sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

‘Parasita’ / O cheiro dos pobres



O cheiro dos pobres

‘Parasita’, vencedor do Oscar, se inscreve na tradição literária e cinematográfica do arrivista como expoente da luta de classes


Ana Useiros
14 Feb 2020

A notícia cinéfila da semana é que Parasitaum filme sul-coreano, ganhou o maior prêmio cinematográfico dos Estados Unidos. Comentou-se à saciedade que é a primeira vez que uma produção com diálogos em um idioma diferente do inglês derrotou os pesos-pesados da indústria mais poderosa do mundo. Ainda é cedo para saber se será um fato isolado ou um sintoma de uma nova tendência, bem como saber de que tendência estamos falando, embora certamente tenha algo a ver com a nova hegemonia propiciada pelas plataformas globais de produção e distribuição por streaming. No ano passado, outro filme “estrangeiro” (agora mudou oficialmente a denominação do filme “internacional”), Roma, centrado em uma empregada doméstica submissa e sofredora, subjugada pela família rica à qual serve, quase ganhou esse prêmio. É tentador apontar o paralelismo e forçar ligeiramente a metáfora, já que os personagens de Parasita têm acesso ao cobiçado universo da classe alta (Hollywood?) pela porta de serviço, embora o façam com uma atitude completamente oposta.


Essa atitude, esse descaramento, é sem dúvida uma das razões pelas quais, ao contrário do filme de Cuarón, ao falar de Parasita a crítica mencione não apenas a enorme desigualdade social e a divisão de classes, mas essa expressão quase proscrita: “luta de classes”. E, no entanto, Parasita pouco tem a ver com a reivindicação coletiva de um mundo diferente, e tem muito a ver, por outro lado, com outra venerável tradição social, com esse impulso individual(ista) por prosperar, por integrar-se a uma classe social superior e desfrutar de seus privilégios, o que sempre se chamou de arrivismo.

A coincidência de uma sociedade industrializada e de uma cultura obcecada não apenas pela classe social, mas pelos sinais externos de pertencimento a essa classe, levou que a figura do arrivista tivesse sua representação mais sólida na literatura anglo-saxã a partir da segunda metade do século XIX. A inquietação social produzida pela revolução industrial teve primeiro em Dickens um cronista do movimento inverso, de deixar de pertencer a uma classe, da súbita queda na pobreza por razões fora do controle de seus personagens (David CopperfieldA Pequena Dorrit, os protagonistas de A Casa Soturna). Quando Dickens retrata um arrivista, como Pip em Grandes Esperanças, o faz com tal ternura que mal ousamos dar esse nome a ele, e sua ascensão na escala social está tão fora de seu controle quanto a descida na mesma escada dos outros personagens. Totalmente oposto é o outro grande personagem arrivista do início da era vitoriana, o Barry Lyndon de W. M. Thackeray, este sim, cínico e calculista.



À medida que os exércitos de mão de obra assalariada invadem os cinturões urbanos, o medo de se contaminar pela irrupção dessa humanidade que a classe alta conceitua como impenetrável e animal adota várias formas literárias, desde o mito de Frankenstein (que Franco Moretti diz simbolizar o medo da burguesia em relação ao proletariado) até o romance policial, que nasceu como um gênero naquela época. E o fascínio, surgido do medo e da curiosidade, alimenta a figura do arrivista, um homem do povo com talentos excepcionais (é claro, todo talento de um proletário, camponês etc., será excepcional por definição), que aspira ocupar um lugar o que não lhe corresponde por nascimento (como Judas, O Obscuro, de Thomas Hardy).

Esse fascínio é muitas vezes codificado como erótico: o arrivista ingressa na classe alta por meio de um relacionamento sexual com uma mulher à qual seduz, não por sua adaptação aos novos códigos, mas por seus “erros”. O exemplo clássico é Uma Tragédia Americana, de Theodore Dreiser, que nos lembra que o romance norte-americano herda esse tema do arrivismo e o restitui na grande burguesia industrial, no lugar da aristocracia.


Nesse mundo incerto, no qual um órfão como Heathcliff pode acabar sendo dono do Morro dos Ventos Uivantes, as marcas culturais do pertencimento a uma classe são continuamente vigiadas. Os arrivistas estão em risco permanente de serem descobertos, ridicularizados ou expostos. São traídos pela pele morena, as maneiras ásperas, as agressões à gramática (o protagonista homônimo de Martin Eden), a pronúncia incorreta do alemão (Leonard Bast em Howards End), a roupa gasta ou inadequada.

Auxiliados pela tecnologia moderna e pela permeabilidade moderna dos costumes, os protagonistas de Parasita são praticamente infalíveis e não cometem nenhum dos erros de seus antecessores. Apenas seu odor corporal os trai, o “cheiro de pobre”, como é definido de forma sucinta no filme, sem nenhuma referência às conotações de doença, falta de higiene, amontoamento. Não é apenas um “erro” impossível de corrigir, mas é provavelmente o único erro que jamais será instrumento de sedução. Impedirá a perfeita integração dos perfeitos arrivistas, o que não desencadeará uma luta de classes, mas um massacre coletivo.



Enraizado na tradição literária e cinematográfica do arrivista ou do alpinista social, Parasita se afasta de filmes claramente aparentados com ele, como O Criado, de Joseph Losey, porque não se trata de um “alpinista”, mas de várias. O fato de todos os membros da família se juntarem um por um à trama é uma das chaves do humor do filme e do desconforto que suscita. Parece que poderiam se multiplicar até o infinito, que qualquer pessoa, parente ou não, poderia participar da farsa com a mesma destreza. E talvez seja esse o aspecto o mais subversivo e inovador do filme. No relato clássico, um arrivista individual tenta alcançar uma posição que admira. Para isso, ele deve imitá-la com seu talento e essa imitação é o melhor elogio e legitimação possível da ordem social. A sorte do arrivista se justifica por uma meritocracia que, por sua vez, ratifica os valores que sustentam a hierarquia. Bem dizia Orwell que não acreditaria em ninguém que dissesse admirar a classe operária até vê-lo adotar as maneiras do proletariado à mesa.

Se qualquer um pode imitar o objeto de desejo e se a diferença entre o original e a cópia é algo tão intangível quanto um cheiro que apenas os privilegiados percebem, a exclusividade e a aura são desvalorizadas. Isso poderia levar, como sonhava Walter Benjamin, a uma radical mudança social. Mas, por mais que a crítica a invoque, se a luta de classes não estiver presente, essa desvalorização pode ser apenas mais um sintoma da nova hegemonia audiovisual.

Ana Useros é crítica de cinema e tradutora.

Leituras
Grandes Esperanças, Charles Dickens
Judas, O Obscuro, Thomas Hardy
Uma Tragédia Americana, Theodore Dreiser
Martin Eden, Jack London
A Mansão, E. M. Forster
O Criado, Robin Maugham

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Spartacus / Stanley Kubrick / 1960



  Qual era a ideia?  Rodar uma imensa epopeia que transformaria seu protagonista e produtor, Kirk Douglas, em um mito de Hollywood.  O que deu errado?  Depois de algumas semanas, Kirk Douglas achou que o diretor Anthony Mann não estava à altura dessa produção com cenas de até 8.000 figurantes. Então pagou seu salário e o demitiu. Precisava de um diretor que se deixasse manipular pelo estúdio e, sabe Deus por que, achou que essa pessoa era Stanley Kubrick. O “galinho do Bronx”, como Douglas definiria Kubrick, substituiu Sabine Bethmann por Jean Simmons e tentou eliminar a hoje icônica cena do “Eu sou Spartacus”. Simmons teve de ser operada com urgência no meio da filmagem, Tony Curtis foi engessado e Charles Laughton ameaçava diariamente processar Douglas. Quando contrataram 8.500 soldados espanhóis (a cada um dos quais Kubrick dava indicações concretas) para as cenas de batalha filmadas em Colmenar Viejo (Madri), Francisco Franco exigiu um pagamento em dinheiro para a organização caritativa de sua esposa.   Como a coisa acabou?  Kubrick renegaria o filme, o único de sua carreira em que não teve controle total sobre a montagem. Na imagem, Kirk Douglas em uma cena no filme.
Espartacus




Spartacus
(Stanley Kubrick, 1960) 

JUAN SANGUINO
3 SET 2018 - 10:06 COT


Qual era a ideia? 

Rodar uma imensa epopeia que transformaria seu protagonista e produtor, Kirk Douglas, em um mito de Hollywood.


O que deu errado? 

Depois de algumas semanas, Kirk Douglas achou que o diretor Anthony Mann não estava à altura dessa produção com cenas de até 8.000 figurantes. Então pagou seu salário e o demitiu. Precisava de um diretor que se deixasse manipular pelo estúdio e, sabe Deus por que, achou que essa pessoa era Stanley Kubrick. O “galinho do Bronx”, como Douglas definiria Kubrick, substituiu Sabine Bethmann por Jean Simmons e tentou eliminar a hoje icônica cena do “Eu sou Spartacus”. Simmons teve de ser operada com urgência no meio da filmagem, Tony Curtis foi engessado e Charles Laughton ameaçava diariamente processar Douglas. Quando contrataram 8.500 soldados espanhóis (a cada um dos quais Kubrick dava indicações concretas) para as cenas de batalha filmadas em Colmenar Viejo (Madri), Francisco Franco exigiu um pagamento em dinheiro para a organização caritativa de sua esposa.


Como a coisa acabou? 

Kubrick renegaria o filme, o único de sua carreira em que não teve controle total sobre a montagem. Na imagem, Kirk Douglas em uma cena no filme.

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Kirk Douglas, dernier grand monstre sacré d'Hollywood, est mort
Une fossette au menton, c’est un détail, mais c’est à cela qu’on pense automatiquement après la mort de Kirk Douglas
Kirk Douglas / ‘I never thought I’d live to 100. That’s shocked me’

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domingo, 9 de fevereiro de 2020

Morre Kirk Douglas, a última grande estrela da velha Hollywood, aos 103 anos

Kirk Douglas


Morre Kirk Douglas, a última grande estrela da velha Hollywood, aos 103 anos

O lendário ator que encarnou ‘Spartacus’ só ganhou um Oscar, honorário, por sua trajetória, apesar de ter sido indicado três vezes


05 feb 2020


Kirk Douglasuma das últimas grandes estrelas da velha Hollywood, morreu nesta quarta-feira aos 103 anos, segundo informam vários meios de comunicação dos Estados Unidos e confirmou seu filho, o também ator Michael Douglas, à revista People. “Com tremenda tristeza, meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas nos deixou hoje aos 103 anos”, diz o comunicado enviado pelo ator à revista.

“Para o mundo, era uma lenda, um ator da era de ouro do cinema que viveu até a sua idade de ouro, um ser humano cujo compromisso com a justiça e com as causas nas quais ele acreditava marcaram um padrão ao qual todos nós aspiramos. Mas, para “Com tremenda tristeza, meus irmãos e eu anunciamos que K anos”, diz o comunicado enviado pelo ator à revista.


Kirk Douglas


Issur Danielovitch Demsky, conhecido como Kirk Douglas, nasceu em Amsterdã, uma cidade no estado de Nova York, nos Estados Unidos, em 9 de dezembro de 1916. Sua família era de origem russa judaica, que emigrou em 1908. Seu pai, um trapaceiro, abandonou a casa da família quando Douglas tinha só cinco anos. Ele tinha seis irmãs mais velhas. Ele teve que trabalhar desde cedo para ajudar sua família financeiramente, combinando os vários empregos com seus estudos na Universidade de Saint Lawrence, onde se formou em Letras. Posteriormente, estudou na Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York.

Em 1941 foi mobilizado, ingressando na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial. Foi oficial de comunicações em uma unidade antissubmarinos. Retornou a Nova York com ferimentos de guerra e lá começou a atuar em peças teatrais graças ao apoio da atriz Lauren Bacall.


Kirk Douglas


Em 1946 estreou em Hollywood com O Tempo Não Apaga, de Lewis Milestone. Trabalhou em mais de 90 filmes e dirigiu dois filmes. Rodou sob as ordens dos diretores mais famosos, como Vincente Minelli, Jacques Tourneur, King Vidor, John Huston, Billy Wilder, Otto Preminger, Elia Kazan, Howard Hawks e William Wyler. Com Stanley Kubrick estrelou Glória Feita de Sangue em 1957 e Spartacus em 1960, filme emblemático de sua carreira, produzido pelo ator e que reabilitou —graças ao empenho pessoal de Douglas— o roteirista Dalton Trumbo, retaliado pelo macartismo, permitindo que aparecesse nos créditos. Douglas rodou sete filmes na companhia do ator Burt Lancaster.

Kirk Douglas foi indicado ao Oscar em três ocasiões: em 1950 por O Invencível, de Mark Robson; em 1953 por Assim estava Escrito e em 1957 por Sede de Viver, ambos de Vincente Minelli. Finalmente, a Academia de Hollywood concedeu-lhe o Oscar honorário em 1996. Em 1981 recebeu a medalha presidencial da liberdade, a mais alta condecoração de seu país; em 1990, a Legião de Honra francesa e o Urso de Ouro honorário do Festival de Berlim, em 2001.


Kirk Douglas


Casou-se com Diana Hill em 1943 e tiveram dois filhos: Michael e Joel Andre. Em 1954 casou-se novamente com Anne Buydens, com quem foi pai de dois filhos: Peter e Eric Anthony, já falecido. Em 1991 ficou ferido quando o helicóptero em que viajava colidiu com um pequeno avião no aeroporto particular de Santa Paula (Califórnia). Em 1996 sofreu uma embolia que lhe afetou gravemente a fala. Como escritor, em 1988 publicou The Ragman’s Son (O Filho do Trapeiro), sua autobiografia. Em 2009, com 92 anos, subiu aos palcos, dos quais estava aposentado havia cinco anos, com Before I Forget (Antes que Eu Esqueça), um monólogo de 90 minutos que ele mesmo escreveu sobre sua vida.

Em 2012 escreveu I Am Spartacus (Eu Sou Spartacus), um livro em que contou as vicissitudes da rodagem do filme de Kubrick. A partir de 2008 publicou um blog, primeiro no MySpace e mais tarde no The Huffington Post, que teve grande sucesso. Douglas era membro do Partido Democrata e filantropo convencido, doando desde 1990 mais de 40 milhões de dólares (cerca de 169 milhões de reais) a uma clínica para o tratamento de pacientes com Alzheimer.

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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Kirk Douglas / O ator que imortalizou o grito de ‘Spartacus’ nas páginas da história de Hollywood


Kirk Douglas


Kirk Douglas

O ator que imortalizou o grito de ‘Spartacus’ nas páginas da história de Hollywood

Democrata e filantropo, o ator combateu a caça às bruxas no cinema dos EUA e morreu aos 103 anos


Gregorio Belinchón
06 Feb 2020

Parecia que Kirk Douglas derrotaria o tempo e o espaço. Que ele continuaria servindo por anos sem fim. Um século, 101, 102, 103 anos... E ele continuará a completá-los, porque ninguém derrotará a lenda, mas na quarta-feira ele morreu em sua casa em Beverly Hills (Califórnia). Issur Danielovitch Demsky, filho de imigrantes nascido na cidade Amsterdam, no Estado de Nova York, em 9 de dezembro de 1916. Morreu Issur, porque Kirk hoje é imortal. A notícia foi confirmada pela família por intermédio de seu filho Michael Douglas: “Para o mundo, é uma lenda, um ator da era de ouro do cinema, um filantropo comprometido com a justiça e as causas em que acreditava, mas para mim, para Joel e para Peter, era simplesmente papai”.

Kirk Douglas


Ficam Midge, de O Invencível, Chuck Tatum, de A Montanha dos Sete Abutres, Johathan, de Assim Estava Escrito, Jack de Sua Última Façanha... Ficam os gritos de “Sou Spartacus”, o lançamento de machados para tomar a fortaleza dos vikings, o som e a fúria de seu exército em Glória Feita de Sangue, seu Van Gogh de Sede de Viver... Os sete filmes com seu amigo Burt Lancaster ficarão... Apenas um corpo desaparece, e Hollywood na quarta-feira à noite era apenas a cidade onde Kirk Douglas havia trabalhado por algum tempo.

Ele nem precisou ganhar um dos três Oscar que disputou, embora em 1996 tenha recebido o troféu honorário. O ator era alguém que gostava de trabalhar muito mais do que se deleitar com o resultado: “Gosto de filmar mais do que me ver nos filmes. Quase evitei Gladiador, porque temia que me lembrasse muito o meu Spartacus. Além disso, antes os filmes em geral eram melhores. Portanto, a técnica não era a coisa mais importante, mas os personagens e a história. É claro que bons filmes também são feitos hoje em dia, mas muitas vezes toda essa bobagem digital arruína o trabalho dos atores”, afirmou em 2001.



‘Eu sou Spartacus’, contra a caça às bruxas

Kirk Douglas não apenas escreveu em letras maiúsculas algumas páginas da grande enciclopédia de Hollywood, como também, na vida real, publicou uma dúzia de livros. O mais famoso foi seu primeiro volume de memórias, O Filho do Trapeiro. No último, Eu Sou Spartacus, contou sua participação numa jogada que levou ao fim de uma das etapas mais sombrias do cinema americano. “Essa caça às bruxas destruiu vidas e carreiras, e eu fiz Spartacus com um roteirista que estava na lista negra, e teve que me esconder atrás de um pseudônimo para encontrar trabalho”, contou ele em 2012, quando o volume foi publicado, revelando que o nome de Dalton Trumbo, um renomado roteirista expulso da indústria pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, teve seu nome reintroduzido como autor do roteiro de Spartacus, produzido e estrelado por Douglas e dirigido por Stanley Kubrick em 1960. “Quando olho para trás, acho que a decisão sobre Trumbo foi a mais importante da minha carreira ”, disse ele aos 84 anos no Festival de Berlim, onde recebeu o Urso Honorário. Douglas enfeitava bastante a realidade nos seus escritos, mas um mandamento clássico afirma que “quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda”.

Kirk e Michael Dongulas


Issur Danielovitch Demsky nasceu numa família de origem judaica russa emigrada em 1908. Seu pai, que vendia trapos, abanou a casa da família quando Demsky era pequeno. Cresceu cercado de mulheres (tinha seis irmãs mais velhas), que foram as primeiras a lapidar o diamante bruto. Trabalhou em mais de 40 empregos desde adolescente e estudou na Universidade de Saint Lawrence, onde se formou em Letras. Posteriormente, estudou na Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York. Em 1941 foi recrutado para servir na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial. Retornou a Nova York com ferimentos de guerra e lá começou a atuar em peças teatrais graças ao apoio da jovem atriz Lauren Bacall.

Em 1946 estreou em Hollywood com O Tempo Não Apaga, de Lewis Milestone. E tocou de forma muito rápida o céu da indústria cinematográfica. Teve enorme cuidado ao escolher com quem trabalhou e os roteiros que aceitou, sem medo dos personagens expressarem seu talento. Nunca parou em seu ritmo vital e profissional: só aliviou sua paixão pelas mulheres quando se casou com sua atual esposa, Anne Buydens, com quem teve dois filhos, Peter e Eric Anthony, já falecidos. Michael e Joel nasceram do casamento anterior, com Diana Hill.

Frank Sinatra e Michael Douglas


Em 1991, ficou ferido num acidente de helicóptero em Santa Paula (Califórnia). Em 1996, sofreu um derrame que afetou seriamente sua fala. Não conseguia ficar parado. Em 2009, aos 92 anos, subiu ao palco com Before I Forget (“Antes que me esqueça”), monólogo de 90 minutos que ele próprio escreveu sobre sua vida. Douglas investiu boa parte de sua fortuna em instituições de caridade, principalmente na luta contra o mal de Alzheimer.

Kirk Douglas morre tendo mais do que alcançado o objetivo de seu Midge Kelly, de O Invencível: “Não quero ser um ‘Ei, você!’ a minha vida toda. Quero que as pessoas me chamem de senhor”.



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