terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Morre Robert Duvall, estrela de 'O poderoso chefão' e 'Apocalypse Now', aos 95 anos

 

Ator Robert Duvall

Por 
Lucas Salgado
 — Rio de Janeiro

 



Faleceu neste domingo (15), aos 95 anos, o lendário ator Robert Duvall, conhecido pelo trabalho em filmes clássicos como "O poderoso chefão" e "Apocalypse Now". A morte foi confirmada pela esposa do ator, Luciana Duvall, em post no Facebook.




Robert Duvall

"Ontem nos despedimos do meu amado marido, querido amigo e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob faleceu em paz em casa, cercado de amor e conforto. Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo. Sua paixão pela arte só era comparável ao seu profundo amor por personagens, uma boa refeição e por receber visitas. Em cada um de seus muitos papéis, Bob se entregou completamente aos seus personagens e à verdade do espírito humano que eles representavam. Ao fazer isso, ele deixa algo duradouro e inesquecível para todos nós. Obrigada pelos anos de apoio que vocês demonstraram a Bob e por nos darem este tempo e privacidade para celebrar as lembranças que ele deixa", destacou nota oficial.


Robert Duvall


Nascido em San Diego, na Califórnia, 5 de janeiro de 1931, Robert Duvall começou sua carreira como ator nos palcos Off Broadway em meados dos anos 1950. Em seguida, realizou pequenos papéis na televisão americana, no início dos anos 1960. A estreia na tela grande veio em grande estilo, atuando em "O sol é para todos" (1962), clássico dirigido por Robert Mulligan e estrelado por Gregory Peck. 

Apesar do luxuoso debute cinematográfico, os anos seguintes foram essencialmente de trabalhos na TV. O ator participou de séries como "Route 66", "Além da imaginação", "Quinta dimensão", "O fugitivo", "O falcão" e "O túnel do tempo", dentre outras. Até que o final da década de 1960 chegou com dois grandes projetos: "Bravura indômita" (1969), de Henry Hathaway, e "Caminhos mal traçados" (1969), de Francis Ford Coppola. 

"Caminhos mal traçados" marcaria o início de uma duradoura parceria com Coppola. Os dois se reencontrariam dois anos depois em "THX 1138" (1971), ficção científica dirigida por George Lucas e produzida por Coppola. 

Foi com Coppola que Duvall realizou o trabalho que marcaria sua trajetória: "O poderoso chefão" (1972). Na pele do consigliere Tom Hagen, Duvall foi um coadjuvante de muito luxo em um elenco estelar, trabalhando ao lado de Marlon Brando, Al Pacino, Diane Keaton, James Caan e outros. O trabalho rendeu ao ator sua primeira de sete indicações ao Oscar. O personagem do ator retornou em "O poderoso chefão: Parte II" (1974).

Robert Duvall como Tom Hagen em cena de "O poderoso chefão" — Foto: Divulgação
Robert Duvall como Tom Hagen em cena de "O poderoso chefão" — Foto: Divulgação

Outro clássico encontro entre Duvall e Coppola ocorreu em "Apocalypse Now" (1979), no qual o ator é responsável pela fala mais icônica da produção: "Adoro o cheiro de napalm pela manhã". O trabalho lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar. Ele também concorreu por "O grande Santini — O dom da fúria" (1980), "O apóstolo" (1997), "A qualquer preço" (1998) e "O juiz" (2014), e venceu por "A força do carinho" (1983). No drama de Bruce Beresford, Duvall interpreta um cantor de música country que está se recuperando do alcoolismo. 

Ao longo de sua trajetória, além da estatueta do Oscar, Duvall conquistou um BAFTA (por "Apocalypse Now"), um SAG Awards (por "A qualquer preço"), dois Emmys (como produtor e ator da minissérie "Rastro perdido") e quatro Globos de Ouro (por "Apocalypse Now", "A força do carinho", "Os pistoleiros do Oeste" e "Stalin"), além de dois troféus de melhor ator no Festival de Veneza (por "Confissões verdadeiras" e "Ataque em alto mar").


Robert Duvall


Ao lado de nomes como Robert De Niro e Dustin Hoffman, Duvall ficou marcado por um tipo de naturalismo rude presente em obras como "Rede de intrigas" e "O apóstolo", filme que também dirigiu. 

Robert Duvall soube como poucos transformar papéis de coadjuvantes em destaques de suas obras, o que fez durante toda sua carreira. Participou de obras populares como "Dias de trovão" (1990) e "Um dia de fúria" (1993), além de produções independentes relevantes como "O jornal" (1994) e "Os donos da noite" (2007). O ator estava afastado das telas desde 2022, quando lançou "Arremessando alto", com Adam Sandler, e "O pálido olho azul", com Christian Bale. 

Apesar do sobrenome em comum, Robert Duvall não tinha qualquer parentesco com a atriz Shelley Duvall, conhecida pelo trabalho em "O iluminado". A atriz faleceu em 2024. 

Duvall deixa a esposa, a atriz argentina Luciana Duvall, com quem trabalhou em "O tango e o assassino". Ele não deixa filhos.


O GLOBO

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