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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Vinícius de Moraes / Soneto a Katherine Mansfield

Katherine Mansfield


Vinícius de Moraes
Soneto a Katherine Mansfield





O teu perfume, amada — em tuas cartas
Renasce, azul... — são tuas mãos sentidas!
Relembro-as brancas, leves, fenecidas
Pendendo ao longo de corolas fartas.

Relembro-as, vou... nas terras percorridas
Torno a aspirá-lo, aqui e ali desperto
Paro; e tão perto sinto-te, tão perto
Como se numa foram duas vidas.

Pranto, tão pouca dor! tanto quisera
Tanto rever-te, tanto!... e a primavera
Vem já tão próxima! ...(Nunca te apartas

Primavera, dos sonhos e das preces!)
E no perfume preso em tuas cartas
À primavera surges e esvaneces.


Vinicius de Moraes

Poesia Completa e Prosa
Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 250





sábado, 20 de junho de 2015

Vinícius de Moraes / O nosso poetinha

Vinícius de Moraes
Vinicius de Moraes, o nosso poetinha

por Carolina Borges  

Chamar Vinicius de Moraes de poetinha, ao contrário do que possa parecer aos desavisados, não é de forma alguma com a intenção de diminuí-lo ou menosprezar sua obra. Ele é o poetinha porque nunca quis ser Poeta, aquele que está acima de todos, vendo a vida com a sabedoria que lhe cabe. Vinicius não era assim, simplesmente foi o poetinha, que estava ali, nos bares da zona sul carioca, nas casas mais festivas da cidade (incluindo a dele), uma pessoa simples, que além da já famosa paixão pelas mulheres, tinha uma incansável paixão pela beleza da vida.
Vieram desse escritor apaixonado poemas que se tornaram ícones da nossa arte literária como O Haver, Soneto de Separação e o Soneto de Fidelidade (dos famosos versos “Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”).Poderíamos citar inúmeros poemas, abertamente inspiradas no amor e em suas experiências com esse sentimento, mas ainda é preciso mencionar sua produção em prosa, que engloba textos para jornal (inclusive críticas de cinema) e peças de teatro, sendo a mais famosa Orfeu da Conceição, um adaptação da tragédia grega para a realidade de um morro carioca.
Isso tudo sem nem ter comentado sua produção musical. Ele assina uma das músicas mais emblemáticas da cultura brasileira: Garota de Ipanema (em parceria com Tom Jobim) recentemente entoada por um coro de 100 mil pessoas no Rock in Rio – é a concretização do sonho de Vinicius, ver sua música cheia de poesia ser popular, estar no coração das pessoas, embalar os namorados e divertir os amigos. Apesar de uma formação acadêmica rígida e tradicional, Vinicius sempre viu na simplicidade a beleza mais pura. Outras letras famosas traduzem sua música simples, nunca simplória, comoSamba da Benção, Canto de Ossanha e a clássica Chega de Saudade. Listar toda a produção de Vinicius é façanha quase impossível e exigiria mais que uma tese de doutorado.
No entanto, a vida desse gênio nem sempre foi bela e divertida: a boemia, que tanto contribuíra para a sua produção artística, foi usada de justificativa para afastá-lo do cargo de diplomata (sim, ele também era diplomata). Apesar de ser conhecido por sua responsabilidade (nunca havia chegado atrasado, por exemplo), quando a ditadura militar no Brasil instituiu o AI-5, o servidor Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes foi aposentado.  O governo alegava que sua conduta não era compatível com um diplomata. Nosso poetinha só foi anistiado em 1998, e em 2006 foi oficialmente reintegrado na carreira diplomática. A Câmara dos Deputados aprovou em fevereiro de 2010 a promoção póstuma ao cargo de “ministro de primeira classe” do Ministério dos Negócios Estrangeiros – o equivalente a embaixador, o cargo mais alto da carreira diplomática, uma homenagem mais que merecida a quem serviu o Brasil da melhor forma possível: fazendo e exportando arte.
No documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr, vemos o depoimento de vários amigos e parceiros de trabalho, afinal, para Vinicius a vida era uma festa cheia de amigos e não havia “contato profissional”, ele só fazia parceria com quem considerava ser seu amigo. Todos são unânimes em afirmar que não existia pessoa mais animada, raro é encontrar imagens que mostrem o compositor, cantor e poeta sozinho e pensativo, naquela imagem quase oficial dos poetas. A imagem dele era outra: numa mão o copo de uísque, na outra, o cigarro e um sorriso bem grande para arrematar. Mas, infelizmente, essa imagem compunha um falso personagem: num olhar mais atento é possível notar que, aos poucos, o ânimo de Vinicius foi se esvaindo, ele começou a negar a velhice latente e a se relacionar com pessoas cada vez mais jovens (incluindo seus casamentos que têm a média de idade cada vez menor).
A companhia constante da bebida começou a preocupar os amigos, o alcoolismo batia à porta sem que se percebesse, talvez fosse uma fuga para a real situação em que Vinicius sempre se encontrou: a solidão. Ele era amigo de todos, de estrelas de Hollywood a garçons de Ipanema, mas tinha sempre uma melancolia no olhar, uma tristeza sutil que só é possível de ser percebida quando ele era observado sem notar. Afinal, o amor só é bom se doer, e gênio feliz demais não é gênio, é só mais um escritor. Vinicius morreu num de seus lugares preferidos: a banheira. Era lá que ele apoiava sua máquina de escrever e tinha o sossego necessário para escrever sua poesia que nos encantará eternamente. Na ocasião, ele preparava com o amigo Toquinho a peça A Arca de Noé, um espetáculo infantil.
Dentre a produção literária de Vinicius de Moraes, destaca-se o seu primeiro livro O caminho para a distância (1933), que surpreendeu os críticos apesar dos 19 anos de idade de Vinicius; o livro de prosa/poesia Para viver um grande amor (1962); e o Livro de sonetos (1967), reunião de sonetos escritos ao longo de 30 anos pelo poeta.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Vinícius de Moraes / Soneto de maior amor


Foto de Flor Garduño
Vinícius de Moraes
SONETO DE MAIOR AMOR

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo
.



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vinícius de Moraes / Você


Marilyn
Hollywood boulevar, Los Angeles, 2013
Foto de Triunfo Arciniegas
Vinícius de Moraes 
Você
"Até parece que eu conhecia sempre você, que me aparece quando eu não via jeito de ser."


terça-feira, 6 de agosto de 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Vinícius de Moraes / A flor da noite




Vinícius de Moraes
Lea la biografía de Vinícius de Moraes aquí
A FLOR DA NOITE


Autores
Vinícius de Moraes
Intérprete
Baden Powell de Aquino
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes & Toquinho
Voz
Vinícius de Moraes
Autores e Intérpretes
Antônio Carlos Jobim
Vinícius de Moraes
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Voz
Maria Creusa
Autores
Carlos Eduardo Lyra Barbosa
Vinícius de Moraes
Voz
Vinícius de Moraes & Miúcha Buarque
Autores
Edu Lobo
[Eduardo de Góes Lobo]
Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, RJ., Brasil, 19 de octubre de 1913
† Rio de Janeiro, RJ., Brasil, 9 de julio de 1980
Voz
Margot Britto
Autores e Intérpretes
Antônio Carlos Jobim
[Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim]
Vinícius de Moraes
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Carlinhos Vergueiro
Antonio Carlos Jobim
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Autor
Vinícius de Moraes
Voces
Antônio Carlos Jobim
Miúcha Buarque
[Heloísa Maria Buarque de Hollanda]
Autores e Intérpretes
Antônio Carlos Jobim
[Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim]
Vinícius de Moraes
Autores
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Voz
Odette Lara
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Voz
Toquinho
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Voz
Odette Lara
Autores
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Voz
Vinícius de Moraes
[Samba do Veloso]
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Autores
Edu Lobo
[Eduardo de Góes Lobo]
Vinícius de Moraes
Voz
Nadinho da Ilha
[Aguinaldo Caldeira]
Autor
Vinícius de Moraes
Voz
Marília Medalha
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Ary Barroso
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Voz
María Creuza
Antonio Pecci
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Sérgio Endrigo
Antonio Carlos Jobim
Autores e Intérpretes
Antônio Carlos Jobim
[Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim]
Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, RJ., Brasil, 19 de octubre de 1913
Autores
Edu Lobo
[Eduardo de Góes Lobo]
Vinícius de Moraes
Voz
Marília Medalha

Autores
Edu Lobo
[Eduardo de Góes Lobo]
Vinícius de Moraes
Voz
Walmor Chagas
Autores
Edu Lobo
[Eduardo de Góes Lobo]
Vinícius de Moraes
Voz
Ronaldo Resedá
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Autores e Intérprete
Vinícius de Moraes
Antonio Pecci
[Toquinho]
Antonio Carlos Jobim
Autores e Intérpretes
Vinícius de Moraes
Baden Powell de Aquino
Autores
Antônio Carlos Jobim
[Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim]
Vinícius de Moraes
Voz
Tom Jobim, Vinicius de Moraes y Roberto Paiva
Autores
Antônio Carlos Jobim
[Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim]
Vinícius de Moraes
Voz
Tom Jobim, Vinicius de Moraes y Roberto Paiva