domingo, 8 de março de 2015

Dicas para ecrever bem


  1. Vc. deve evitar abrev., etc.
  2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
  3. Anule aliterações altamente abusivas.
  4. não esqueça das maiúsculas", como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
  5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
  6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
  7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
  8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
  9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa bost@.
  10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
  11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
  12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".
  13. Frases incompletas podem causar...
  14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
  15. Seja mais ou menos específico.
  16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
  17. A voz passiva deve ser evitada.
  18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
  19. Quem precisa de perguntas retóricas?
  20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
  21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
  22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
  23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
  24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!!!
  25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
  26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
  27. Seja incisivo e coerente, ou não.


sábado, 7 de março de 2015

Anita Dadà / Mulher

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Anita Dadà
MULHER

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Vargas Llosa / À beira do abismo

Chávez / Maduro

À beira do abismo

Quantos mortos mais serão necessários para que a OEA e os Governos democráticos da América Latina facilitem uma transição política da Venezuela para um regime de legalidade democrática?




FERNANDO VICENTE
Quando o Governo venezuelano de Nicolás Maduro autorizou sua guarda pretoriana a usar armas de fogo contra as manifestações de rua dos estudantes sabia muito bem o que fazia: seis jovens já foram assassinados nas últimas semanas pela polícia ao tentar calar os protestos de uma sociedade cada vez mais enfurecida com os atropelos desenfreados da ditadura chavista, a corrupção generalizada do regime, o desabastecimento, o colapso da legalidade e a situação crescente de caos que se estendem por todo o país.
Esse contexto explica a escalada repressora do regime nos últimos dias: a detenção do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, um dos mais destacados líderes da oposição, quando se completava um ano da prisão de Leopoldo López, outro dos grandes resistentes, e meses depois de haver privado de modo abusivo da condição de parlamentar –e ter submetido a um assédio judicial sistemático– María Corina Machado, figura relevante entre os adversários do chavismo. O regime se sente encurralado pela crítica situação econômica à qual sua demagogia e inépcia conduziu o país, sabe que sua popularidade está caindo e que, ao menos que dizime e intimide a oposição, sua derrota nas próximas eleições será cataclísmica (as pesquisas mostram que tem apenas 20% de popularidade).
Por isso desatou o terror de maneira descarada e cínica, dando a desculpa habitual: uma conspiração internacional dirigida pelos Estados Unidos, da qual os opositores democráticos do chavismo seriam cúmplices. Conseguirá calar os protestos mediante os crimes, torturas e batidas policiais maciços? Há um ano conseguiu, quando, encabeçados pelos estudantes universitários, milhares de venezuelanos se lançaram às ruas em toda a Venezuela pedindo liberdade (eu estive lá e vi com os próprios olhos a formidável mobilização libertária dos jovens de todas as condições sociais contra o regime ditatorial). Para isso foi necessário o assassinato de 43 manifestantes, muitas centenas de feridos e de torturados nos presídios políticos e milhares de detidos. Mas no ano que transcorreu a oposição ao regime se multiplicou e a situação de desmando, desabastecimento, opróbrio e violência só serviu para encolerizar cada vez mais as massas venezuelanas. Para tolher e submeter esse povo desesperado e heroico será preciso uma repressão infinitamente mais sanguinária do que a do ano passado.

O sistema se sente encurralado pela crítica situação econômica à qual conduziu o país
Maduro, o pobre homem que sucedeu Chávez na cabeça do regime, demonstrou que sua mão não treme na hora de fazer correr o sangue dos compatriotas que lutam pela volta da democracia à Venezuela. Quantos mortos mais e quantas prisões repletas de presos políticos serão necessários para que a OEA e os Governos democráticos da América Latina abandonem seu silêncio e ajam, exigindo que o Governo chavista renuncie à sua política repressora contra a liberdade de expressão e a seus crimes políticos, e facilitem uma transição política da Venezuela a um regime de legalidade democrática?
No excelente artigo Um estentóreo silêncio (em espanhol aqui), como costumam ser os que escreve, Julio María Sanguinetti (EL PAÍS, 25 de fevereiro de 2015) censurava severamente esses Governos latino-americanos que, com a tépida exceção da Colômbia – cujo presidente se ofereceu para mediar entre o Governo de Maduro e a oposição –, observam impassíveis os horrores que o povo venezuelano padece sob um Governo que perdeu todo o sentido dos limites e age como as piores ditaduras sofridas pelo continente das oportunidades perdidas. Podemos estar certos de que o emotivo chamado do ex-presidente uruguaio à decência, feito aos dirigentes latino-americanos, não será escutado. Que outra coisa se poderia esperar dessa lastimável coleção em que abundam os demagogos, os corruptos, os ignorantes, os políticos rasteiros? Para não falar da Organização dos Estados Americanos, a instituição mais inútil que a América Latina produziu em toda a sua história: a tal ponto que, se poderia dizer, cada vez que um político latino-americano é eleito para o cargo de secretário-geral parece abrandar-se e sucumbir a uma espécie de catatonia civil e moral.
Sanguinetti contrapõe, com muita razão, a atitude desses Governos “democráticos” que olham para o outro lado quando na Venezuela os direitos humanos são violados e canais, emissoras de rádio e jornais são fechados com a celeridade com que esses mesmos Governos “suspenderam” o Paraguai da OEA quando esse país, seguindo os mais estritos procedimentos constitucionais e legais, destituiu o presidente Fernando Lugo, uma medida que a imensa maioria dos paraguaios aceitou como democrática e legítima. A que se deve o uso de dois pesos e duas medidas? A que o senhor Maduro, que compareceu à transferência do comando presidencial no Uruguai e foi recebido com honras por seus colegas latino-americanos, seja de “esquerda” e os que destituíram Lugo fossem supostamente de “direita”.

A mão de Nicolás Maduro não treme na hora de fazer correr o sangue dos compatriotas
Embora muitas coisas tenham mudado para melhor na América Latina nas últimas décadas – há menos ditaduras do que no passado, uma política econômica mais livre e moderna, uma redução importante da extrema pobreza e um crescimento notável das classes médias –, seu subdesenvolvimento cultural e cívico é ainda muito profundo e isso se torna patente no caso da Venezuela: para não serem acusados de reacionários e “fascistas’”, os governantes latino-americanos que chegaram ao poder graças à democracia estão dispostos a cruzar os braços e olhar para o outro lado enquanto um bando de demagogos assessorado por Cuba na arte da repressão vai empurrando a Venezuela até o totalitarismo. Não se dão conta de que sua traição aos ideais democráticos abre as portas a que no dia de amanhã seus países sejam também vítimas desse processo de destruição das instituições e das leis que está levando a Venezuela à beira do abismo, ou seja, a se transformar em uma segunda Cuba e a aguentar, como a ilha do Caribe, uma longa noite de mais de meio século de ignomínia.
O presidente Rómulo Betancourt, da Venezuela, que era de um calibre diferente dos atuais, pretendeu, nos anos sessenta, convencer os Governos democráticos da América Latina de então (eram poucos) a chegar a um acordo sobre uma política comum contra os Governos que – com o de Nicolás Maduro– violentassem a legalidade e se convertessem em ditaduras: romper relações diplomáticas e comerciais com eles e denunciá-los no plano internacional, a fim de que a comunidade democrática ajudasse desse modo quem, no próprio país, defendesse a liberdade. Não é preciso dizer que Betancourt não obteve apoio nem sequer de um único país latino-americano.
A luta contra o subdesenvolvimento sempre estará ameaçada de fracasso e retrocesso enquanto os dirigentes políticos da América Latina não superarem esse estúpido complexo de inferioridade que nutrem contra uma esquerda à qual, apesar das catastróficas credenciais que possa exibir em temas econômicos, políticos e de direitos humanos (não bastam os exemplos dos Castro, Maduro, Morales, Kirchner, Dilma Rousseff, o comandante Ortega e companhia?), concedem ainda uma espécie de superioridade moral em temas de justiça e solidariedade social.
EL PAÍS




PESSOA


sexta-feira, 6 de março de 2015

Não parece, mas é Uma Thurman


Não parece, mas é Uma Thurman

A atriz entra para o clube de Renée Zellweger, das que fazem cirurgias plásticas radicais

Uma Thurman depois de sua cirurgia (esquerda) e antes da operação. / CORDON PRESSr
Uma Thurman entrou para o clube de Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e, mais recentemente, Demi Moore. A atriz, musa e mais recente affair de Quentin Tarantino, decidiu enfrentar o bisturi para apagar do rosto as marcas do tempo. Aos 44 anos, Thurman se submeteu a uma profunda cirurgia plástica. Seu rosto anguloso agora está mais redondo e seus olhos parecem muito mais puxados depois de terem sido esticados.
A nova Uma Thurman apresentou a nova fisionomia em Nova York, na estreia de The Slap, a nova minissérie da rede NBC que protagoniza ao lado de Peter Sarsgaard, Thandie Newton, Zachary Quinto, Brian Cox, Melissa George, Mekenzie Leigh e Lucas Hedges.


Uma Thurman e Arpad Busson ao lado da rainha Rania, da Jordânia. / CORDON
Uma Thurman havia declarado em várias ocasiões que era contra retoques estéticos, mas parece ter mudado de opinião. A última vez que a atriz havia aparecido em público tinha sido no final de janeiro. Quinze dias depois reapareceu transformada.
No começo do ano passado, Thurman se separou de Arpad ArkiBusson, seu noivo com o qual mantinha uma relação desde 2007 e com quem teve uma filha, Rosalind, de quase dois anos. Thurman também tem outros dois filhos, Maya, de 15, e Levon, de 12, fruto de seu casamento com o também ator Ethan Hawke. Foi então quando se uniu a Tarantino, de 51 anos, cujas ex-namoradas incluem a diretora Sofía Coppola e a atriz Mira Sorvino, vencedora de um Oscar. No momento o cineasta está sem uma companheira estável.


Quentin Tarantino e Uma Thurman, em maio passado no festival de Cannes. / CORDON
Ambos se conheceram nas filmagens de Pulp Fiction — Tempo de Violência em 1994. O filme mudou a vida dos dois. A beleza de Thurman já havia deixado marcas em papéis anteriores, como uma espécie de Vênus de Milo que encarnou em As Aventuras do Barão Munchausen ou de amantes que interpretou em Ligações Perigosase Henry & June — Delírios Eróticos.


Mas com seu trabalho como a femme fatale Mia Wallace no filme de Tarantino, conseguiu não apenas sua única indicação ao Oscar, mas também um lugar na história do cinema. No caso de Tarantino, um ex-balconista de locadora de vídeos com aspirações cinematográficas e uma memória invejável, Pulp Fiction o transformou em um diretor admirado. Uma colaboração que ambos expandiram para um sucesso semelhante em Kill Bill, projeto para o qual Tarantino nunca pensou em escalar outra atriz e que escreveu em parceria com Thurman.



quinta-feira, 5 de março de 2015

Cirurgia plástica / O novo rosto de Maradona



CIRURGIA PLÁSTICA

O novo rosto de Maradona

Estrela do futebol argentino reaparece com novo visual na TV para falar de Fidel Castro

Maradona
O ex-jogador argentino Diego Maradona, com sua 'nova' cara. / MIGUEL GUTIÉRREZ (EFE)
Diego Armando Maradona, aos 54 anos de idade, seguiu a moda de entrar na sala de cirurgia para rejuvenescer sua imagem. Há 15 dias uma foto do astro argentino do futebol circulou pelas redes sociais. Nela, via-se Maradona com sua atual namorada, Rocío Oliva, de 30 anos. Ele estava camuflado com um boné e a má qualidade da imagem não permitia distinguir plenamente o novo rosto do ex-jogador. Mas foi agora na Venezuela que viu-se efetivamente que Maradona retocou o rosto. Seu nariz aparece mais empinado, a pele mais firme e branca, as bolsas debaixo de seus olhos desapareceram e seus lábios são agora mais carnudos e têm uma coloração mais rosada.


À esquerda, Maradona em 2015 e, à direita, em setembro de 2014. / CORDON PRESS
A nova imagem de Maradona vem junto com as informações reveladas pelo jogador sobre Fidel Castro, com quem mantém uma relação cordial. O astro argentino contou que durante sua estadia em Havana, em janeiro, recebeu uma carta do líder cubano felicitando-o pelo seu programa televisivo De Zurda (De Canhota). “Está mais vivo do que pensam”, disse sobre o ex-presidente cubano. “Se Fidel morreu? Está mais vivo do que a gente”, disse Maradona no Teatro Careño, em Caracas, durante a transmissão de seu programa, emitido pela Telesur.
O canal latino-americano Telesur, com sede na Venezuela, revelou em 12 de janeiro que o ex-presidente cubano, de 88 anos e longe do poder desde 2006, enviou uma carta a Maradona, “desmentindo assim os rumores de seu suposto falecimento”, conforme publicação no site do canal.
“Ele não se apressou a dizer ‘estou vivo’, esperou que eu estivesse almoçando com minha mulher e me enviou uma carta dizendo: ‘Garoto, diga que estou vivo”, comentou. Para Maradona, Castro é “o maior de todos”.
Na sua programação, no site e na rede social Twitter, a Telesur divulgou fotos onde se vê Maradona com a carta nas mãos, com a assinatura de Fidel Castro, datada de 11 de janeiro. Maradona trabalha como embaixador esportivo em Dubai onde passa grande parte do ano.


Maradona beija sua namorada Rocío Oliva. / MIGUEL GUTIÉRREZ (EFE)





quarta-feira, 4 de março de 2015

As múltiplas vidas de Sophie Calle

Foto de Sophie Calle

AS MÚLTIPLAS VIDAS DE SOPHIE CALLE


Se eu pudesse escolher uma mulher no mundo com quem gostaria de trocar de vida, essa mulher seria Sophie Calle. Não que a vida dela seja melhor que a minha, mas eu a escolheria pelo simples prazer de ter a meu favor a leveza do seu raciocínio, sua curiosidade delicada e uma existência cheia de ideias brilhantes.

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Sophie é uma artista conceitual francesa que vem trabalhando uma mesma linha de pensamento desde os anos 80. Suas obras questionam o contraponto entre a nossa vida privada e a pública. Mas, tudo isso é feito de uma maneira que mais que fotógrafa ou artista performática, Calle pode ser tida como escritora. Aliás, a sua matéria-prima gravita sempre em torno de algum tipo de mídia acompanhada de textos.
Ouvi falar dela pela primeira vez na época em que o barulho da exposição “Cuide de Você” chegava ao Brasil. Tal exposição é a reunião de respostas de 107 mulheres a um e-mail recebido pela artista quando seu namorado, o escritor Grégoire Bouillier, resolveu por um ponto final na relação. Ela selecionou mulheres de várias partes do mundo, de diversas profissões e idades e lhes pediu que analisassem o e-mail utilizando a linguagem apropriada aos seus respectivos trabalhos. Assim, ela pode expor junto do e-mail original, analises feitas por juristas, atrizes, linguistas, compositoras, uma ave (!), entre outras.
Mas, eu particularmente gosto mais de outros trabalhos da artista. Em La Filature, de 1981, Calle pediu que sua mãe contratasse um detetive para que a seguisse, fotografasse e registrasse por escrito tudo o que ela fizesse, enquanto isso, ela escreveu um diário sobre o que lhe acontecia e ainda, pediu que um amigo se encarregasse de fotografar o detetive exercendo a sua função. O cruzamento de todas essas histórias dela mesma foi o conteúdo da exposição.
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Em 1983, ela conseguiu um emprego como camareira de um hotel em Veneza e enquanto arrumava os quartos fotografava coisas deixadas pelos hóspedes a fim de traçar o perfil de cada um através desses objetos. Um dos seus trabalhos mais polêmicos foi Adress Book. Sophie foi convidada a escrever para o jornal Libération, tendo encontrado na rua uma caderneta de endereços, ela resolveu escrever um perfil do dono dessa agenda sem conhecê-lo, se valendo apenas de informações dadas pelos contatos de tal lista. Baseada nessa informações ela fez fotos de atividades que o dono da agenda gostava de fazer. Assim, foram publicados 28 artigos que contavam a vida de um desconhecido, mas o desconhecido não gostou nada disso e processou a artista.

OBVIOUS




terça-feira, 3 de março de 2015

Leila Guenther / Jane Bowles

Jane Bowles





Leila Guenther
Jane Bowles

Não cortará os cabelos e os laços por Diego
Não irá para o hospício por Auguste
Não se matará com gás por Ted

O máximo que faria
Era se mudar para Tânger




segunda-feira, 2 de março de 2015

A memoria do sabor / A Lima dos 1000 ceviches



A MEMORIA DO SABOR »

A Lima dos 1.000 ceviches

O prato cresceu nos restaurantes de sempre e, 

além das novas formas, continua tendo seus redutos tradicionais


    A cevicheria La Mar, do chef Gastón Acurio, em Miraflores.
    O ceviche pode ser clássico, com o peixe cortado em cubos médios, condimentado com suco de limão, misturado com cebola picada em tiras, pimenta e um pouco de coentro e acompanhado de batata-doce e milho fresco. Também pode ser misto e combinar peixe com alguns frutos do mar, como vieiras, camarões, polvos ou lulas. Os únicos ingredientes que nunca chegam crus ao ceviche são lula, polvo, escargot e lapa (um marisco).
    Os ceviches de rua, preparados e servidos nos populares carrinhos de vendedores ambulantes, combinam peixe cru com lula à dorê, embora haja outros ceviches de rua preparados sem frituras, com o peixe cortado pequeno. Um novo ramo se vende com a etiqueta nikkeipendurada ao prato. Costuma ser preparado com atum e combina temperos de origem japonesa com o limão e a pimenta. Os ceviches geralmente são um prato frio, embora haja os quentes, como o de mero ou lagosta que Héctor Solís prepara no seu restaurante Festa (avenida del Reducto, 1.278, em Miraflores), que tem muito a dizer quando falamos de peixe. O ceviche tradicional do Festa é tão avançado que surpreende muitos limenhos, embora a única diferença esteja no fato de o limão só se juntar ao peixe depois de servido, reduzindo ao mínimo o contato entre ambos.

    Os ceviches da rua combinam peixe cru com lula à dorê
    Na Picantería (rua de Santa Rosa, 388, em Surquillo), o segundo estabelecimento de Solís, a cerimônia transcorre sob um ponto de vista mais popular – mesões, bancos, toalhas de plástico –, com peixes como a cabrilla e a chita, que são comprados inteiros e preparados ao gosto do cliente: ensopado, em iscas, empanado... e como ceviche, claro. Seus ceviches figuram entre as referências imprescindíveis nesta Lima que maneja seus sabores entre as notas ácidas e picantes do leite de tigre – o caldo resultante do ceviche.


    A três quadras dali, no Mercado de Surquillo, trabalha Luciano, dono do El Cebichano. Seu ceviche (hoje, do peixe castanheta) e meia dúzia de outros pratos atraem uma clientela que enche todo o box e parte do defronte, onde mantém sua peixaria de sempre. Os mercados foram um dos grandes redutos do ceviche popular, assim como os carrinhos de ambulantes, que no entanto foram desaparecendo à medida que os cevicheros ganhavam espaço dentro dos mercados ou em restaurantes formais.
    Foi esse o caminho trilhado por Ronald Abade, ganhador do reality show Cebiche Con Sentimiento, dedicado pelo chef Gastón Acurio aos cevicheros de rua. A vitória lhe permitiu abrir seu próprio negócio, chamado El Ceviche de Ronald (avenida de Ignacio Merino, 2.427, Lince), onde mantém as práticas tradicionais: só um ceviche, de cabrilla, e lula à dorê. Compra apenas o suficiente para as vendas do dia, e fecha às portas quando a mercadoria termina. Vale a pena.
    Ainda restam nas ruas alguns cevicheros a levar em consideração, como Raúl, que anda pelas ruas do bairro de Gamarra, ou os outros dois finalistas do reality, José Tantaruna, sempre na Avenida de Iquitos (La Victoria), e Marcos, o Bam Bam, detrás do mercado de Surquillo.



    Os mercados foram um dos grandes redutos do ceviche popular
    O ceviche cresceu nos restaurantes de sempre e, além das novas formas e propostas, continua tendo seus redutos tradicionais. Começando pelo De Alfredo (rua de Rodolfo Beltrán, 137, Santa Catalina), um lugar ao qual só se chega com recomendação e onde o ceviche e o tiradito (uma espécie de carpaccio de peixe) ditam o ritmo dos sabores. Outro que convém considerar é o Lobo de Mar, mantido por Octavio Otani no bairro de Miraflores (rua de Colón, 587), embora o salão não esteja à altura da sua cozinha. E lá continua, quase sempre, Sonia, em seu estabelecimento de Chorrillos (rua de Agustín Lozano La Rosa, 173).
    Indo na direção contrária, em La Punta, um dos bairros emblemáticos de Callao, topamos com Manolo (rua de Malecón Pardo, 1.515), cujo dono, Manuel Herrera, foi o genial inventor do ceviche de manga. Convém prová-lo.
    Seja como for, os estabelecimentos mais procurados continuam sendo o La Mar (avenida de La Mar, 770) e o Mercado (rua de San Martín, 595), ambos em Miraflores, e ambos inseridos nas propostas de dois históricos da cozinha local: Gastón Acurio e Rafael Osterling, respectivamente.