Na Grécia Antiga, o termo “mouseion” (de onde deriva a palavra “museu”) era utilizado para designar um lugar dedicado às musas — divindades inspiradoras das artes e das ciências
"Sarcófago das Musas", representando as nove Musas da mitologia grega, divindades associadas às artes e ciências. Elas eram filhas de Zeus e Mnemosine e cada uma delas era responsável por uma área específica do conhecimento humano e seus atributos. Escultura em mármore, da primeira metade do século II d.C., encontrado na Via Ostiense. Na Grécia Antiga, o termo “mouseion” (de onde deriva a palavra “museu”) era utilizado para designar um lugar dedicado às musas — divindades inspiradoras das artes e das ciências


Guardadores da memória: como os museus surgiram

A história dos museus, como espaços fundamentais para a preservação do conhecimento, da arte e da cultura

13 JULHO 2025, 


Ao longo da história da humanidade, o desejo de guardar, registrar e compartilhar o conhecimento sempre esteve presente. Desde as primeiras civilizações, o ser humano procurou maneiras de conservar objetos considerados valiosos, sagrados ou simplesmente curiosos. Esses gestos iniciais de coleta e organização são, em sua essência, os embriões daquilo que hoje conhecemos como museus. Mas afinal, o que é um museu? Como ele surgiu? E qual foi seu papel ao longo do tempo?

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Londres / O abecedário da arte gratuita

Banksy

O abecedário da arte gratuita em Londres

Uma rota por museus que não cobram nada pela entrada



Uma visitante posa junto à obra 'Casa Tomada'. / ADRIAN DENNIS (AFP)
Se você estiver no verão de Londres e for amante da arte e da cultura, tem duas opções: gastar uma nota vendo as grandes exposições do momento ou buscar exibições mais modestas, porém talvez mais complexas e, acima de tudo, gratuitas.
Se dinheiro não é um problema e você gosta de se gabar sobre a grande cultura do consumo, Malevich e Mattise o esperam na Tate Modern, Virginia Woolf na National Portrait Gallery, Dennis Hooper na Royal Academy e Bill Viola na Catedral de São Paulo, para mencionar cinco possibilidades. Mas saiba que para um casal com dois filhos e a avó, esse banho de cultura custaria cerca de 1.000 reais, com descontos incluídos.
Outra opção é ir aos quatro pontos cardeais de Londres e visitar exibições que não custarão nem um centavo no Imperial War Museum, na National Gallery, na Saatchi, na Whitechapel e na Wellcome Collection. Claro, também é possível visitar gratuitamente as coleções permanentes dos grandes museus e galerias.
Nosso percurso, apenas uma possibilidade entre muitíssimas outras e não necessariamente a mais interessante ou a mais atual, poderia começar na primeira hora da manhã no Imperial War Museum, no sul de Londres, para ver as novas salas dedicadas à Primeira Guerra Mundial, coincidindo com o centenário de seu início precisamente nestes dias. Convém chegar cedo porque é possível ser surpreendido e ter que esperar várias horas para poder entrar devido às filas.
Dentro do museu podem ser encontrados todos os tipos de artefatos de guerra, desde uniformes, armas curtas e longas até facas, baionetas, algum canhão de consideráveis dimensões e muitos telões de todas as dimensões que o transportarão na penumbra até a Frente Ocidental. Como quase sempre ocorre na Europa ocidental, é uma visão da Primeira Guerra centrada nas trincheiras da Frente Ocidental. E, como não podia deixar de ser, com o denominador comum da presença britânica por todas as partes.
Mas haverá a oportunidade de sentir-se na lama do Somme, calibrar o tamanho de um tanque ou entender os detalhes da vida diária da Frente, desde o sistema de censura das cartas dos soldados às latas de comida ou também os pequenos cartões de visita distribuídos por um bordel especializado em servir as tropas britânicas, que eram atraídas com os dizeres: “Où irons-nous ce soir? Chez Madame Juliette, 7 rue Héronval, ARRAS, English Spoken”. A rua ainda existe em Arras, a 180 quilômetros ao norte de Paris e o cenário em 1917 de uma das grandes batalhas da ofensiva britânica no norte da França. O bordel, já com certeza não.
Para deixar para trás o pesadelo da guerra podemos nos dirigir a uma estação próxima, Lambeth North, e viajar com a Bakerloo Line até Charing Cross, no coração da capital. São apenas duas estações e o metrô nos deixará a um passo da National Gallery. Quando entrar, não se deixe intimidar pelos rebanhos de turistas que transitam pelos longos corredores da grande pinacoteca londrina, discutindo a gritos se vão comer em um pub ou em um restaurante. Se quiser, deixe-se seduzir pela grande exibição do momento, Making Colour. Não está entre as mais caras (os três adultos podem entrar por 23 libras, ou cerca de 87 reais, no total e os menores de 16 anos não pagam se estiverem acompanhados), mas dificilmente se encontrará ali o recolhimento que se respira na Sunley Room, onde é exibida a minúscula, mas deliciosaBuilding the Picture: Arquitetura na Pintura do Renascimento Italiano.
Ali poderá descobrir como às vezes o insignificante matiz arquitetônico dos quadros renascentistas esconde as chaves sobre o lugar, a data ou o simbolismo da cena representada. Na Anunciação com Santo Emídio(1486), Carlo Crivelli nos fornece várias pistas da época a partir da arquitetura, mas acima de tudo utiliza o edifício para dar uma visão privilegiada de Maria ao observador externo, que nem o Espírito Santo nem o resto dos personagens da tela conseguem ter. Outros autores se baseiam nos edifícios para situar uma cena no tempo. Ou pintam um edifício real para que nos localizemos geograficamente.
A segunda jornada deste percurso poderia começar em Chelsea, no oeste de Londres. Na Saatchi Gallery está sendo exibida a Pangaea: Nova Arte da África e da América Latina. A visita vale a pena ainda que só fosse pelas formigas gigantes do colombiano Rafael Gomezbarros que recebem o visitante, e que já invadiram no passado a fachada do Congresso Nacional em Bogotá ou o Altar da Pátria na Quinta Bolívar, em Santa Marta.
Se é sua primeira visita à Saatchi, não perca a 20:50, a genial instalação de Richard Wilson criada em 1987. Infelizmente, em sua localização atual, não é permitido ao público utilizar a passarela que faz parte da própria obra (“para evitar incidentes”), anulando 95% do charme da instalação. Mas, ainda assim, não perca.
Depois se dirija à Sloane Square e pegue a District Line em direção ao leste, até Aldegate East. Na porta anexa à estação encontra-se a mítica Whitechapel Gallery. Ali poderá testar seus dotes intelectuais mergulhando no mundo conceitual de Giulio Paolini, adotado por Turim, mas nascido em Genova em 1940, e sua exibição To Be or Not to Be,que leva o nome de umas de suas principais obras. Se suas montagens em plexigás ou suas fotografias com imagens justapostas não convencem, pegue novamente o metrô e viaje até o noroeste com a Hammersmith e City Line até a Euston Square. Ali, bem perto, está a Wellcome Collection, um centro que combina arte, ciência, pedagogia e atividades lúdicas, criado pela Wellcome Trust, uma organização beneficente que explora as conexões entre a medicina, a vida e a arte.
No mesmo local é possível visitar o ABC Idiossincrático da Condição Humana, uma exibição que usa cada letra do alfabeto para explorar nossa idiossincrasia. Desde o D de Deleite ao H de Hereditário, o M de Música ou o Y de Yawn (bocejo), o visitante pode expressar suas emoções, compartilhá-las com o resto do mundo, testar sua memória ou simplesmente pensar e interagir. Uma forma de encontrar a si mesmo se seu banho de arte fez com que se sentisse um pouco bobo ou duvidasse de seu lugar no mundo.


domingo, 10 de agosto de 2014

Paris / Existe vida fora do Louvre e do Pompidou

Existe vida fora do Louvre e do Pompidou

Paris oferece vários museus gratuitos e semidesconhecidos



Instalação do videoartista Douglas Gordon no Museu de Arte Moderna de Paris.
Diz um ditado que em Paris é preciso pagar até para respirar – e pagar mais quando se inala ar além da conta –, mas a pátria da exceção cultural dispõe de vários lugares gratuitos em seu rol de exposições, que não diminui durante os meses do verão. Em especial nos museus semidesconhecidos que não costumam ser incluídos nos planos das pessoas que se limitam a incluir o Louvre, o Museu de Orsay e o Centro Pompidou nos lugares a visitar na capital francesa.
Em agosto, um passeio pelo mapa cultural de Paris pode começar pelas ruas do Marais, o antigo pântano da rive droite (a margem direita do Sena) que foi um bairro judeu antes de ser homossexual e hoje ganha o aspecto de parque temático para turistas ávidos por grifes de luxo. Mas o patrimônio histórico continua imponente nas ruas que conduzem à praça des Vosges. Por exemplo, em volta do museu Carnavalet, palácio renascentista convertido pelo barão Haussman em museu de história da cidade. A visita às suas coleções é gratuita e inclui exposições como Sur les traces des premiers Parisiens (No rastro dos primeiros parisienses),com os materiais encontrados numa exploração arqueológica em 2008.
A poucas ruas de distância na direção do Sena, o espaço reservado para mostras temporárias no interior do Hôtel de Ville comemora o 70º aniversário da libertação de Paris com uma mostra dedicada aos dias que antecederam a capitulação do general Von Choltitz, que governou a cidade durante a ocupação nazista. Fotos, vídeos, cartazes e artigos rememoram esse capítulo, de importância primordial no imaginário coletivo dos franceses, cuja construção de identidade nacional ainda se pauta por esse suposto espírito rebelde que os levou a combater as forças de ocupação. Atrás da catedral de St-Paul, onde os turistas não se aventuram, o Memorial da Shoah permite conhecer outra mostra sobre o mesmo contexto, Regards sur les ghettos (Olhares sobre os guetos), com cerca de 500 imagens feitas nos bairros em que os judeus foram forçados a viver após a invasão da Polônia em 1939. O cineasta Roman Polanski, que cresceu no gueto de Cracóvia, participou da seleção das imagens.


Uma pintura de Howard Hodgkin, cuja obra Larry Gagosian expõe em Paris.
Meia hora mais tarde e depois de algumas baldeações de metrô, chegamos ao bairro de Pigalle, cujos bordéis receberam soldados americanos após a libertação. Hoje seu passado de bairro da prostituição se dilui no aburguesamento: o preço do metro quadrado subiu 25% em cinco anos. Fiel a essa nova identidade, o Museu da Vida Romântica ocupa um palacete decadente e com outros sinais do espírito do século 19. O imóvel pertenceu ao pintor Ary Scheffer e seus salões foram frequentados por Georges Sand. Durante o verão estão expostos ali cerca de 20 desenhos inéditos de artistas como Delacroix, Steuben e Cogniet. Mas a atração principal é o jardim.
Em um registro mais contemporâneo, o Museu de Arte Moderna abre suas portas para uma instalação de Douglas Gordon: uma nuvem de telas que exibem seus trabalhos em vídeo e formam parte de uma coleção permanente que inclui o mural La Fée Electricité (A fada Eletricidade), de Raoul Dufy, e as Danças de Matisse. Num programa duplo improvisado, pode-se aproveitar para conhecer o vizinho Palais Galliera, o renovado museu da moda que abriga uma mostra sobre a alta-costura dos anos 1950, a época em que Dior e Balenciaga reinavam em Paris. A entrada não é gratuita, mas quase: entre 10,50 e 21 reais.
Vale a pena lembrar de duas pequenas mostras dos últimos meses. L’art fait ventre, no semidesconhecido Museu de Montparnasse, trata da relação entre criação artística e gastronomia nas últimas décadas, desde o Eat Art de Daniel Spoerri às naturezas-mortas (e tridimensionais) de Gilles Barbier. A Fundação EDF está expondo Que la lumière soit (Faça-se a luz), com 250 trabalhos que fazem uso da luz, com nomes como Joseph Beuys, Olafur Eliasson, Chris Fraser e Ettore Sottsass.


Um vestido exposto no Palais Galliera.
As galerias complementam essa oferta de exposições gratuitas em Paris. Na Galerie des Galeries, no último andar das Galeries Lafayette, Xavier Veilhan propõe um misto curioso de música e arte. Antigo colaborador de Air e Sébastien Tellier, ele convidou selos de prestígio, como Versatile ou Record Makers, para organizar concertos numa sala criada para a ocasião. O todo-poderoso galerista Emmanuel Perrotin prefere expor Laurent Grasso, outro nome pujante com vínculos musicais: ele acaba de colaborar com Pharrell Williams, criando a capa de um de seus singles. A poucos metros de distância, a galerista Nathalie Obadia vai expor a partir de setembro o trabalho de outra francesa em ascensão: Laure Provost, agraciada com o Prêmio Turner mais recente. E o todo-poderoso Larry Gagosian apresenta uma mostra com a nova pintura do britânico Howard Hodgkin.
As macrogalerias abertas por Thaddaeus Ropac e Larry Gagosian na periferia norte de Paris estão fechadas até setembro, mas a banlieuetem outro lugar imprescindível: o jovem museu Mac/Val, em Ivry-sur-Seine, com uma exposição permanente de arte contemporânea francesa, desde François Morellet e Daniel Buren até os nomes que vão marcar o futuro. A entrada custa entre 7,50 e 15 reais. Numa gama de preços semelhantes estão a retrospectiva do fotógrafo Lewis Baltz no Le Bal (entre 12 e 15 reais) e a exposição sobre Emmet Gowin no precioso edifício em estilo Art Nouveau da Fundação Cartier-Bresson (entre 12 e 21 reais).