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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Wisława Szymborska / O terrorista… Olha



Wisława Szymborska

O TERRORISTA… OLHA


A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
São neste momento treze e dezasseis.
Alguns conseguem ainda entrar,
alguns sair.

O terrorista passou já para o outro lado da rua.
A esta distância ficará livre de perigo
e, quanto a vista, é como no cinema:

Uma mulher de casaco amarelo… entra.
Um homem de óculos escuros… sai.
Rapazes de jeans… conversam.
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos.
Aquele baixinho tem sorte e senta-se na vespa,
mais um tipo alto que entra.

Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos.
Passa uma moça de fita verde nos cabelos.
Só que o autocarro oculta-a.

Treze e dezoito.
A rapariga desapareceu.
Se foi bastante estúpida para entrar ou não,
isso se saberá pelas notícias.

Treze e dezanove.
Parece que ninguém entra.
Há porém um careca gordo que sai.
Mas olha, parece que procura algo nos bolsos,
faltam treze segundos para as treze e vinte,
e ele volta a entrar em busca das luvas que perdeu.

São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, é agora.
A bomba… explode.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

A política na poesia de Kaváfis e Szymborska

Kostantinos Kaváfis

A POLÍTICA NA POESIA DE KONSTANTINOS KAVÁFIS E WISLAVA SZYMBORSKA

PUBLICADO POR LIGIA GIELAMO OLIVEIRA

Se a questão da poesia da vida é mais importante que a própria felicidade, os nossos políticos padecem de “falta de poesia” e imaginação e a efervescência está nas ruas, a hora é de buscar um pouco da política na poesia. Longe da crueza das manchetes dos jornalões, revisitar a obra de Konstantinos Kaváfis e Wislava Szymborska pode ser uma maneira nem sempre leve, porém mais lírica, de entender a atualidade.


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Depois dos eventos que marcaram as ruas e o noticiário nos últimos dias, março terminou com uma série fervilhante de análises, digressões e outros questionamentos sobre os rumos do cenário político brasileiro, sobre o que querem, afinal, as vozes das ruas e das redes e sobre o que irão fazer, situação e oposição, diante de toda a agitação.
No meio de tudo que já foi publicado e compartilhado neste incomum primeiro trimestre, destoa da avalanche analítica de textos uma crônica no Estadão do Renato Essenfelder, para quem o que falta aos nossos políticos é, essencialmente, poesia. “Nossos líderes não têm poesia, e, sem poesia, não têm imaginação. Estamos fadados a governos medíocres, portanto? (...) sem imaginação é impossível voar alto e sonhar um mundo melhor”. Ele pontua que, na ausência de poesia, falta imaginação, faltam mãos dadas, empobrecem os discursos, a população se reduz à massa, apenas.