segunda-feira, 12 de junho de 2023
sexta-feira, 2 de junho de 2023
Morreu Tina Turner
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| Tina Turner |
Morreu Tina Turner
A cantora norte-americana tinha 83 anos. Tina Turner atuou duas vezes em Portugal, a última foi no estádio do Restelo em 1996.
24.05.2023 13:37
A informação foi avançada pela SkyNews que cita o agente da cantora, que atuou duas vezes em Portugal: no antigo estádio de Alvalade em setembro de 1990 e no Estádio do Restelo seis anos depois, em 1996. Anna Mae Bullock, mais conhecida como Tina Turner, tinha 83 anos.
“Tina Turner, a rainha do Rock'n Roll', morreu tranquilamente hoje [quarta-feira dia 24 de maio] aos 83 anos, após doença prolongada, na sua casa em Kusnacht perto de Zurique, na Suíça. O mundo perde uma lenda da música e um exemplo"
Numa publicação partilhada nas redes sociais da cantora foi, entretanto, partilhado um comunicado oficial: “É com muita tristeza que comunicamos o falecimento de Tina Turner. Com a sua música e a sua paixão sem limites pela vida, ela encantou milhões de fãs em todo o mundo e inspirou as estrelas de amanhã”.
“Hoje despedimo-nos de uma amiga querida que nos deixa todo o seu melhor trabalho: a sua música. Tina, vamos sentir muito a tua falta”
O início da carreira de Tina Turner acontece ao lado do ex-marido Ike Turner, com a clássica música “River Deep, Mountain High” no repertório. Fisicamente agredida, emocionalmente devastada e financeiramente arruinada pelo relacionamento de 20 anos, é a solo que se tornou uma superestrela e um “fenómeno da MTV”.
Da sua carreira fazem parte vários sucessos entre os quais os êxitos mundiais “The Best”, “Typical Male”, “Private Dancer", “Better Be Good to Me”, “What's Love Got to Do With It”. Ainda hoje, um concerto de Tina Turner no Rio de Janeiro, em 1988, está entre os que teve uma assistência recorde: 180 mil pessoas.
Com admiradores que vão de Beyoncé a Mick Jagger, Tina Turner foi uma das artistas mais bem-sucedidas do mundo, vendendo mais de 150 milhões de discos em todo o mundo.
Conquistou 12 Grammys, foi eleita juntamente com Ike para o 'Rock and Roll Hall of Fame' em 1991 e sozinha em 2021.
A sua vida serviu como base para um filme, um musical da Broadway e um documentário da HBO em 2021, que a própria considerou ser uma despedida pública.
quinta-feira, 1 de junho de 2023
"Rabo de Peixe" está a ser um sucesso / Série portuguesa chega ao top 10 mundial da Netflix
"Rabo de Peixe" está a ser um sucesso: série portuguesa chega ao top 10 mundial da Netflix
Em Portugal, “Rabo de Peixe” está em primeiro lugar do top da plataforma de streaming, mas o sucesso não fica limitado ao território nacional. A série portuguesa tem sido bem recebida em dezenas de países, o que lhe garantiu a entrada para o top 10 mundial da Netflix.
01.06.2023 10:39
A série portuguesa “Rabo de Peixe” já entrou no top 10 mundial da Netflix, encontrando-se esta quinta-feira no sexto lugar, de acordo com o site FlixPatrol.
A série, que em Portugal ocupa o primeiro lugar do top das mais vistas, tem feito sucesso em vários países europeus e da América do Sul. Na Argentina e no Uruguai, por exemplo, está em 4.º lugar do top e em Malta e no Luxemburgo em 2.º. Em Espanha, tem ocupado o terceiro posto do ranking nos últimos dias.
Também no Brasil está entre as séries favoritas, fixando-se no 5.º lugar. Aliás, é esse mesmo lugar que ocupa no top de vários países europeus: Croácia, Grécia, Itália. Nas Bahamas, está em 2.º lugar.
“Rabo de Peixe” chegou na passada sexta-feira à Netflix e tem sido um sucesso. Foi um dos 10 projetos vencedores do concurso de argumentistas promovido pela plataforma de streaming em parceria com o Instituto do Cinema e Audiovisual.
A série é uma produção Ukbar Filmes, escrita e criada pelo açoriano Augusto Fraga e com a realização de Fraga e Patrícia Sequeira.
Inspirada num evento real, "Rabo de Peixe" é um thriller que conta a história de quatro amigos cuja vida sofre uma reviravolta quando uma tonelada de cocaína dá à costa da pequena vila açoriana. Um caso que foi abordado pela SIC na Reportagem Especial “A ilha traída pelo mar”, emitida em agosto de 2019.
Esta é a segunda série portuguesa original da Netflix depois de "Glória", de Tiago Guedes, ter inaugurado em 2021 o catálogo nacional do serviço de streaming.
sábado, 20 de maio de 2023
O Reino de Portugal e dos Algarves de Costa Pinheiro
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| Costa Pinheiro, Fernando Pessoa - Heterónimo, Óleo sobre tela, 1978 |
O Reino de Portugal e dos Algarves de Costa Pinheiro
A sua obra era demasiado grande para um país que encolhera nos anos 60
Naquela hora estimada pelas feiticeiras, quando o sol se encontrava com a terra e a noite com o dia, tomado de saudades do país natal, nosso tio valia-se de cinza peneirada para cortar as sombras.
(Bernadette Lyra)
No seu livro Memória das Ruínas de Creta, a escritora brasileira Bernadette Lyra fala duma ilha, mítica e real, metamorfoseada numa nação que acolhe estrangeiros. Fala-nos da memória, da construção labiríntica daquilo que permanece dentre o muito, da nossa vivência, que se esvai: “Estrangeiro que era, nosso tio era prisioneiro do mar.”
Convocada a escrever sobre uma parte da obra do grande artista Costa Pinheiro, que viveu como estrangeiro dentro e fora do seu país, permiti-me convidar alguns autores que me acompanham desde sempre e que falam, como Costa Pinheiro o fez, de fora para dentro, de um lugar periférico, estrangeiro. De um lugar que não é apenas um país, mas toda uma mitologia.
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| Costa Pinheiro, Retrato Dela e Dele, Acrílico/Gouache sobre papel, 1995 |
“Um céu renascentista...” dizia Costa Pinheiro, enquanto fumava tranquilamente a sua cigarrilha. Com gestos lentos e voz grave, mostrava-nos o céu sobre nós. E mais adiante estava o mar. A noite era suave e havia brisa. Estávamos na serra a ver a cidade que, lá em baixo, parecia mais pequena do que era. E eu, cansada, depois de um dia exaustivo, desfrutava da companhia, do céu e da vista. Há dias em que faz bem afastar-se e ver as coisas de longe – tudo se relativiza. E a beleza que nos circunda, que muitas vezes não vemos, reaparece assim, plena, num céu de fim de tarde visto do cimo da serra. Um céu renascentista em pleno século XXI.
Essa é uma das memórias mais belas que tenho da minha convivência com o artista, que ensinava, quase sem nada dizer, a ver a beleza, a perceber a grandiosidade da arte e daquilo de que somos capazes de fazer quando olhamos e, verdadeiramente, vemos.
Conheci Costa Pinheiro quando ele aceitou dar aulas na então recém-criada licenciatura em Artes Visuais da Universidade do Algarve, em 2005. Os alunos não faziam ideia de que tinham diante de si um dos maiores nomes da Arte Contemporânea, não só portuguesa, mas europeia. A sua obra era demasiado grande para um país que encolhera nos anos 60, momento em que ele despontava como artista. Talvez a consciência dessa pequenez tenha impulsionado a criação da série de figuras emblemáticas, e míticas, a que chamou Os Reis.
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| Costa Pinheiro, Hétéronyme, Técnica mista sobre papel, 1976 |
Como escreveu Bernardo Pinto de Almeida, o gesto criador de Costa Pinheiro foi mal recebido e mal interpretado por muitos. Confundido com um rasgo nacionalista, não perceberam que era, antes de tudo, um gesto revolucionário, em suma, um gesto artístico – pois o artista não se permite agrilhoar nem se acobarda diante daquilo que o fustiga. A nação estava ideológica e politicamente apequenada e era preciso invocar a sua verdadeira grandeza, aquela que ajudou a reconfigurar o mapa do mundo, e retratar os que impulsionaram essa aventura. Mas Costa Pinheiro fê-lo de forma irónica, criando um conjunto de figuras que se tornaram emblemáticas – figuras de um jogo de cartas que não perderam ainda o sentido e cujas regras não se alteraram, mesmo que as figuras já não sejam as mesmas e que o pendor republicano, que subjaz à noção de democracia em Portugal, as tenha relegado para um canto obscuro da História, ou dos manuais escolares.

Costa Pinheiro, D. Pedro, Óleo sobre tela, 1966
Num livro sobre Goya, mais precisamente, sobre El Perro de Goya, o pintor Antonio Saura penetra nesse misterioso e, por vezes, esquecido, quadro do grande pintor aragonês. Na primeira aproximação à obra, Saura refere que a ilustração romântica nos dava a ver “la fiesta por dentro” talvez porque a fotografia ainda não havia chegado para registar “la fiesta por fuera.” E esse espaço entre o dentro e o fora é o que distingue, dentre outras coisas, a fotografia da pintura.
La pintura y la fotografia comienzan a serlo verdaderamente cuando una y otra se encuentran para distanciarse, no solamente en la fecha que la historia señala, sino también, en cuanto a la primera se refiere, com anterioridad a su combate liberador, y tanto más en su reciente transcurrir cada vez que el poder terrorífico de la imagen objetiva hace inútil su destino si no es a través del filtro espeso de su propia fenomenología.
Goya, o primeiro Moderno, como afirma Malraux, é um artista multifacetado, que pintou a corte, mas também deixou imagens vívidas daqueles que não participavam das benesses reais. O seu perro, de acordo com Saura, é um retrato da humanidade, cuja razão adormecida guiou em passos largos para o abismo, mas é também um autorretrato: o artista aragonês é o cão que tenta, desesperançadamente, manter-se à tona.
Podemos pensar que a obra de Costa Pinheiro e de Goya, além dos séculos que as separam, nada têm em comum. Ouso, no entanto, afirmar que Costa Pinheiro era um romântico – a contemporaneidade é permissiva o suficiente para abrigar dentro de si artistas que são grandes demais para um rótulo, que será sempre pequeno.
Os Reis de Costa Pinheiro são retratos da festa por dentro, ou seja, como figuras, mesmo que calcadas nas técnicas e ferramentas da Pop Art, negam a planura da imagem objetiva. São enigmáticas, dizem mais do que somos capazes de ver, e, sobretudo, dizem do artista, ele mesmo, um homem ousado e absolutamente contemporâneo, se se entender que o contemporâneo, como predisse Agamben, é aquele que está dentro e fora do seu próprio tempo. Que vê o antes e o depois através do tempo presente.
Se pensarmos que a figuração estava banida de parte significativa da arte Moderna, e que em Portugal, durante os anos 60, foi estigmatizada, permanecendo apenas na obra de alguns artistas (muitos dos quais estavam exilados), e que aos artistas estava reservado o lugar de combatentes do sistema ditatorial que sufocava o país, Costa Pinheiro foi extremamente ousado ao criar uma série de obras que retratavam, como escreve Bruno Marques:
(…) oito reis das duas primeiras dinastias que por ordem cronológica, se podem alinhar assim: D. Afonso I, D. Dinis I, D. Pedro I, D. Duarte I, D. João II, D. Manuel I, D. João III e D. Sebastião. Depois contam-se três rainhas, Dona Inês, Dona Leonor e Dona Filipa, às quais se junta ainda um notável cavaleiro e três príncipes, o condestável D. Nuno Álvares Pereira e três infantes da “ínclita geração”, o Navegador D. Henrique, o Santo D. Fernando e o D. Pedro das sete partidas.
A exposição foi vista pela primeira vez em Munique, onde Costa Pinheiro decidiu auto-exilar-se. Rendeu-lhe o Prémio Burda e imensa admiração pela obra de um artista único que conseguia tornar a sua obra maior que o seu tema, pois tratava de uma cronologia desconhecida da maior parte dos alemães. Tal facto, conforme Bernardo Pinto de Almeida, em vez de incentivar o artista, paralisou a sua criação. Deixou-o atónito com o sucesso alcançado, mas sentindo-se numa encruzilhada – sem querer repetir-se, não sabia muito bem que caminho trilhar a seguir.
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| Costa Pinheiro, Nyphemburg, Óleo sobre tela, 1983 |
Muitos, na verdade, foram os caminhos que ele percorreu, como diversas eram as técnicas, ferramentas e suportes que o acompanhavam. Mas ele gostava de ver-se a si mesmo como pintor. Pintor de uma obra que, em diversas ocasiões, se expandiu para fora das telas e criou corpo e ocupou espaço.
Entre 1969 e 1976, surgiu o projeto Citymobil, uma cidade utópica em que Costa Pinheiro convidava os habitantes das grandes cidades modernas a encontrar, na sua vivência opaca, o lúdico, a possibilidade de usar a imaginação para criar cidades impossíveis dentro da cidade real. Mais uma vez o jogo ocupa um lugar central na sua iconografia, das cartas de baralho dos Reis, aos móbiles de uma cidade que se queria viva e fluida.
Citymobil representa ainda, na obra do artista, o interregno entre a exposição Os Reis, de 1965, ao seu retorno à pintura, em 1976. É interessante que tenha sido essa a obra que escolheu revisitar quando, em 2009, Alexandre Barata (o artista Xana) e eu desafiamos alguns artistas a integrar o projeto de Arte Pública, Dialogue box on street Windows. Sob a orientação de Costa Pinheiro, criou-se um outdoor de grandes dimensões com uma fotografia do projeto – uma cidade imaginada dentro de uma cidade real, dentro de uma fotografia exposta noutra cidade, e noutro tempo. Uma espécie de mise en abyme que não é estranha ao trabalho de Costa Pinheiro.
Nessa exposição, no Museu Municipal de Faro, teremos a oportunidade de conhecer de perto a coleção do Galerista Mário Roque, composta não apenas dos quadros, mas também de desenhos que precederam muitas das obras. Num brilhante ensaio sobre essa coleção, Bruno Marques faz uma leitura acurada de cada obra e consegue vislumbrar, exatamente por ter a possibilidade de confrontar o percurso dos quadros nas várias versões que o precedem, nos experimentos que geraram outras obras, o processo de criação de Costa Pinheiro.
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| Costa Pinheiro, Dona Inês de Castro, Óleo sobre tela, 1966 |
O Reino de Portugal e dos Algarves na obra de Costa Pinheiro é uma forma da região que o artista escolheu para viver, depois de voltar do seu exílio alemão, para manter viva a memória de alguém que, constantemente, destruiu barreiras e construiu um percurso único na Arte Contemporânea. Um percurso repleto de memórias e de revisitações a um país tão seu, mas também estrangeiro. Com os seus reis, rainhas, infantes e um notável cavaleiro, Costa Pinheiro põe-nos a pensar no que escreveu Bachelard:
Será necessário, consequentemente, do ponto de vista da própria vida, tentar compreender o passado pelo presente, longe de tentar incessantemente explicar o presente pelo passado.
terça-feira, 14 de março de 2023
Dalton Trevisan / Três tiros na tarde
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| Dalton Trevisan |
Dalton Trevisan
Três tiros na tarde
domingo, 12 de março de 2023
quarta-feira, 8 de março de 2023
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
Dik Browne / Hagar o Horrível
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| Dick Browne |
Dik Browne
Nascido Richard Arthur Allan Browne em 11 de agosto de 1917 na cidade de Nova York, criou-se no bairro do Bronx. Aos 16 anos já era revisor no American Journal, onde conheceu o mundo dos artistas. Tentou a carreira de repórter, mas não deu certo. Foi quando descobriu seu talento para o desenho. Veio a guerra e Dik serviu na divisão de cartógrafos, na Alemanha. Depois do conflito, foi trabalhar na Newsweek ilustrando reportagens. Em 1954, surgiu a série Hi & Lois, que lhe rendeu o Reuben Award da National Cartoonists Society como o melhor quadrinhista de 1962. Hagar só nasceria em 5 de fevereiro de 1973, série que lhe rendeu outro Reuben Award nesse mesmo ano, tornando-se o único quadrinhista a ser homenageado por dois trabalhos diferentes. Morreu em 4 de junho de 1989, em Sarasota, mas o personagem Hagar continua vivo até hoje pela mãos do filho de Dik, Chris.
O viking mais famoso de todos os tempos vem aí! Seguindo as mais nobres tradições nórdicas, Hagar, o horrível, precisa se defender dos inimigos e, sobretudo, cuidar da família. Mas apesar de atravessar mares, enfrentar tempestades e vencer batalhas, o que importa mesmo para esse grande guerreiro é... o jantar!
Quebrando todos os recordes, Hagar apareceu em centenas de jornais logo na estreia, em 4 de fevereiro de 1973 – mais que qualquer outro quadrinho antes disso. Esta primeira parte da saga reúne todas as tiras diárias publicadas entre 5 de fevereiro de 1973 e 8 de junho de 1974, período que ajudou a tornar Hagar um dos mais populares personagens de todos os tempos. Pegue o seu capacete e sua espada: vamos partir para uma época em que os vikings eram barbudos, gorduchos e preguiçosos
“Nosso pai, Dik Browne, era o próprio Hagar, o horrível. Grande e forte, gordo e barbudo, durão e afetuoso, divertido e esperto, e humano o tempo todo. Ele adorava história e amava sua família, então criou Hagar, uma combinação das duas coisas. Ele espelhou a família de Hagar na nossa. Hagar era uma espécie de Tony Soprano do século XI – ele faria qualquer coisa para sustentar e proteger sua família.” Trecho da introdução de Chris & Chance Browne
“Um grande historiador certa vez afirmou que a história é como um rio sangrento e flamejante que atravessa os séculos. Mas em suas margens as pessoas se ocupam apenas com as coisas de sempre – criar os filhos, pagar as contas, fazer amor, jogar dados, enfim... É mais ou menos assim que me sinto em relação a Hagar, o horrível. Ele é um guerreiro viking, e sem dúvida nenhuma um bárbaro, mas também é um homem de família, um marido carinhoso e um pai dedicado.” - Dik Browne
terça-feira, 13 de dezembro de 2022
Morreu Wolf Erlbruch, ilustrador de livros infantis
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| Wolf Erlbruch |
Morreu Wolf Erlbruch, ilustrador de livros infantis
O ilustrador e escritor alemão de livros infantis Wolf Erlbruch, vencedor do Prémio Memorial Astrid Lindgren, morreu no domingo, em Wuppertal, aos 74 anos, anunciou hoje a sua editora.
12 de decembre de 2022
"Lamentamos a perda do nosso autor, ilustrador e companheiro de longa data Wolf Erlbruch", indica a Peter Hammer Verlag, em comunicado de imprensa, acrescentando que o autor "foi um dos artistas de livros ilustrados de maior renome internacional".
A ilustração da história "A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça", de Werner Holzwarth, tornou-se o ponto de partida da sua carreira como ilustrador de livros, em 1989.
Com 17 livros ilustrados, 20 edições de calendários para quartos de crianças e inúmeras capas, "moldou o rosto da editora durante décadas e estabeleceu padrões artísticos", acrescenta a Peter Hammer Verlag. Outra editora dos seus livros, Carl Hanser Verlag, declarou que se perdeu "um artista com uma linguagem visual inconfundível".
Para esta casa editorial fundada em 1928, Wolf Erlbruch foi "um desenhador excecional, mas sobretudo um 'designer' e ilustrador inovador", que se afirmou como um definidor de estilo para cada nova geração até aos dias de hoje, através do seu manuseamento invulgar de tecnologia e material visual".
Nascido em junho de 1948, em Wuppertal, onde viveu sempre, estudou design gráfico, tendo depois trabalhado como freelancer na indústria da publicidade.
Publicou ilustrações em revistas internacionais, incluindo Esquire, GQ Magazine New York, Stern, Transatlantic e Twen.
Ao todo, é autor de cerca de 30 livros, pelos quais recebeu vários prémios, incluindo o Prémio Alemão de Literatura Juvenil (por diversas vezes e também pela obra de vida), o prémio internacional mais importante na área da literatura infantojuvenil, o Prémio Hans Christian Andersen, em 2006, e o Prémio Memorial Astrid Lindgren, em 2017.
Foi várias vezes distinguido com o prémio de ilustração do Art Director Club (ADC), em Nova Iorque.
Wolf Erlbruch exerceu como professor de ilustração na Universidade de Ciências Aplicadas de Dusseldorf, de 1990 a 1997, como professor no Departamento de Arte de Design Arquitetónico na Bergische Universität Wuppertal de 1997 a 2009, e como professor de ilustração na Folkwang University of the Arts em Essen de 2009 a 2011.
Além do livro "A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça", estão publicados em Portugal "O mistério do urso" e "A grande questão", escritos e ilustrados por Wolf Erlbruch.
Prémio da Feira de Bolonha para melhor livro na categoria de ficção, "A grande questão", destinado a crianças entre os 3 e os 6 anos, procura responder à mais defícil de todas as perguntas, colocadas por uma criança: “Porque estou aqui na Terra?”
Plano a plano, ao longo do livro, o autor dá respostas através de diferentes personagens, do irmão mais velho ("Para celebrares o teu aniversário"), aos pais ("Porque a tua mãe e eu nos amamos (...) estás aqui para te amar") e à avó ("Para eu te poder mimar"), sem esquecer outras personagens como um pato ("Não faço ideia"), um gato ("Vieste ao mundo para ronronar. Também um pouco pelos ratos") ou um pássaro ("Para cantares a tua canção"). No final do livro, são deixadas folhas em branco, para que a criança possa, por ela mesma, ao longo do tempo, dar novas respostas à "grande questão".
Quando escreveu "Duck, Death And The Tulip", o autor tinha por objetivo ajudar os mais novos a lidar com a ideia da morte: "Porque me segues tão de perto, sem fazer ruído?", pergunta o pato. "Alegro-me por finalmente me teres visto. Sou a morte", responde esta.
"Tenho estado a teu lado, desde o dia em que nasceste".
Em "A grande questão", a própria morte dá também outro motivo para se estar vivo:
"Amar a vida".
































