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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O príncipe solitário

O príncipe solitário

O príncipe Harry completa trinta anos no dia 15 e recebe o patrimônio deixado por sua mãe

Odeia a imprensa, o Twitter e não poder passar despercebido. Culpa a fama por sua imagem de rebelde e a dificuldade de encontrar alguém




O príncipe Harry, durante uma viagem oficial ao Chile.
O príncipe Harry, durante uma viagem oficial ao Chile. REUTERS

Parece que foi ontem que aquele menino, que se destacava justamente por ser apenas um menino, caminhava entre o pai e o tio, junto ao avô e ao irmão, no funeral de sua mãe, a princesa Diana. O príncipe Harry, que naquele 6 de setembro de 1997 estava prestes a completar 12 anos, fará 30 no próximo dia 15. Harry, que tem a fama de ser a alma da festa e que sempre se destacou por seu caráter extrovertido e alegre, em contraste com a timidez e o olhar um tanto esquivo de seu irmão William, chega aos trinta mais solitário do que gostaria. O rótulo que o apresenta como um dos solteiros mais cobiçados do país não o ajudou a encontrar uma mulher ao lado da qual poderia se aquietar e constituir família. Não que não queira: ele próprio lamentou a dificuldade de encontrar uma mulher disposta a suportar o escrutínio ao qual a mídia submete o núcleo duro da realeza britânica.
Após os rompimentos com Chelsie Davy em 2010 e com Cressida Bonas em abril do ano passado, os tambores voltaram a soar com força há uns dois meses. Desta vez, a candidata é Camilla Thurlow, uma escocesa de 25 anos com quem ele passou alguns dias no iate do amigo Beb Goldsmith em Saint Tropez neste verão e com quem, dizem, teria mais do que uma boa amizade. Não que o príncipe seja um solteirão, é claro, mas o tempo passa.
Os amigos se casam, mudam de vida e ele parece começar a sentir o peso da solidão em Nottingham Cottage, sua casa em Kensington. Ali se instalaram William e Kate enquanto arrumavam seu apartamento de 22 quartos, a poucos metros de distância, no palácio de Kensington. Harry sempre foi muito próximo a William, que, além de irmão, também era seu companheiro de farra. Mas William se casou e já é pai de um menino, o príncipe George. E, acima de tudo, é o segundo na linha de sucessão à coroa e deve se preparar para ser rei.
A relação entre os dois irmãos está perdendo a frivolidade que tinha quando eram mais jovens. William e Kate passam mais tempo em Norfolk, onde ele trabalha pilotando um helicóptero de resgate. Kate, com a ajuda de sua irmã Pippa, preparou para seu cunhado uma festa de aniversário. Uma festa íntima, com 30 amigos muito próximos, segundo a imprensa londrina. Ali estarão seus pratos favoritos: bife Wellington, torta de peixe e Eton mess, um bolo a base de pão-de-ló, merengue e morangos. O presente que a rainha estaria preparando, diz a imprensa, não cabe nessa festa: uma cottage, casa de campo onde Harry poderá criar o labrador que também deve ganhar de aniversário. Mas Harry receberá algo mais: a herança deixada por sua mãe. Concretamente, 10 milhões de libras (36 milhões de reais) mais juros acumulados desde a morte de Diana, que estarão a sua disposição assim que completar 30 anos. É a mesma quantia deixada para William, algo que causou alguma surpresa porque o irmão mais velho será o príncipe de Gales quando seu pai chegar ao trono. E com o principado vêm os benefícios do ducado da Cornualha, cerca de 24 milhões de euros (72 milhões de reais) por ano. Talvez por isso Harry também fique com o vestido usado por Diana no dia do casamento com Charles, em 1981. A princesa Diana deixou estipulado que o vestido ficaria aos cuidados de seu irmão, o conde Spencer, até que Harry completasse 30 anos. Desenhado por David e Elizabeth Emanuel, o vestido deu a volta do mundo como parte da exposição itinerante Diana: a celebration.
A posição de Harry começa a lembrar sua tia-avó, a princesa Margaret. Como a irmã de Elizabeth II, só um acúmulo de desgraças poderia tornar Harry o rei da Inglaterra, mas como número quatro que é na linha de sucessão, está perto demais do trono para levar a vida de “cara normal” com que ele sonha.
Nunca teve uma vida normal. Primeiro, foi o menino que desfilava no cortejo fúnebre de sua mãe aos olhos do mundo inteiro; depois, o adolescente rebelde, que no verão de 2001, foi flagrado fumando maconha e bebendo álcool no porão de Highgrove, a casa de campo onde seu pai vivia tranquilamente com Camilla Parker Bowles, antes de se casar com ela; em seguida, o desmiolado que apareceu fantasiado de nazista e acabou na capa do tabloide The Sun em janeiro de 2005; mais tarde, o soldado em licença fotografado nu em uma festa em Las Vegas em 2012.


O filho mais novo de Diana recebe 10 milhões de libras de herança, mais o vestido de casamento de Lady Di

Paralelamente a esse Harry infantil e inconsequente está esse outro Harry maduro e responsável que serviu duas vezes no Iraque; o herdeiro da sensibilidade de Diana pelo desenvolvimento da África; o jovem ao mesmo tempo divertido e profissional que conseguiu representar sua avó, a rainha, tanto na Jamaica, como na Estônia, no Chile ou no Brasil; o homem capaz de realizar os Jogos Invictus para os soldados mutilados de guerra, inspirado nos organizados pelos Estados Unidos desde 2010, que acontecem este mês nas instalações do Parque Olímpico Rainha Elizabeth II, em Londres.
Qual deles é o verdadeiro Harry? O infantil, o rebelde, o desmiolado, o inconsequente? Ou o maduro, responsável, profissional e divertido ao mesmo tempo? Sem dúvida, todos esses continuam cabendo em sua personalidade contraditória. O que ele realmente precisa talvez seja encontrar de uma vez o amor de sua vida e afastar-se o quanto antes do fantasma de Margaret, a filha mais nova do rei George VI. Os amores difíceis e seu caso com um homem 17 anos mais novo atrapalharam a vida de Margaret que, em 1978, foi a primeira integrante da família real britânica a se divorciar depois de Victoria de Edimburgo, em 1901. A bela Margaret foi assumindo cada vez mais o papel da princesa infeliz até morrer em 2002, aos 72 anos, ainda relativamente jovem para uma família de mulheres longevas.
Os tempos mudaram e a vida romântica dos Windsor é menos marcada pelos preconceitos que levaram à abdicação de Edward VIII ou que impediram o príncipe Charles de se casar em primeiras núpcias com aquela que sempre foi o amor de sua vida, Camilla, porque ela era mais velha que ele e tinha perdido a virgindade quando se conheceram. Mas o declínio do preconceito coincidiu com o aumento do assédio da mídia, um fenômeno ao qual os príncipes William e Harry continuam atribuindo a morte de sua mãe em 1997, quando o carro em que viajavam Diana e seu namorado Dodi al Fayed capotou no túnel D’Alma, em Paris, enquanto tentavam fugir dos fotógrafos.
Harry odeia a imprensa, odeia o Twitter, odeia ser reconhecido na rua e não poder passar despercebido. Esses incômodos parecem afetar também a sua capacidade de encontrar uma mulher com quem compartilhar sua vida. O amor com Cressida evaporou quando surgiu o fantasma do casamento e de uma vida submetida às regras do palácio. Talvez com Camilla Thurlow possa ser diferente. Se é verdade que há algo entre eles.
EL PAÍS




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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

20 anos da morte de Lady Di / As últimas horas com Diana

Diana, 1983
Foto de Tim Graham


20 ANOS DA MORTE DE LADY DI

As últimas horas com Diana

Sami Naïr, uma das últimas pessoas a ver a Lady Di viva, recorda a noite que mudou a monarquia britânica




MARC BASSETS
Paris 31 AGO 2017 - 10:45 COT

“Toquei seu rosto. Tinha cara de anjo. E pensei: o anjo da morte. Lindíssima”, recorda uma das últimas pessoas que viram a princesa Diana com vida.
Ela acaba de chegar em condições críticas ao hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, numa ambulância, após sofrer um acidente violentíssimo no túnel da Ponte d’Alma. Tinha 36 anos. Ele era um intelectual de 51 temporariamente envolvido na política e, naquela noite de verão, o mais alto funcionário do Ministério do Interior francês. Em 31 de agosto de 1997, ele estava de plantão quando recebeu um telefonema: tinha havido um acidente, e parecia que uma personalidade estava entre as vítimas.

Sami Naïr manteve silêncio durante anos sobre aquela noite. Seu cargo na época, colaborador do ministro do Interior, Jean-Pierre Chevènement, exigia que fosse discreto sobre aquelas breves horas que motivaram uma gama aloucada de teorias da conspiração. Não era um episódio muito conhecido na trajetória desse ensaísta e colaborador do EL PAÍS.
Mas seu nome aparece em muitos dos relatos sobre as últimas horas de Lady Di. Um turbilhão de nervos, álcool e confusão que terminou com os paparazzi perseguindo o carro em que a princesa de Gales viajava com seu amante, Dodi al-Fayed, um guarda-costas e o motorista, que tinha bebido além da conta. E ele não se esqueceu daquelas horas, em que lhe coube a responsabilidade de dar a resposta do Estado francês a uma crise imprevista e cujos efeitos perduram até hoje.
Em 1981, Diana Spencer, filha de uma velha família aristocrática inglesa, casara-se com o príncipe Charles, herdeiro da Coroa britânica. Ela tinha 20 anos; ele, 32. Foi um casamento infeliz desde o princípio, mas, como escreve sua biógrafa Tina Brown no livro The Diana Chronicles (As Crônicas de Diana), o “foram felizes para sempre” nunca será tão “atraente” quanto o “e tudo deu errado”. Nem para a imprensa, nem para o público em geral. Porque a história da princesa de Gales foi, desde o primeiro minuto, um reality show.
Os protagonistas eram, de um lado, um herdeiro com ares de superioridade e seu clã excessivamente formal, incômodos com os meios de comunicação e a chamada cultura das celebridades, encastelados em tradições e maneiras arcaicas. Do outro, uma mulher que aprendeu muito rápido a lidar com a imprensa, uma mulher pouca formada e que se considerava pouco inteligente, mas que esbanjava inteligência emocional, capacidade de empatia e conexão. Era a “rainha dos corações” e a “princesa do povo”, como a chamou o hábil primeiro-ministro Tony Blair após sua morte.
O casamento fulgurante, de conto de fadas; a posterior degradação da relação; a roupa suja lavada em público; a separação e o divórcio... Na era anterior ao Twitter, ao Instagram e às redes sociais, os tabloides cobriram tudo aquilo, minuto a minuto, dia a dia, durante 16 anos, até a morte trágica, a fria reação da Rainha, o luto de milhões de britânicos e a canonização oficiosa da princesa.
“[Isso] demonstrou que a família real, como instituição, estava desconectada de sua época”, recorda o político trabalhista Denis MacShane, então parlamentar vinculado ao Foreign Office. “Houve uma expressão de dor nunca vista na Inglaterra: não somos um povo emocional”, afirma. “Era algo que parecia tirado da Idade Média. Milhares e milhares de pessoas chorando. Lembro que telefonei para o secretário privado da Rainha e lhe disse: ‘Olha, se ela não vier [Elizabeth IIestava de férias no Castelo de Balmoral, na Escócia] e se a bandeira real não for hasteada a meio mastro, dentro de uma semana teremos uma república.’”
Sami Naïr nunca tinha visto uma foto de Diana quando foi avisado de que algo havia acontecido num túnel perto do rio Sena e que a personalidade envolvida poderia ser a princesa de Gales. Os assuntos da realeza nunca haviam lhe interessado. Despertou Philippe Masoni, chefe da Polícia de Paris. Dez minutos depois, este ligou de volta com a informação confirmada: “É Diana.”
Naïr telefonou para o ministro, que não estava na capital francesa. Naquele momento, Diana, ainda com vida, continuava presa no Mercedes do acidente. Havia dois mortos: Dodi al-Fayed, filho do magnata egípcio Mohammed al-Fayed, e o motorista, Henri Paul. Diana e o guarda-costas do amante, Trevor Rees-Jones, quarto ocupante do veículo, tinham sobrevivido.
Naïr foi até o hospital. A ambulância que transportava Diana levaria quase 45 minutos para chegar. Em frente ao hospital, ele e Chevènement a esperavam. A ambulância chegou entre 1h30 e 1h45 (hora local). Ambos, junto com o chofer e um enfermeiro, a retiraram.
“Ela tinha um rosto angelical”, recorda Naïr pelo telefone. “Muito pálida. Loira.” Eram mais ou menos duas da madrugada, e pouquíssimas pessoas sabiam do acidente. O embaixador britânico, Sir Michael Jay, que não falava uma palavra de francês, também havia chegado ao hospital. O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, foi informado mais tarde. Uma pessoa, o presidente Jacques Chirac, esteve com paradeiro desconhecido durante aquela noite e a manhã seguinte, em outra trama da tragédia de Lady Di. A equipe de Jospin tentou falar com ele várias vezes, sem sucesso. “Nunca conseguimos entrar em contato com o chefe de Estado”, escreve Aquilino Morelle, então assessor de Jospin, no livro L'abdication (A Abdicação). Algumas versões afirmam que passou a noite com uma mulher fora do Palácio do Eliseu.
Enquanto os médicos faziam o possível para salvar a vida da princesa, eles esperavam no quarto ao lado. Às 4h, souberam que ela não resistira.
“O embaixador começou a chorar, chorar, chorar, como uma criança”, diz Sami Naïr. “Ligamos para Jospin, e ele nos pediu que avisássemos a Rainha.”
Naïr se comunicou com o chefe de protocolo da monarca. Tony Blair já estava informado, assim como o presidente dos EUA, Bill Clinton, que telefonara para Jospin inclusive antes da morte de Diana. Eram 4h30 da manhã. O pai de Dodi não demorou a chegar, direto do aeroporto de Le Bourget. Naïr foi o encarregado de recebê-lo. “Vi um homem muito alto, pálido, mas com um porte, uma nobreza, extraordinário. Ele dizia: ‘É o destino, Deus quis isso.’ Perguntou se podia visitá-la. O ministro aceitou. Foi vê-la. Pôs a mão sobre sua testa.”
Naïr preparou com Chevènement o comunicado à imprensa – que ele ainda conserva, assim como outros documentos daquela noite – e continuou no hospital até a chegada do príncipe Charles, ex-marido de Diana.
A morte da princesa tinha deixado de ser um assunto francês. Já era britânico, global. Nas horas seguintes, começariam as manifestações de dor no Reino Unido, uma semana de catarse que provavelmente transformou a monarquia britânica para sempre.
“A morte de Diana foi um sinal de alerta para a realeza: deveria estar mais perto do povo”, diz MacShane. “Fazia parte de um caminho extraordinário no Reino Unido, que provavelmente tenha começado com a chegada ao poder de Margaret Thatcher, com os anos oitenta. O Reino Unido de Dunquerque, do Império, de Winston Churchill, dos comportamentos convencionais, onde os gays eram mandados para a prisão, este Reino Unido morreu muito rápido. Londres se transformou numa cidade mais internacional, mais moderna, mais alegre e mais gay. Passamos do Reino Unido industrial ao financeiro, com enormes diferenças entre ricos e pobres, um país comprometido com a construção europeia, e com um primeiro-ministro trabalhista jovem [Tony Blair] que quase incorporou o mito de Diana em sua própria ideia de país.” Diana, e sua morte, captaram o espírito dos tempos, cuja outra cara, segundo esta leitura, é o Reino Unido ensimesmado do Brexit.
Sami Naïr, que horas antes praticamente nem sabia quem era Diana, compreendeu a dimensão do que acabava de viver. “Imediatamente percebi o alcance do que havia ocorrido. Minha primeira reação foi ficar calado: evitar os jornalistas. Me ofereceram depois muito direito para falar, os norte-americanos sobretudo, mas nunca aceitei”, diz. “Um dia”, sorri, “escreverei um livro com o título Minha Noite com Lady Di.”


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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Princesa do Povo / 20 anos depois de Diana





20 anos depois de Diana

Os eventos que vão marcar os 20 anos da morte da Princesa Diana.


Por Ângela Mata, 17.01.2017
Este ano fazem precisamente 20 anos desde a morte da Princesa Diana e por isso estão já previstos uma série de eventos e acontecimentos que irão marcar a data. Diana morreu a 31 de agosto de 1997, num acidente de carro em Paris, deixando os filhos William e Harry com, respetivamente 15 e 12 anos de idade.
No Reino Unido vai mesmo passar a haver um feriado em março, como forma de celebrar exatamente aquilo que fez dela uma mulher tão amada no mundo inteiro e que lhe deu o título de ‘Princesa do Povo’. De acordo com o jornal inglês Daily Express, este feriado terá o nome de National Kindness Day.
A organização The Diana Award, criada em 1999, irá também celebrar a vida e obra da princesa com variadíssimos eventos ao longo do ano. Uma das novidades será o Legacy Award, um prémio internacional que servirá para distinguir 20 jovens de sucesso que tenham sido responsáveis por alguma mudança social positiva. Esta cerimónia deverá acontecer em maio. 




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