sábado, 21 de março de 2015

Vargas Llosa / A piedade dos morcegos

Mario Vargas Llosa

A piedade dos morcegos

Em sua última obra, Tom Stoppard nos confronta com um tremendo dilema de decidir se os valores resultam de uma fatídica operação química neurológica do cérebro, ou se por trás de tudo há um agir deliberado


FERNANDO VICENTE
Você sabia que os morcegos que saem para caçar à noite voltam à gruta com a boca cheia de um sangrento alimento para dar de comer a seus congêneres incapazes de se valerem por si mesmos? Pergunte-se então, depois de ficar sabendo desse fato objetivo, se tal conduta desses roedores voadores, silenciosos e cegos poderia ser chamada de “consciência” ou “piedade” e ser, portanto, algo equivalente ao que faz em As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, a personagem apelidada como Rose of Sharon, que amamenta com o leite de seu filho (que nasceu morto) um ancião agonizante. Esse é o dilema que se coloca e coloca para nós, os espectadores – The Hard Problem –, a simpática e inteligente Hilary, personagem principal da última peça de Tom Stoppard, que acaba de estrear no National Theatre, de Londres.
Talvez Stoppard, provavelmente o mais original e ousado dramaturgo moderno, seja o único autor contemporâneo capaz de levar ao palco uma história com uma temática que combina a neurobiologia, a química, a psicologia e a teologia, além de manter os espectadores durante uma hora e 45 minutos imóveis em suas cadeiras, estupefatos e enfeitiçados, enquanto, sem compreender totalmente o que está acontecendo, seguem as peripécias intelectuais e morais que vive a indócil Hilary durante a preparação de sua tese de doutorado no Instituto Krohl. Ela está rodeada de cientistas descrentes que, como seu orientador Spike, zombam de sua fé e de suas orações antes de dormir e creem, grosso modo, que a chamada consciência humana não constitui uma dimensão espiritual independente do corpo, e sim que não é nada mais – e nada menos – do que um produto resultante dos cruzamentos, descruzamentos, conformações e até confusões dos cem bilhões, aproximadamente, de neurônios que formam o cérebro humano.
A obra não pretende nos educar, propondo uma solução materialistaou idealista à indagação que tira o sono das noites de Hilary; ela simplesmente, depois de nos apresentar as razões e provas que os partidários das duas teses esgrimem, nos abandona na encruzilhada para decidirmos por nossa conta se optamos, como Hilary, por acreditar que o humano não se esgota no físico, e sim que consta também de uma dimensão não física – alma, espírito, consciência ou como se queira chamá-la –, ou, então, se optamos por alguma das sutis e complicadas fórmulas dos sábios ou sofistas que sustentam o oposto, ou seja, que somos apenas o que temos no corpo. O grande mérito da obra de Stoppard é mostrar que não existe uma resposta racional e objetiva para The Hard Problem:que, qualquer que seja a solução pela qual optemos, será sempre não uma fórmula lógica irrefutável, mas sim um ato de fé. Como se Deus existe ou não, se existe outra vida além desta, e se uma religião verdadeira prevalece entre as existentes ou são todas falsas. Nada disso poderá ser provado cientificamente, como pensam os arrogantes pesquisadores microbiológicos do Instituto Krohl, e, portanto, o debate não terminará nunca e continuará perturbando a espécie humana para sempre.

Sempre admirei nele seu desprezo pela facilidade e pelas modas e a insolência com que sempre escreveu as histórias que eram importantes para ele
Em algumas das críticas que The Hard Problem recebeu, pergunta-se se não acaba sendo temerário colocar no palco uma problemática tão abstrata e distante dos conflitos cotidianos que costumam divertir, intrigar ou comover os espectadores. Claro que têm razão. A obra não é nada fácil, exige um grande esforço de concentração para não se extraviar entre os raciocínios, referências científicas ou delirantes sofismas que, disfarçados com uma pretensiosa retórica acadêmica, chovem sobre a valente Hilary. Mas o teatro de Stoppard não foi sempre assim, escorregadio e exigente? Desde que vi, nos anos sessenta londrinos, sua maravilhosa Rosencrantz and Guildenstern Are Dead, até a última, Rock’nRoll, sempre admirei nele seu desprezo pela facilidade e pelas modas e a insolência com que sempre escreveu as histórias que eram importantes para ele, algumas tão delirantes como as dos filósofos acrobatas deJumpersou do ancião arteriosclerótico de Travesties que, entre as remelas da sua memória, tenta lembrar se naquela Zurique onde foi empregado do consulado britânico alguma vez chegou a esbarrar nos três ilustres exilados que coincidiram com ele naquela cidade: Joyce,Lênin e Tristan Tzara.
Seu grande mérito é ter conseguido que esse seu teatro de assuntos complexos e difíceis – um teatro de ideias nestes tempos de frenética frivolidade! – tenha chegado a conquistar um vasto público, subornando-o graças a seu humor centro-europeu e ao mesmo tempo britânico (uma herança de seus ascendentes checos), no qual há ironia, sarcasmo, grandiloquência, delírio e, sempre, uma ternura compassiva para com todas as extravagâncias e excessos dos bípedes humanos. Em The Hard Problem o humor está muito menos presente que em outras peças, e talvez por isso ela vença com menos facilidade as resistências de um público acostumado a ir ao teatro só para espairecer e se divertir, não para embrulhar o cérebro com perguntas sobre se isto que estamos vivendo aqui é nossa única vida, e se somos um mero produto das casualidades astrais ou filhos de uma criação transcendental, do capricho ou da sabedoria ininteligível de uma divindade arbitrária, o que indicaria que existe outra vida, mais esquiva e permanente, e muito mais difícil de imaginar do que esta que vai escapando das nossas mãos a cada dia.

Seu grande mérito é ter conseguido que esse seu teatro de assuntos complexos tenha chegado a um vasto público
Por que saímos desta última obra de Stoppard incomodados e até angustiados? Os atores são magníficos, a montagem está impecável, e o que acontece no palco é inquietante. Talvez por este último. Não estamos acostumados a obras de teatro – ou romances – que nos imponham a responsabilidade de ter a última palavra, de decidir qual é a conclusão daquilo que acabamos de ler ou ver representado e, sobretudo, no caso de The Hard Problem, enfrentar o tremendo dilema de decidir se os valores, a generosidade, a bondade, o amor e a amizade que existem em nós, ou se a maldade, o egoísmo, a mesquinharia, o rancoroso e o perverso que também nos habitam, resultam de uma fatídica operação química neurológica de nosso cérebro, ou se por trás de tudo isso existe aquilo que os existencialistas chamavam de escolha, um agir deliberado, decidido por uma consciência não condicionada biologicamente, que é livre e, por isso, nos torna responsáveis por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer.
A noite está fria em Londres depois do teatro, mas não chove, e é agradável caminhar às margens do Tâmisa, vendo as luzes e as pessoas animadas nas mesas das calçadas e a multidão de jovens que saem da cinemateca onde está acontecendo um festival de filmes escandinavos. Somos, quando agimos de uma maneira nobre e desinteressada, idênticos aos repelentes morcegos cujo instinto de sobrevivência da espécie incita a levar sangue na boca a seus congêneres inválidos? Ou existe, na Rose of Sharon inventada por John Steinbeck, que dá de mamar de seus peitos ao velho faminto, algo além de um processo químico biológico que faria dela uma autômata, um robô que imita a caridade? É algo impossível de averiguar, é algo que devemos decidir e atuar de forma consequente. Pois o que está em jogo, no fundo desse duro problema, não é se Deus existe ou não, mas se somos livres ou não. Se os cem milhões de neurônios que, pelo visto, vibram em nosso cérebro decidem nossos afetos e defeitos, nossas virtudes e vícios, não somos livres; aparentamos uma liberdade que não temos, pois nossa conduta está dirigida fatidicamente por aqueles microscópicos organismos que pululam por nosso corpo. Não nos convém que seja assim, mesmo que seja. A liberdade, embora às vezes pareça apenas uma mímica nossa, termina por se emancipar de toda forma de behaviorismo e, embora dito desta forma acabe sendo uma cacofonia, praticá-la nos torna livres. A longa história da humanidade não seria, por acaso, uma teimosa luta para escapar desses condicionamentos físicos, naturais, nos quais ficaram presos os animais e dos quais nós, seres humanos, fomos nos liberando depois de inumeráveis aventuras, quedas e reerguimentos? Como todas as boas obras de teatro, The Hard Problem, de Tom Stoppard, começa realmente só depois que o espetáculo termina.

EL PAÍS




PESSOA


sexta-feira, 20 de março de 2015

Grimm / O fiel João

Jacob Grimm
Wilhelm Grimm

O fiel João

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm


Grim / El fiel Juan (De otros mundos)


Houve uma vez, um velho rei que, sentindo-se muito doente pensou:

"Este será o meu leito de morte!" – disse então aos que o cercavam:

- Chamem o meu fiel João.

O fiel João era o seu criado predileto, assim chamado porque durante toda a vida, fora-lhe extremamente fiel. Portanto, quando se aproximou do leito onde estava o rei, este lhe disse:
- Meu fidelíssimo João, sinto que estou me aproximando do fim; nada me preocupa, a não ser o futuro do meu filho; é um rapaz ainda inexperiente e, se não me prometeres ensinar-lhe tudo e orientá-lo no que deve saber, assim como ser para ele um pai adotivo, não poderei fechar os olhos em paz.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Grimm / O lobo e as sete crianças


Jacob Grimm
Wilhelm Grimm

O lobo e as sete crianças


Era uma vez uma velha cabra que tinha sete cabritinhos e os amava, como uma boa mãe pode amar os filhos. Um dia, querendo ir ao bosque para as provisões do jantar, chamou os sete filhinhos e lhes disse:
- Queridos pequenos, preciso ir ao bosque; cuidado com o lobo; se ele entrar aqui, come-vos todos com uma única abocanhada. Aquele patife costuma disfarçar-se, logo o reconhecereis, porém, pela voz rouca e pelas patas negras.

Os cabritinhos responderam:

- Podeis ir sossegada, querida mamãe, ficaremos bem atentos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Grimm / A história do jovem em busca de saber o que é o medo



Jacob Grimm

Wilhelm Grimm

A história do jovem em busca de saber o que é 

o medo

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm



Um pai tinha dois filhos, o mais velho deles era sábio e sensato, e sabia fazer de tudo, mas o mais jovem era tolo, e não conseguia aprender nem entender nada, e quando as pessoas o viam, elas diziam:

- "Este é um garoto que dará muito trabalho ao pai!"

Quando algo precisava ser feito, era sempre o mais velho que fazia, mas se o seu pai pedia ao mais velho que fosse buscar qualquer coisa quando já era tarde, ou já estivesse escuro, e o caminho tivesse de passar perto do cemitério, ou de qualquer outro lugar assustador, ele respondia:

- "Oh não, pai, eu não vou lá, isso me causa arrepios!" porque ele sempre tinha medo.

terça-feira, 17 de março de 2015

Grimm / A protegida de Maria


Jacob Grimm

Wilhelm Grimm

A PROTEGIDA DE MARIA 

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm


Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. Eles tinham apenas uma filha, que era uma menina de três anos. Mas eles eram tão pobres que não tinham mais o pão de cada dia e já não sabiam o que haveriam de dar-lhe para comer. Certa manhã o lenhador foi com grande preocupação até a floresta para cuidar de seu trabalho e, quando estava cortando lenha, lá apareceu de repente uma mulher alta e bela que trazia na cabeça uma coroa de estrelas cintilantes e lhe disse "Sou a Virgem Maria, mãe do Menino Jesus, e tu és pobre e necessitado: traga-me tua filha, vou levá-la comigo, ser sua mãe e cuidar dela." O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e entregou-a à Virgem Maria, que a levou consigo para o Céu. Lá a menina passava muito bem, comia pão doce e bebia leite açucarado, e seus vestidos eram de ouro, e os anjinhos brincavam com ela. Quando completou quatorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse "Querida menina, partirei em uma longa viagem; tome sob tua guarda as chaves das treze portas do reino celestial; tu poderás abrir doze delas e contemplar os esplendores que há lá dentro, mas a décima terceira, cuja chave é esta pequena aqui, está proibida para ti: cuidado para não abri-la, pois seria a tua infelicidade." A menina prometeu ser obediente e, quando a Virgem Maria havia partido, começou a olhar os cômodos do reino celestial: a cada dia abria um deles, até que todos os doze tinham sido vistos. Em cada um dos cômodos estava sentado um apóstolo cercado de grande esplendor, e toda aquela suntuosidade e magnificência dava grande alegria a ela, e os anjinhos, que sempre a acompanhavam, alegravam-se também. Até que, então, faltava apenas a porta proibida, e ela sentiu um grande desejo de saber o que estava escondido atrás dela. Por isso disse aos anjinhos "Não abrirei a porta por inteiro e também não entrarei, mas vou entreabri-la para olharmos um pouquinho pela fresta." - "Oh, não," disseram os anjinhos, "seria um pecado: a Virgem Maria proibiu fazer isso, além do mais, isso poderia facilmente trazer-te a desgraça." Então ela se calou, mas o desejo não silenciou em seu coração, mas, ao contrário, continuou roendo e corroendo-a com força, não lhe permitindo ficar em paz. E certa vez, quando os anjinhos haviam todos saído, pensou "Agora estou totalmente sozinha e poderia olhar lá dentro, afinal, ninguém ficará sabendo o que fiz." Procurou a chave e, tão logo a apanhou, enfiou-a na fechadura e, uma vez ela estando lá, sem pensar duas vezes, girou-a. A porta abriu de um salto e ela viu a Trindade sentada em meio ao fogo e à luz. Ficou parada um momento, observando tudo com assombro, depois tocou de leve com o dedo aquela luz, e o dedo ficou totalmente dourado. No mesmo instante foi tomada de intenso pavor, bateu a porta com força e correu dali. Mas o pavor não diminuía, ela podia fazer o que fosse mas o coração continuava batendo acelerado e não havia como acalmá-lo: assim também o ouro continuou no dedo e não saía de jeito algum, não importa o quanto lavasse e esfregasse.

Grimm / Gato e rato em companhia



Jacob Grimm

Wilhelm Grimm

GATO E RATO EM COMPANHIA


Um conto de fadas dos Irmãos Grimm

Um gato tinha feito o conhecimento de um rato, e tinha dito que ele fez amor e amizade, enfim o mouse concordou em casar com ele e viver juntos. "Mas temos que pensar sobre o inverno, porque senão passam fome," disse o gato. "Tu, ratinho, não pode se aventurar em todos os lugares, finalmente pego em uma armadilha." Seguindo, então, esse conselho pró-ativa, comprei um pote de manteiga. Mas então ele introduziu o problema de onde ele iria manter até que, após longa reflexão, o gato, "Olha, o melhor lugar é a igreja. Aqui ninguém se atreve a roubar nada. É sob o altar e não tocá-lo até que seja necessário. "Então, o pote foi armazenado de forma segura. Mas o tempo não muito tinha passado quando, um dia, o gato parecia tentar o doce e disse que o mouse, "Hey mouse, pouco, um primo meu me fez o padrinho de seu filho nasceu-lhe apenas um garotinho com manchas de pele branca marrom, e quer-me para levá-lo à pia batismal. Então, hoje eu tenho que sair, você cuidar da casa. "-" Muito bem ," respondeu o rato," Vai-te em nome de Deus, e se você receber algo bom para comer, lembre-se de mim. Eu também gostaria de beber um pouco de vinho do partido. "Mas foi tudo mentira, e que o gato não tinha primo, e pediu para ser o padrinho. Ele foi direto para a igreja, rastejou até o pote de gordura, começou a lamber e ser lambido fora da camada externa. Em seguida, aproveitou a oportunidade para dar um passeio sobre os telhados da cidade, em seguida, colocar no sol, lambendo os bigodes sempre que ele se lembrou da panela de gordura. Não voltar para casa até escurecer. "Bem, você está de volta," disse o rato ," certamente deve ter tido um bom dia." - "Nada mal," respondeu o gato. "O nome que eles dão à criança?," Perguntou o mouse. "Off," disse o gato muito friamente. "Originalmente," exclamou seu amigo "Vá nome estranho e raro! É comum em sua família? "-" O que isso importa "disse o Gato. "Não é pior do que Robamigas, como são seus pais." Pouco depois que o gato era uma outra vontade, eo rato disse: "Você vai voltar para me o favor de cuidar da casa, mais uma vez pedir-me para ser o padrinho e como a criança tem um anel branco em torno do seu pescoço, eu não posso recusar. "O bom mouse, concordou, eo gato penetrou por trás do muro da cidade para ir à igreja, comeu metade do pote de gordura. "Nada tem um gosto tão bom," disse ele, a si mesmo como o que se come. E ele estava bastante satisfeito com a tarefa do dia. Ao chegar a casa o rato perguntou: "Como é que eles dão essa criança batizada" - "Metade," respondeu o gato. "" Metade? Que idéia! Eu nunca tinha ouvido esse nome eu aposto que não está no calendário. "Não demorou muito para que o gato vai fazer-lhe a boca outra vez para a água deliciosa. "As coisas boas sempre vão em grupos de três," disse o rato. "Mais uma vez eu pedi para ser o padrinho, desta vez, pouco é preto, só que tem patas brancas Caso contrário, não tem um fio de cabelo branco sobre o corpo. Isso acontece muito raramente. Não me deixe ir, né? "-" Originalmente, Half ," respondeu o mouse. "Esses nomes me dá muito que pensar." - "Como você o dia todo em casa com seu fraque cinza e sua longa trança," disse o gato, "Claro, você tem hobbies. . Estes pensamentos vêm para você não sair "Durante a ausência de seu companheiro, o mouse virou-se para ordenar a casa e deixá-lo como a prata, mas o gato ganancioso devorou??o resto da gordura do pote:" É bem verdade que um não à vontade até você ter limpado tudo ," disse para si mesmo, e saciado como um barril, não voltar para casa até tarde da noite. O rato não tinha tempo para perguntar o nome tinha sido dado para o terceiro filho. "Você não vai gostar também," disse o gato. "É chamado de Concluído." - "Concluído," disse o Rato. "Este é realmente o nome mais bizarro de todos. Nunca vi isso na imprensa. Pronto! O que isso significa? "Então ela balançou a cabeça, enrolada e fui dormir. Uma vez que ninguém convidou o gato para ser padrinho, até que, chegado o inverno ea ninharia escasso, porque nada estava nas ruas, o rato pensou em seus suprimentos de emergência. "Vá, gato, encontramos o pote de loja que gordura e agora vamos saborear boa." - "Sim," respondeu o gato, "você sabe quando você puxar a língua para fora da janela." Eles saíram e , para chegar à cache, lá estava o pote, de fato, mas vazio. "Ai de mim," disse o rato. "Agora eu entendo, agora eu vejo claramente o que um bom amigo que você é. Você comeu tudo, quando você estava servindo como padrinho, o primeiro fora, então a metade, então ... "-" Você vai calar a boca ," gritou o gato. "Se você adicionar outra palavra, eu devorar você" - "foi," já estava na boca do rato pobre. Ele não podia suportar a palavra, e não foi mal lançado, o gato saltou sobre ela, agarrou-a, engoliu um bocado. Assim são as coisas deste mundo.


* * * FIM * * *


segunda-feira, 16 de março de 2015

Grimm / O Principe Rã


Jacob Grimm
Wilhelm Grimm
O principe Rã


O Principe Rã ou Henrique de Ferro

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm




Há muito tempo, quando os desejos funcionavam, vivia um rei que tinha filhas muito belas. A mais jovem era tão linda que o sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava seu rosto.
Perto do castelo do rei havia um bosque grande e escuro no qual havia um lagoa sob uma velha árvore.
Quando o dia era quente, a princesinha ia ao bosque e se sentava junto à fonte. Quando se aborrecia, pegava sua bola de ouro, a jogava alto e recolhia. Essa bola era seu brinquedo favorito. Porém aconteceu que uma das vezes que a princesa jogou a bola, esta não caiu em sua mão, mas sim no solo, rodando e caindo direto na água.
A princesa viu como ia desaparecendo na lagoa, que era profunda, tanto que não se via o fundo. Então começou a chorar, mais e mais forte, e não se consolava e tanto se lamenta, que alguém lhe diz:
- Que te aflige princesa? Choras tanto que até as pedras sentiriam pena. Olhou o lugar de onde vinha a voz e viu um sapo colocando sua enorme e feia cabeça fora da água.
- Ah, és tu, sapo - disse - Estou chorando por minha bola de ouro que caiu na lagoa.
- Calma, não chores -, disse o sapo; Posso ajudar-te, porém, que me darás se te devolver a bola?
- O que quiseres, querido sapo - disse ela, - Minhas roupas, minhas pérolas, minhas jóias, a coroa de ouro que levo.
O sapo disse:
- Não me interessam tuas roupas, tuas pérolas nem tuas jóias, nem a coroa. Porém me prometes deixar-me ser teu companheiro e brincar contigo, sentar a teu lado na mesa, comer em teu pratinho de ouro, beber de teu copinho e dormir em tua cama; se me prometes isto eu descerei e trarei tua bola de ouro."
- Oh, sim- disse ela - Te prometo tudo o que quiseres, porém devolve minha bola; mas pensou- Fala como um tolo. Tudo o que faz é sentar-se na água com outros sapos e coachar. Não pode ser companheiro de um ser humano.
O sapo, uma vez recebida a promessa, meteu a cabeça na água e mergulhou. Pouco depois voltou nadando com a boa na boa, e a lançou na grama. A princesinha estava encantada de ver seu precioso brinquedo outra vez, colheu-a e saiu correndo com ela.
- Espera, espera - disse o sapo; Leva-me. Não posso correr tanto como tu - Mas de nada serviu coachar atrás dela tão forte quanto pôde. Ela não o escutou e correu para casa, esquecendo o pobre sapo, que se viu obrigado a voltar à lagoa outra vez.
No dia seguinte, quando ela sentou à mesa com o rei e toda a corte, estava comendo em seu pratinho de ouro e algo veio arrastando-se, splash, splish splash pela escada de mármore. Quando chegou ao alto, chamou à porta e gritou:
- Princesa, jovem princesa, abre a porta.
Ela correu para ver quem estava lá fora. Quando abriu a porta, o sapo sentou-se diante dela e a princesa bateu a porta. Com pressa, tornou a sentar, mas estava muito assustada. O rei se deu conta de que seu coração batia violentamente e disse:
- Minha filha, por que estás assustada? Há um gigante aí fora que te quer levar?
- Ah não, respondeu ela - não é um gigante, senão um sapo.
- O que quer o sapo de ti?
- Ah querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como gritei muito, o sapo a devolveu, e porque insistiu muito, prometi-lhe que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água.
Entretanto o sapo chamou à porta outra vez e gritou:
- Princesa, jovem princesa, abre a porta. Não lembras que me disseste na lagoa?
Então o rei disse:
- Aquilo que prometeste, deves cumprir. Deixa-o entrar.
Ela abriu a porta, o sapo saltou e a seguiu até sua cadeira. Sentou-se e gritou: - Sobe-me contigo.
Ela o ignorou até que o rei lhe ordenou. Uma vez que o sapo estava na cadeira, quis sentar na mesa. Quando subiu, disse:
- Aproxima teu pratinho de ouro porque devemos comer juntos.
Ela o vez, porém se via que não de boa vontade. O sapo aproveitou para comer, porém ela enjoava a cada bocado. Em seguida disse o sapo:
- Comi e estou satisfeito, mas estou cansado. Leva-me ao quarto, prepara tua caminha de seda e nós dois vamos dormir.
A princesa começou a chorar porque não gostava da idéia de que o sapo ia dormir na sua preciosa e limpa caminha. Porém o rei se aborreceu e disse:
- Não devias desprezar àquele que te ajudou quando tinhas problemas.
Assim, ela pegou o sapo com dois dedos, e a levou para cima e a deixou num canto. Porém, quando estava na cama o sapo se arrastou até ela e disse:
- Estou cansado, eu também quero dormir, sobe-me senão conto a teu pai.
A princesa ficou então muito aborrecida. Pegou o sapo e o jogou contra a parede.
- Cale-se, bicho odioso; disse ela.
Porém, quando caiu ao chão não era um sapo, e sim um príncipe com preciosos olhos. Por desejo de seu pai ele era seu companheiro e marido. Ele contou como havia sido encantado por uma bruxa malvada e que ninguém poderia livrá-lo do feitiço exceto ela. Também disse que no dia seguinte iriam todos juntos ao seu reino.
Se foram dormir e na manhã seguinte, quando o sol os despertou, chegou uma carruagem puxada por 8 cavalos brancos com plumas de avestruz na cabeça. Estavam enfeitados com correntes de ouro. Atrás estava o jovem escudeiro do rei, Enrique. Enrique havia sido tão desgraçado quando seu senhor foi convertido em sapo que colocou três faixas de ferro rodeando seu coração, para se acaso estalasse de pesar e tristeza.
A carruagem ia levar ao jovem rei a seu reino. Enrique os ajudou a entrar e subiu atrás de novo, cheio de alegria pela libertação, e quando já chegavam a fazer uma parte do caminho, o filho do rei escutou um ruído atrás de si como se algo tivesse quebrado. Assim, deu a volta e gritou:
- Enrique, o carro está se rompendo.
- Não amo, não é o carro. É uma faixa de meu coração, a coloquei por causa da minha grande dor quando eras sapo e prisioneiro do feitiço.
Duas vezes mais, enquanto estavam no caminho, algo fez ruído e cada vez o filho do rei pensou que o carro estava rompendo, porém eram apenas as faixas que estavam se desprendendo do coração de Enrique porque seu senhor estava livre e era feliz.


* * * FIM * * *


domingo, 15 de março de 2015

Gustave Flaubert / Um coração simples


Gustave Flaubert

Um coração simples

Tradução de Clotilde Mariano Vaz, Daniel Vaz e Simia Katarina Rickmann



Gustave Flaubert / Un coeur simple (Rimbaud)
A Simple Soul by Gustave Flaubert (Dragon)
I
Durante meio século, os burgueses de Pont-l’Évêque invejaram a Sra. Aubain por sua criada Felicidade.

Por cem francos ao ano, ela cozinhava e limpava a casa, costurava, lavava, passava, sabia arrear cavalos, engordar aves, bater a manteiga; permaneceu fiel à sua patroa, que, no entanto, não era uma pessoa agradável.
Ela esposara um belo rapaz sem fortuna, que falecera no começo de 1809, deixando-lhe duas crianças pequenas e uma quantidade considerável de dívidas. Então, vendeu seus imóveis, exceto as terras arrendadas de Toucques e de Geffosses, cujos rendimentos atingiam, no máximo, 5 mil francos, e deixou sua casa de Saint-Melaine para morar em outra menos dispendiosa que pertencera a seus ancestrais, localizada atrás do mercado.

sábado, 14 de março de 2015

Biografias / Gustave Flaubert


Gustave Flaubert

BIOGRAFIA

Gustave Flaubert nasceu em Rouen, na França, em 12 de dezembro de 1821, e morreu no dia 8 de maio de 1880. Filho do cirurgião-chefe do hospital local, cresceu nas imediações do hospital, entre doentes, utensílios médicos e enfermeiros. Começou a escrever ainda cedo, na mesma época em que foi reprovado nos exames da Faculdade de Direito de Paris. Seu pai, evidentemente, opunha-se às aspirações artísticas do filho. Entre 1844 e 1851, uma série de acontecimentos dramáticos desestabilizaram o jovem escritor: a sua epilepsia manifestou-se, a querida irmã, Caro­line, casou-se, o cirurgião Flaubert morreu e faleceu também a recém-casada Caroline, de febre puerperal; o jovem cunhado de Gustave enlouqueceu, e a sra. Flaubert tomou para si, sem qualquer entusiasmo, a criação dos netos. Gustave vivia como aristocrata, sem trabalhar, aproveitando a vida junto aos amigos – entre os quais Théophile Gautier e Guy de Maupassant – e junto à amante, Elisa Schlesinger (uma mulher mais velha e mãe de família).

sexta-feira, 13 de março de 2015

Manuel António Pina / As Vozes


Manuel António Pina

A infância vem
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta

– Quem é?
– É a mãe morta
– São coisas passadas
– Não é ninguém

Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficámos sós?

Manuel António Pina
Nenhuma palavra e nenhuma lembrança
Lisboa: Assírio & Alvim, 1999





quinta-feira, 12 de março de 2015

Daniel Faria / Pórtico


Daniel Faria

PÓRTICO

Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas que,
Uma vez atingidas,
O caçador não repare na sua queda.




Joaquim Manuel Magalhães / Poema


Joaquim Manuel Magalhães
POEMA

Ainda que me digam que não olhe,
eu vejo.