Mostrando postagens com marcador Cidades / Cartagena de Indias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidades / Cartagena de Indias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Gabriel García Márquez / Por que as pessoas gostam tanto de mim

Gabriel García Márquez

“Por que as pessoas gostam tanto de mim?”

García Márquez fez de Cartagena o seu fio-terra na Colômbia, embora a fama dificultasse suas saídas à rua



Gabriel García Márquez. / FUNDACIÓN NUEVO PERIODISMO IBEROAMERICANO (FNPI).
García Márquez chegou com uma ideia publicitária. No meio de um enterro, um dos participantes diz que numa hora dessas o que ele mais queria era tomar uma Coca-Cola. Os responsáveis pela agência imediatamente ignoraram o insight. Foi nos anos sessenta, quando o colombiano fazia trabalhos de publicidade no México, e aparentemente era frequente que suas propostas fossem descabeladas demais para se concretizarem. Isso era o que contava um amigo dele na Cidade do México na segunda-feira passada, quatro dias antes da morte do Nobel de Literatura de 1982 e sete dias antes de a capital mexicana lhe prestar uma homenagem solene, com música clássica, e sem Coca-Cola.
Nessa mesma segunda-feira, em Cartagena das Índias, contava-se outra história sobre morte e sobre García Márquez. Era a história de um sonho que o escritor teve, no qual se via rodeado de amigos em um enterro com um clima jovial, mas que acabava de uma maneira deprimente para o protagonista: quando seus amigos vão embora do funeral, ele quer ir junto, mas lhe dizem que não pode, porque ele é o morto. “Acabou a sua festa”, disse alguém em sonhos a Gabriel García Márquez. Quem menciona a passagem é Gustavo Tatis, editor de cultura do jornal local El Universal, e diz isso por ocasião de uma vez que o entrevistou, no começo dos anos noventa, e lhe ocorreu perguntar sobre a morte. “Ele me disse que não entendia por que eu lhe perguntava por isso, e que não gostava de falar da morte”, diz Tatis ao lado do linotipo que imprimiu em 1948 o primeiro artigo jornalístico de García Márquez neste jornal, intitulado Ponto e Parágrafo.