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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Além do ‘Quadrado Negro’ / 5 pinturas desconhecidas de Kazimir Malevich


Além do ‘Quadrado Negro’: 

5 pinturas desconhecidas 

de Kazimir Malevich


12 DE NOVEMBRO DE 2017
ALEKSANDRA GÚZEVA
Todos provavelmente já ouviram falar sobre o suprematismo, um gênero artístico vanguardista e complexo. Mas poucos sabem que seu criador, Kazimir Malevich, não pintava apenas figuras geométricas. Confira outras obras do famoso pintor.

Embora Malevich seja frequentemente associado a sua obra-prima suprematista, ‘O Quadrado negro sobre fundo branco’, seu trabalho ao longo dos anos revela um artista versátil e eclético. Nascido em Kiev, na Ucrânia, em 1879, o artista vivia distante do mundo da arte quando criança. Seu pai queria que ele seguisse seus passos e entrasse no ramo de processamento de açúcar de beterraba. Sua mãe, porém, possuía inclinações artísticas – escrevia poesias e adorava fazer bordados – e, mais tarde, foi uma das poucas pessoas que apoiaram a ambição de Malevitch em se tornar pintor.
Ainda pequeno, Malevich viu uma pintura de uma menina descascando batatas e ficou impressionado com a precisão da imagem – e foi justamente esse realismo que iniciou a jornada artística de um dos artistas mais abstratos do século 20.
  1. Primavera (1904)

Este é um dos primeiros trabalhos de Malevich, época em que suas obras tinham espírito impressionista. Quase todos os artistas de vanguarda passaram por essa fase. Além disso, um professor particular de Malevich era grande fã de Paul Cézanne. 
  1. Crianças (1908)

Do impressionismo puro, Malevich migrou para a vanguarda, participando de exposições de vários grupos artísticos, incluindo o Valete de Diamantes. Aos poucos foi se voltando para o cubismo e um estilo de pintura alógico (alogismo), e, também gradualmente, suas obras se tornaram mais geométricas e primitivas.
  1. Autorretrato (1910)
Malevich fez cerca de sete autorretratos muito diferentes; observando-os, é fácil identificar o estilo de arte que Malevich estava seguindo no momento. Seu primeiro retrato, ainda bem cedo, é um esboço de afresco e contém elementos ortodoxos. Há também vários retratos desenhados sob a influência de pinturas de fauvismo francês, com suas cores e texturas inesperadas, incluindo a imagem acima, que é, provavelmente, a mais famosa. Nela já se pode observar a tendência de Malevich em direção à geometria. Ele fez ainda um autorretrato suprematista baseado no ‘Quadrado Negro’ (que é supostamente uma cabeça) e outros dois retratos realistas.
  1. Camponesas em uma Igreja (1912) 
Esta é uma pintura do chamado “primeiro ciclo de camponeses”. Os principais temas abordados são camponeses, retratados em campos, igrejas e close-ups. Nessa fase, as figuras parecem estar crescendo em massa, tornando-se mais volumosas e estáticas.
  1. Florista (1930)

Mais perto do final de sua vida, Malevich voltou à pintura realista. Difícil de acreditar, mas o criador do ‘Quadrado Negro’ terminou a carreira pintando paisagens simples, comuns e bastante concretas. Em seus últimos trabalhos, novamente apelou ao impressionismo, tentando, porém, repensá-lo e dar-lhe uma nova interpretação. Mas, ainda que as senhoras do fundo sejam desenhadas de maneira impressionista, a pose e as roupas da florista refletem uma influência suprematista.


RUSSIA BEYOND



domingo, 23 de junho de 2019

Os 100 anos do ‘Quadrado Negro’




Obras de Malevitch foram proibidas pelo governo soviético a partir de 1930 Foto: Iúri Smólni/RIA Nóvosti
Obras de Malevitch foram proibidas pelo governo soviético a partir de 1930 Foto: Iúri Smólni/RIA Nóvosti

Os 100 anos do ‘Quadrado Negro’

Embora só apresentado em dezembro de 1915, a polêmica obra “Quadro Negro”, de Kazimir Malevitch, havia sido finalizada em junho daquele ano. Um século após sua criação, quadro permanece como ícone da vanguarda e ainda influencia artistas de todo o mundo.

Em dezembro de 1915, em Petrogrado, atual São Petersburgo, foi inaugurada a “Última exposição futurista de quadros 0,10”. Nela, foram apresentados pela primeira vez todos os trabalhos de Kazimir Malevitch concebidos no espírito do movimento criado por ele – o suprematismo.
O quadro que mais despertou a admiração dos companheiros de Malevitch e a desaprovação do público foi o “Quadrado Negro”, não por acaso pendurado no chamado ‘canto vermelho’, onde costumava-se colocar os ícones religiosos da tradição ortodoxa.
No início, o culto ao “Quadrado” e ao suprematismo foi disseminou apenas no estreito círculo de companheiros e discípulos de Malevitch; na Europa, os seus fãs poderiam ser contados nos dedos da mão.
Ao levar em conta o interesse-relâmpago pela arte abstrata que surgiu em alguns países – Rússia, França, Holanda, Alemanha – e desapareceu quase que simultaneamente, não fica difícil explicar por que a figura de Malevitch permaneceu, por muito tempo, fora do campo de atenção da comunidade artística internacional.
Para o seu ostracismo contribuiu também o fato de que, guardadas em museus soviéticos, as obras de Malevitch foram proibidas pelo governo a partir de 1930.  O florescimento da vanguarda foi arrancado da memória do país e protegido de qualquer tipo de exportação além da chamada Cortina de Ferro.
Fama pós-guerra
Apesar dos contratempos, Malevitch conseguiu ganhar reconhecimento mundial, embora postumamente. Esse processo teve início após a Segunda Guerra Mundial, na época do boom da pintura abstrata na Europa e nos EUA.
Alguns dos trabalhos suprematistas de Malevitch tinham sido conservados, ainda antes da guerra, no Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque; outros estavam nas mãos de colecionadores particulares na Europa.
No entanto, a verdadeira onda de interesse pelo legado artístico do pintor russo surgiu depois de 1957, quando o Museu de Stedelijk, em Amsterdã, conseguiu finalmente receber a tão esperada e pouco conhecida coleção que se encontrava na Alemanha.
Esse conjunto de obras de Malevitch foi transportado em 1927 para uma exposição individual em Berlim, que terminou antes da data programada. Até que fossem levados de volta para a URSS, os quadros ficariam aos cuidados do arquiteto alemão Hugo Häring. O pintor russo, no entanto, não pode regressar para buscá-los.
Mais tarde, conseguiram esconder dos olhos dos nazistas esse arquivo artístico, que acabou por sobreviver à guerra e, no final do conflito, foi parar no museu holandês. Uma ampla mostra dos trabalhos e a sua publicação em livro geraram uma reação indescritível.
Isso aconteceu ainda que a maior parte dos trabalhos de Kazimir Malevitch tivesse ficado guardada na URSS, fora do alcance do público ocidental até a perestroika. Não é à toa que, por mais que seja paradoxal, a obra é menos apreciada na Rússia do que no Ocidente.
Para sempre quadrado  
O “Quadrado Negro”, caracterizado pelo autor como “um recém-nascido vivo e majestoso”, impressionou nem tanto pela aparência, quanto pelos sentidos: “Eu me transformei no nulo das formas e fui além do nulo na criação.”  Em outras palavras, a obra é uma espécie de objeto mágico, que permite se livrar da velha arte.
Se, por um lado, pode-se dizer que os minimalistas americanos das décadas de 1950 e 60, como Carl Andre e Donald Judd, absorveram muito do estilo suprematista, por outro, nos trabalhos conceituais do francês Yves Klein ou do americano Mark Rothko, não há praticamente nada que lembre a geometria abstrata de Malevitch.O inovador pintor alemão Joseph Beuys anunciou em um de seus manifestos que “Tudo é arte” e, nesse aspecto, indiscutivelmente, repetiu Malevitch. Mas a atitude dos suprematistas de recusar os “excessos figurativos” pode ser considerada um prólogo ao surgimento do conceitualismo.
Embora distantes, são claros parentes do “Quadrado preto” as obras do Neo-Geo, movimento artístico norte-americano do final do século 20. E há também áreas como o design e a arquitetura, em que a influência do “ícone da vanguarda” perdura há décadas, embora não seja absoluta.
Pode-se citar, por exemplo, a estrela da arquitetura Zaha Hadid, que mais de uma vez declarou a sua paixão pela arte de Malevitch. Tanto é que, em uma exposição individual de Hadid no museu Hermitage, em São Petersburgo, uma versão do “Quadrado” figurava como epígrafe.


sábado, 22 de junho de 2019

‘Quadrado Negro’ esconde outras duas imagens, revelam pesquisadoras


Obra de Malevitch é símbolo precursor do vanguardismo russo

‘Quadrado Negro’ esconde outras duas imagens, revelam pesquisadoras


Além das pinturas ocultadas sobre tela, autoras do estudo conseguiram decifrar inscrição existente na obra de Malevitch.
Investigações recentes revelaram duas imagens coloridas ocultadas sob a tela “Quadrado Negro”, do pintor russo Kazimir Malevitch, informou a Galeria Tretiakov, em Moscou, onde a obra é mantida.
“Sabia-se que sob a imagem do ‘Quadrado Negro’ existia outra subjacente. Mas descobrimos que há duas dessas imagens, e não apenas uma”, disse Ekaterina Vorônina, colaboradora do departamento de perícia científica da galeria, durante um evento internacional sobre os 100 anos da tela.
“Provamos também que a imagem original é uma composição cubofuturista, e a que está diretamente sob o ‘Quadrado Negro’, e cuja cor é visível no craquelê, é uma composição protossuprematista”, acrescentou, referindo-se ao suprematismo russo da década de 1910.
Os contornos de outra pintura de Malevitch tornam-se perceptíveis quando a obra é exposta a raios-X. Através de um microscópio também é possível enxergar outra camada de tinta pelo craquelê – isto é, as ‘rachaduras’ na superfície do “Quadrado Negro”.
Vorônina, que trabalhou em parceria com Irina Rustámova e Irina Vakar, também colaboradoras da Tretiakov, conseguiu ainda decifrar a maior parte da inscrição existente na obra e garante que foi feita pelo próprio pintor.
Segundo as autoras do estudo, a frase inteira soa como “Batalha de Negros na Caverna Escura”. A pintura de Malevitch poderia, assim, ser considerada como um diálogo à distância com o autor de “Batalha de Negros em uma Caverna Escura Tarde da Noite” (1882), o escritor e humorista francês Alphonse Allais.