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domingo, 5 de janeiro de 2020

Drácula ganha sangue novo, agora em série / O que se sabe sobre o vampiro


Drácula ganha sangue novo, agora em série; o que se sabe sobre o vampiro

A estreia de produção na Netflix sobre o conde da Transilvânia acompanha a avalanche de livros e filmes em torno do mito dos imortais


Jacinto Antón
4 Janeiro 2020

“Bem-vindo à minha casa! Faça o favor de entrar! Entre..., entre sem temor.” Bastam as palavras enganosamente gentis do conde Drácula a seu cândido convidado Jonathan Harker, no portão de seu castelo nos Cárpatos, para entrarmos, entre um rangido de correntes e ferrolhos e uma súbita corrente de ar gelado e pútrido, no tenebroso mito do vampiro e no universo de seu monarca indiscutível, o velho aristocrata da Transilvânia. Depois de 123 anos (o livro Drácula, de Bram Stoker, foi publicado em maio de 1897), o rei dos sugadores de sangue goza de excelente saúde, como todo o mito universal em que se imbrica, um mito que remonta ao alvorecer da civilização e que se revelou tão imortal quanto as criaturas que o compõem. Envoltos em camadas de papel e celuloide ou em mortalhas digitais, os vampiros voltam e voltam de suas tumbas imemoriais para continuar nos surpreendendo, aterrorizando e ocasionalmente divertindo, enquanto levantam um espelho no qual eles não se refletem, é claro, mas nós mesmos.

Gary Oldman
Bram Stokers's Dracula
Coppola


O poder do vampiro continua incólume neste amanhecer dos anos 20 do século XXI, como demonstram suas contínuas metamorfoses e uma corrente —impossível não qualificá-la de sanguínea— de novas criações e estudos em torno do mito. Quando —já faz 40 anos!— do romance Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice (Rocco, 1977), que trouxe tantas mudanças (agora se fala de uma série de televisão sobre os 15 livros de suas Crônicas Vampirescas completas, com ela mesma como produtora), 28 anos do Drácula de Coppola, seis de Crepúsculo e cinco de True Blood, parece que estamos em outra big vamtire Renaissance.

Neste sábado acontece a estreia da minissérie Drácula, da BBC, na Netflix, adaptação aparentemente rigorosa do clássico, inclusive com a irmã Aghata (a freira que cuida de Harker em Budapeste), pelos criadores da série Sherlock Holmes e com o dinamarquês Claes Bang no mordedor rôle titre; também estão em andamento uma nova Buffy Caça-vampiros, desta vez com uma atriz afro-americana, e um filme com Jared Leto que levará à tela grande o vampiro super-herói da Marvel Comics, Morbius.

Claes Bang


Tivemos revisitações do mito muito estimulantes, como Deixa Ela Entrar —o romance, publicado no Brasil pela Globo Livros, de John Ajvide Lindqvist, e o comovente filme de Tomas Alfredson, com seu remake norte-americano—, Byzantium, de Neil Jordan, a história da vampira iraniana pós-punk de Garota Sombria Caminha pela Noite e Daybreakers, com Ethan Hawke e Williem Dafoe. Embora provavelmente o destaque mais recente seja o hilariante e escandaloso O que Fazemos nas Sombras, filme em forma de reality show sobre três vampiros decadentes do século XVIII que dividem um apartamento em uma localidade da Nova Zelândia e que são seguidos em seu dia a dia (bem, noite a noite) por uma suposta equipe de documentário de televisão —inesquecível a cena em que os vampiros não podem entrar em uma boate porque o porteiro não os convida a entrar. O filme, com muita carga canônica, apesar de sua iconoclastia, teve no ano passado um remake em formato de série de televisão com dez episódios e ambientado em Nova York, com a inclusão de uma vampira por razões de igualdade de gênero no além-túmulo.

Claes Bang


Certamente, lâmias, íncubos e súcubos, revenants, nachzehrers, vrykolakas, nosferatu e outros parentes à parte, nossa configuração do vampiro tem como grande referência o Drácula, o big daddy dos mortos-vivos. Provavelmente sobre ninguém se escreveu tanto quanto sobre Drácula, com exceção de Jesus Cristo e do general Custer, e parecia —equivocadamente— que tudo havia sido dito sobre o personagem e sua criação. Os próprios H. P. Lovecraft e Stephen King escreveram sobre o conde. O primeiro não tinha em grande estima o romance nem Stoker (viu o manuscrito original e lhe pareceu “desleixado”), possivelmente porque não havia nenhuma divindade polpuda e inominável. O segundo, por outro lado, é fã de ambos e, além de realizar a melhor reescrita moderna de Drácula (A Hora do Vampiro, 1975, aquele que assina este texto tem uma edição com dedicatória), consagrou-lhe páginas esclarecedoras em Dança Macabra (Suma de Letras, 2013). No livro, King enfatiza como Drácula transborda de energia sexual e aponta, sem rodeios ou falso pudor, coisas como que o episódio do sonho úmido em que Harker se encontra com as três voluptuosas vampiras inclui uma descrição muito clara de uma felação e que por seu lado Lucy Westenra no encontro com o próprio conde “está gozando de prazer”. Mais judiciosamente, e não tão explicitamente, Lacan se referiu à aura de angústia do vampiro em relação à pulsão oral, o que remeteria ao esgotamento do seio materno...

Mas, falávamos, nem tudo está dito. E são muitíssimas as novidades e esclarecimentos trazidos por novos ensaios estimulantes, começando com História de Drácula (Arpa, 2019), do britânico Clive Leatherdale, especialista mundialmente reconhecido no assunto. Leatherdale defende o romance, que disseca minuciosamente, diante dos filmes, a maioria dos quais, denuncia, deturpou a obra original. Uma das afirmações feitas pelo autor, e que surpreenderá muita gente, é que, apesar do que Coppola conta em seu Drácula e toda uma corrente bibliográfica, a contribuição da figura histórica de Vlad Tepes, o Empalador, para o romance foi mínima e Stoker provavelmente mal tinha ouvido falar dele. O nome de Vlad não aparece no romance e o voivoda real foi acusado de muitas coisas atrozes, certamente, mas não de vampirismo.

Claes Bang

Leatherdale concorda com Stephen King (e com qualquer um que ler com atenção) que Drácula está carregado de grande imaginação sexual: aponta que basta substituir o coito pelos beijos vampíricos e o sêmen pelo sangue e você já tem quase o pornô gótico. O estudioso percorre as tradições vampíricas que convergem e culminam no romance oferecendo dados tão interessantes como que sábado é o melhor dia para caçar vampiros (anote isto), que a transfixação (vulgarmente conhecida como estacada) deve ser feita no primeiro golpe ou que, além da cruz e do alho, na Valáquia era eficaz contra os mortos-vivos esfregar as mãos com a gordura de um porco sacrificado no dia de Santo Inácio. O conde Drácula, diz, é o resultado da justaposição do vampiro do folclore com o vampiro literário: daí resulta essa curiosa mistura da pobre criatura malcheirosa e faminta (tão bem sintetizada na cena de Coppola na qual Gary Oldman lambe a navalha com que Harker se cortou ao se barbear) e o gótico aristocrata maldito e romântico da estirpe de Byron, via Polidori.

Drácula, certamente, no romance é imune à luz solar, embora esta diminua seu poder (para um excelente resumo canônico dos poderes, limitações e da história do vampiro, veja Drácula, a entrada do diário de Mina de 30 de setembro em que recolhe os ensinamentos de Van Helsing sobre o assunto). Leatherdale especula que sua morte no final (esperemos que ninguém nos acuse de fazer spoiler) não tem nenhuma pinta de ser definitiva e que talvez Stoker, adiantando-se, entre outros, aos filmes da produtora inglesa Hammer e seu sobrinho-bisneto Dacre Stoker, pensava em uma continuação. O dublinense Stoker (1847-1912) é um tipo que quanto mais você o conhece, mais fascinante ele é. Sabia que ele passou sete anos como uma criança prostrada sem poder andar, sofrendo do que parece ter sido uma paralisia histérica? (foi sugerido que foi por ter visto a mãe menstruar: um grande trauma para um vitoriano). Portanto, não é incomum que tenha escrito Drácula. O fato de Drácula ser ambientado na época vitoriana, a dele, faz com que não percebamos que na verdade o autor levou seu vampiro das lendas ao mundo moderno, e o quanto isso chocou e surpreendeu seus contemporâneos. De alguma forma Stoker fez com o material vampírico tradicional o que mais tarde Stephen King fez com seu Drácula, ao transportá-lo em A Hora do Vampiro para uma localidade atual dos Estados Unidos.

Gary Oldman
Bram Stoker's Dracula (Coppola)

Drácula iria se chamar “conde Wampyr” e seria da Estíria (o que é habitual para um vampiro comme il faut), como sabemos pelas notas preparatórias encontradas em 1970 e pelo romance que o autor entregou a seus editores, O Morto-vivo. A decisão final de intitulá-lo Drácula, que ignoramos ter sido de Stoker ou de outra pessoa, foi realmente inspiradora. Embora realmente inspiradora, observa Leatherdale, seja a cena em que o grupo de homens entusiastas caçadores de vampiros do romance empala a vampira Lucy com a “estaca-falo”, um ato com reminiscências de defloramento selvagem na qual Stoker também se atreveu a retratar outro tabu vitoriano: o orgasmo feminino. Na verdade, quando se relê a passagem com essas chaves, as conotações sexuais são de matar. Outro episódio obscuro e importante em que o autor entra é o de Mina obrigada a beber o sangue de Drácula, que abre uma veia no peito para isso, no qual Leatherdale acredita que Stoker descreve uma felação soberana.

As relações de gênero em Drácula rendem um tratado. Lucy e Mina (e não mencionemos as três vampiras do castelo) mostram uma rebeldia de diferentes graus e estratégias contra a dominação patriarcal, manifestada pelo conde e pelos caçadores de vampiros. Coisas estranhas acontecem no próprio campo masculino: as transfusões para Lucy significam que seus pretendentes misturam seus sangues e que Drácula, rei do sadismo oral, em última instância bebe o sangue de todos. Bram Stoker estava consciente do que estava escrevendo ou esse inquietante material fazia parte dos recônditos desejos e medos inconscientes da sociedade vitoriana? Os vitorianos ficaram excitados com Drácula? Leatherdale diz que sim e acredita que Stoker teria ficado indignado com a sugestão de que escreveu uma prosa lasciva.



Em relação ao caráter de Stoker, são sensacionais as contribuições de sua mais recente biografia, a monumental Something in the Blood (Es Pop Ediciones, 2017), de David J. Skal, outro grande especialista. Skal, que também relativiza a relação de Drácula com Vlad e destaca que não há nada no romance sobre a busca de um amor perdido através dos séculos por parte do conde –então não há nada de paixão no transilvano–, encontra nas pantomimas natalinas típicas da tradição irlandesa e dos contos folclóricos e de fadas que Stoker conheceu na infância a influência essencial do romance, embora reconheça que o autor sugou de todos os lugares (com o perdão da expressão) e novamente afirma que em sua história “tudo nos leva ao sexo” e que seu protagonista é “ o maior monstro sexual de todos os tempos”. Sobre se Stoker era gay, uma questão amplamente discutida, Skal, que lhe reconhece uma “ambiguidade sexual”, revela a totalidade das cartas apaixonadas que escreveu a Walt Whitman e ressalta que o casamento com sua mulher Florence foi “estético” como o de Oscar Wilde. Pelo visto, a frase de Drácula às vampiras “este homem é meu!” veio das profundezas de Stoker.

Skal, que endossa a teoria de que Stoker morreu de sífilis terciária, contraída de prostitutas ou em bordéis masculinos, sugere que o principal modelo de Drácula foi o ator Jacques Damala, famoso viciado em morfina e que parecia, de acordo com o próprio Stoker, um morto-vivo. A icônica capa preta do conde e o smoking não são atributos dados a ele pelo criador —que só menciona a capa de passagem na cena em que Drácula desliza de cabeça para baixo pelas paredes de seu castelo—, mas pelo ator Hamilton Deane, que protagonizou uma adaptação do romance para o teatro em 1924. Stoker nunca imaginou seu vampiro como um aristocrata vestido de gala, da maneira que Bela Lugosi o personificaria de memoravelmente.

Claes Bang


Em outro livro apaixonante, Miedo y Deseo, Historia Cultural de Drácula (de 2017, não publicado no Brasil), o historiador Alejandro Lillo aponta a inquietante evidência de que a história não é narrada de maneira objetiva. Lillo nos sugere duvidar do que o que é explicado em Drácula —narração baseada em diferentes materiais, organizada, nos dizem, por Harker— seja a verdade, e destaca que se deixa todos os personagens falarem por si mesmos, exceto o conde, que não pode se defender nem se justificar, o coitado. Aponta preocupantes e suspeitas exclusões de cartas e trechos de diários, assim como longos silêncios, lacunas e contradições, e conclui que, como sempre, são os vencedores, que esmagam o inimigo sem piedade, os que escrevem história e silenciam os dissidentes. Não obstante, nos sugere ler com atenção para descobrir, sob a camada de uniformidade do romance, “as outras vozes de Drácula”, um maravilhoso convite para continuar esquadrinhando a mente e a alma de Bram Stoker e a entender o vampiro.

EL PAÍS

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Regresso ao futuro de ‘Black Mirror’ / Pior do que a tecnologia, apenas os humanos



Regresso ao futuro de ‘Black Mirror’: pior do que a tecnologia, apenas os humanos

A quinta temporada da série chega à Netflix com três novos episódios sobre inovações tecnológicas



Patricia Tubella
Londres 5 Jun 2019

"Tecnofobia? O vilão dos episódios de Black Mirror não é a tecnologia, mas as pessoas", garante Charlie Brooker, criador da série que percorre o lado mais sombrio da era digital e nossa dependência de uma multiplicidade de dispositivos dos quais até nos tornamos reféns. Produção inclassificável, dado seu incansável trânsito por gêneros e formatos, a quinta temporada (5 de junho, na Netflix) tem apenas uma trilogia de episódios, com tons muito diferentes e um elenco estelar, incluindo a ex-estrela pop Miley Cyrus.
Brooker nunca seleciona um tema específico que permita distinguir cada temporada da série. "Mas, talvez, neste caso, um elo comum seria a solidão do indivíduo", opina a produtora Annabel Jones sobre as três histórias que compõem esta temporada: um thriller claustrofóbico, um drama com uma mudança imprevisível e uma história muito mais acessível para todos os públicos sobre a obsessão de uma adolescente solitária por uma jovem cantora. Dito de forma mais detalhada: um descontrolado motorista de um serviço de táxi grudado no celular, um casal de amigos loucos por videogames que são atraídos para um insólito triângulo (contar mais seria incorrer no spoiler) e a réplica de uma celebridade musical com formas de robô inteligente. Contar mais seria também spoiler, mas uma coisa pode ser deduzida: todos falam de alienação humana.
"Tentamos apontar para diferentes direções e gêneros, mas sempre procuramos aquele prazer tão particular de Black Mirror que engloba uma realidade desconfortável mesmo nos episódios mais leves e engraçados", enfatiza Brooker. Parte sempre daquele ponto de vista distópico e perturbador que a série tem mostrado desde a sua estreia em 2011: como a tecnologia transformou todos os aspectos de nossas vidas. Mas, acrescenta Brooker, "queremos que cada capítulo tenha personalidade própria. E essa individualidade é o que consegue atrair atores e diretores de primeira linha".
Ele se refere aos grandes nomes desta temporada. Há Anthony Mackie, um dos protagonistas do universo cinematográfico Marvel, que no episódio Striking Vipersinterpreta um pai enredado em sua busca de novos e arriscados horizontes tecnológicos. Ou o irlandês Andrew Scott, conhecido dos telespectadores como o Moriarty da série Sherlock, e recentemente, mas talvez com mais frequência, como o padre sexy de Fleabag, que encarna no episódio Smithereens (cacos) o papel do taxista que acredita ser refém das redes sociais.







E também Miley Cyrus, com quem Brooker e Jones nem sequer sonhavam porque ela deveria fazer uma parada em sua agenda para estrelar uma sátira sobre a indústria da música. Mas Cyrus disse sim, atraída pelo tom sarcástico da história. "Miley é muito subversiva, anárquica e tem um grande senso do absurdo", comentam sobre a transformação da antiga estrela da fábrica Disney em uma artista que fez da provocação sua bandeira.
A personagem de Cyrus, segura de si diante de uma plateia adolescente submissa, tem na intimidade outra faceta, a de uma garota muito vulnerável, que se sente engaiolada pela fama e a avidez dos que a rodeiam. "Queríamos tirar a artista do pedestal", foram as intenções do casal de criadores na hora de narrar a estranha conexão tecnológica que uma pequena fã estabelece com sua adorada cantora. Rachel, Kack e Ashley Too é o título dessa história de fundo nebuloso, mas com um formato muito claro, longe dos finais desconcertantes que a série vem cultivando. “Fracassaríamos se todos os episódios tivessem o mesmo tom e agradassem a todos", argumenta Brooker sobre um dos episódios mais complacentes de Black Mirror.
Embora a série tenha começado há oito anos no britânico Channel 4, sua transferência para a Netflix em 2016 lhes deu licença para experimentar formatos e a duração irregular dos episódios, sem "ter de depender toda semana dos índices de audiência”, como nas emissoras generalistas. E para desafiar os limites da ficção televisiva, como ficou demonstrado em dezembro com um episódio interativo (Bandersnatch) em que o público pôde decidir os rumos do enredo e a sorte do protagonista.
Brooker também alude à "difícil promoção" na grade de televisão convencional de uma série sem continuidade do enredo entre os capítulos e, portanto, sem desfechos em suspenso que levem o público a voltar a se envolver com o próximo episódio. "No Channel 4 éramos muito livres", reconhece, porém, Brooker. A série estreou com um episódio devastador sobre um primeiro-ministro britânico forçado a fazer sexo com um porco em troca da libertação de uma popular princesa sequestrada. Esse título, The National Anthem, é curiosamente o que despertou maior divisão entre os espectadores durante toda a trajetória de Black Mirror, lembra Brooker, com orgulho. Sua principal ambição — acima da tirania da audiência — continua sendo a capacidade que a série tem de provocar debate sobre as incertezas da sociedade tecnológica.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Nova temporada de ‘La Casa de Papel’ já tem data de estreia


https://www.youtube.com/watch?v=BU22bD6l-qE

Nova temporada de ‘La Casa de Papel’ já tem data de estreia

Netflix divulga as primeiras imagens da terceira temporada da série espanhola


MADRID, 1 ABR 2019

"As férias acabam em julho". Assim a Netflix anunciou a data da nova temporada de 'La Casa de Papel': 19 de julho. A série espanhola, nascida no canal Antena 3, converteu-se em um fenômeno mundial ao entrar na Netflix, chegando a ser a série de fala não inglesa mais vista da plataforma. Depois do sucesso, a empresa comprou os direitos para produzir a nova temporada, que contará a história de um novo golpe, com ladrões como protagonistas.
O anúncio da data de estreia veio acompanhado de um trailer em que se vê o Professor, Tóquio, Nairobi, Denver e Rio desfrutando de dias de descanso em um local paradisíaco. Mas essa tranquilidade acabará logo. Pouco se sabe até agora da trama, que foi rodada em locais como Florença, Tailândia, Panamá e Madri.
Os novos capítulos da série, que ganhou um Emmy Internacional em novembro, contam com grande parte do elenco original da série. Úrsula Corberó, Miguel Herran, Álvaro Morte, Jaime Lorente e Alva Flores voltarão a dar vida a seus personagens. Também regressará Pedro Alonso (Berlim na ficção), embora não se saiba em que circunstâncias. Além disso, nomes como Najwa Nimri, Fernando Cayo, Rodrigo da Serna e Hovik Keuchkerian foram incorporados ao elenco.




Nova temporada de ‘La Casa de Papel’ já tem data de estreia



Nova temporada de ‘La Casa de Papel’ já tem data de estreia



Nova temporada de ‘La Casa de Papel’ já tem data de estreia


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

‘O Método Kominsky’ / Falar do envelhecimento sem perder o humor




‘O Método Kominsky’: falar do envelhecimento sem perder o humor

Michael Douglas e Alan Arkin protagonizam a nova comédia de Chuck Lorre

ROCÍO AYUSO
Los Angeles 6 DEZ 2018 - 13:54 COT

Chuck Lorre aconselha os escritores iniciantes a lembrarem da velha frase: "cuidado com o que você quer, porque pode se tornar realidade". É um aviso porque, se Lorre tivesse visto o seu desejo cumprido, não teriam existido The Big Bang Theory, Two and a Half Men, Momnem O Método Kominsky. “Digo isto porque cheguei a esta cidade com uma Stratocaster, e não com uma máquina de escrever", confessa o produtor e roteirista a EL PAÍS, referindo-se à guitarra que este músico frustrado trouxe debaixo do braço. O atual Lorre não poderia estar mais feliz. "Não consegui o que queria. Consegui algo melhor." Algo que se resume a uma carreira em que acumula oito indicações para o Emmy e em que foi o responsável por algumas das comédias de maior audiência nos últimos anos.
Ele também se recorda dos motivos que o levaram a escrever: precisava de um emprego que pagasse o seguro saúde de sua família. "E o Sindicato dos Escritores oferece a melhor cobertura médica", diz. As voltas que a vida dá, e sem deixar de rir dela, é disso que Lorre, 66 anos, quer falar em O Método Kominsky, cuja primeira temporada está disponível na Netflix.

Lorre fala com este jornal nos estúdios da Warner, onde filmou os oito episódios da nova série, a segunda que criou para a Netflix depois de Disjointed. Garante que esta é a mais pessoal entre as que escreveu. "Sinceramente, eu queria falar sobre o que estou vivendo, o que é envelhecer, o que acontece com seu corpo, o que acontece com sua mente, como você vai se degenerando", diz. Na verdade, não é necessariamente sobre sua vida, mas sobre seu entorno. Embora os protagonistas sejam um ator transformado em professor de arte dramática (Michael Douglas) e seu agente (Alan Arkin), O Método Kominsky não é uma ficção sobre como envelhecer em Hollywood. "Falar sobre os problemas de próstata parece muito mais interessante do que falar sobre Hollywood", ri o criador e produtor.
Doenças, mortes, filhos, sonhos, ansiedades, problemas econômicos... Nenhum dos temas parece de cara dar motivo para uma comédia. Mas Lorre sabe levar isso com humor e espera que os espectadores também o façam. "Reconhecer como nossos corpos estão indo para a merda me faz rir", acrescenta. Mas ele não busca a gargalhada. Agradece pela filmagem ter sido feita sem plateia, ao contrário de seriados tradicionais, e, além disso, gostou de poder rodar ao ar livre para complementar os sets construídos nos estúdios da Warner. Não se trata de humor grosseiro ou de uma série sobre o que está por vir para os protagonistas. "É uma carta de amor à amizade", resume.

Para esta aventura não seria possível encontrar melhores cúmplices que Douglas e Arkin. Ambos aceitaram assim que leram o roteiro, primeiro Michael, depois Alan. E com a sua presença o sim da Netflix veio depressa. O mesmo aconteceu com as inúmeras aparições de outros amigos que atuam na série: Danny DeVito, Ann Margret, Jay Leno, Patti Labelle ...



segunda-feira, 23 de abril de 2018

14 teorias dos fãs sobre a nova temporada de ‘La Casa de Papel’


14 teorias dos fãs sobre a nova temporada de ‘La Casa de Papel’

Este artigo tem ‘spoilers’. Um montão


23 ABR 2018

Os seguidores de La Casa de Papel receberam a notícia da nova temporada da série com alegria, o que não surpreende se levarmos em conta que se tornou a série de língua não inglesa mais assistida na história da Netflix. Mas também com desconfiança, pois a história concluía no último episódio e é difícil saber de onde sairão os novos episódios, que estrearão na Netflix em 2019.
Se estiverem sem ideias, os responsáveis pelos argumentos podem dar uma olhada no Twitter e no Facebook, onde muitos seguidores já compartilharam um bom punhado de teorias sobre o futuro da série. Expomos algumas delas, não sem antes avisar que há spoilers. Muitos.
Realmente, tem um montão de spoilers.
QUEM É O PERSONAGEM MASCARADO?
1. Berlim volta. Na imagem divulgada pela Netflixaparecem o Professor e quatro dos ladrões que sobreviveram ao golpe, sem incluir Helsinque (avisei que havia spoilers, agora não reclame). A dúvida é quem será o novo ladrão.
Uma das teorias mais apreciada pelos fãs é que se trata de Berlim. Quase todo mundo quer que Berlim tenha sobrevivido aos tiros do final da série (estava falando sério quando me referi aos spoilers).
De fato, e como publicou a Cadena Ser, tanto Pedro Alonso, que interpreta esse personagem, quanto Esther Acebo (Mônica) também estarão presentes na nova temporada, embora não apareçam nessa primeira foto. Claro, no caso de Alonso, “a plataforma e a produtora ainda tem de entrar em acordo em relação à forma, pois Berlim morreu (supostamente) durante o final da série”. Está vivo ou só aparecerá em alguns flashbacks?
Em sua conta no Instagram, Alonso publicou na Semana Santa uma foto com as seguintes palavras impressas: “Domingo de Ressurreição”.






2. E se a mascarada for Mônica? Ou seja, a refém que passa para o bando dos ladrões e pela qual Denver se apaixona (se você estiver lendo em diagonal, talvez tenha pulado todas as advertências anteriores sobre os muitos spoilers deste artigo). Muita gente acredita que a figura mascarada é um homem, mas não está muito claro.
3. É alguém novo. Embora a imagem mostre cinco personagens da temporada anterior, há quem sugira que nenhum dos protagonistas das duas primeiras temporadas aparecerá. O novo roubo talvez nem seja dirigido pelo Professor (Álvaro Morte), mas por alguém que segue seus passos e que poderia ser essa pessoa mascarada.
AS ORIGENS
4. Uma continuação. É o que querem muitos daqueles que comentam na página da série no Facebook, que apostariam em explicar como o Professor escolheu cada um dos ladrões e, sobretudo, sua infância com Berlim, talvez conectando mais adiante com o presente. Eles também querem saber mais sobre a origem do plano.
5. Better Call Berlim. Alguns sugerem uma continuação no esquema spinoff, protagonizada pelo próprio Berlim. É claro que esse personagem –assassino e estuprador– caiu muito bem para os seguidores da série.
OUTRAS LINHAS DE ARGUMENTO
6. Alguns só querem ver a vida de cada um depois do roubo. Isto é, transformar uma série policial em uma novela.
7. A inspetora passa para o lado escuro. Uma vez afastada da polícia e reunida com o Professor, a inspetora Raquel Murillo (Itziar Nuño) colaborará com o novo plano, seja ele qual for. Talvez se torne uma segunda Berlim, isto é, o braço direito do Professor.
8. E o grupo de sérvios que tirou Tóquio da cadeia? Como o Professor os conheceu? Eles voltarão para chantageá-lo e exigir um novo roubo em troca?
9. Algumas pessoas apostam em temporadas independentes, ao estilo de Fargo, talvez em cidades e países diferentes.
10. Não há um novo roubo. O que acontecerá, segundo alguns, é que a polícia vai capturar um dos ladrões e o resto do bando será obrigado a tirá-lo da cadeia. De fato, se Berlim continuar vivo, poderia ser ele.
11. Outra opção parecida: a polícia vai caçá-los um por um.
12. Outros pensam que mais do que roubo, haverá motivação política. Uma mensagem contra o governo e contra os bancos. Alguns falam de uma possível versão espanhola de V for Vendeta, com os cidadãos colocando máscaras de Dalíno meio do plano. Esperamos que essa hipotética cena seja mais bem-feita do que aquela dos palhaços no hospital.











OS REFÉNS
13. Ninguém gosta de Arturo: um dos comentaristas quer vê-lo “arruinado e atordoado”. Nós somos muito a favor de Arturo. Ele se equivoca em quase todas as decisões que toma, então é impossível não se identificar com ele.
14. E quanto ao dinheiro? Muitos comentaristas estão preocupadíssimos em saber se os reféns receberam o dinheiro prometido por terem colaborado com os ladrões.
QUE DIFERENÇA FAZ
Como observamos, muitos fãs da série receberam a notícia dos novos episódios com receio: por que prolongar uma série já fechada e com um final até feliz, exceto pelas mortes de Oslo, Berlim e Moscou (se você chegou até aqui, já sabia que havia spoilers)? E por que o Professor e os outros iriam querer se envolver nessa confusão? Não são milionários? Quem quer trabalhar sendo milionário? Deve ser pelas coisas que se pode fazer sendo rico. Aqui existem uns tantos caprichos, qualquer um deles melhor do que se levantar cedo para ir ao escritório ou planejar um assalto mais ou menos perfeito.