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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

25 anos depois, alguém mente sobre a cruzada de pernas de ‘Instinto Selvagem’




25 anos depois, alguém mente sobre a cruzada de pernas de ‘Instinto Selvagem’

O diretor do filme, Paul Verhoeven, e Sharon Stone acusam um ao outro de mentir sobre os meandros da cena


Juan Sanguino
20 mar 2017

Lá se vão 25 anos, e alguns ainda não se recuperaram. A cruzada (ou, tecnicamente, descruzada) de pernas que fez o mundo prender a respiração não envelheceu nada. A suspeita de assassinato Catherine Trammell (interpretada por uma Sharon Stone de 34 anos) se submete a um interrogatório, mas é ela que acaba submetendo os policiais. O rato e o gato nunca estiveram tanto no cio. É Catherine a única que tem prazer com a situação.

sábado, 3 de agosto de 2019

‘Elle’, de Paul Verhoeven, e a gestão pessoal da própria monstruosidade




‘Elle’, de Paul Verhoeven, e a gestão pessoal da própria monstruosidade

O filme propõe um olhar para uma nova moral, construído na convicção de que todos somos, em maior ou menor medida, monstros



JORDI COSTA
22 FEV 2017 - 14:36 COT

Definir esse filme esquivo como um thriller e, tacitamente, associá-lo com Instinto Selvagem (1992) é um desserviço à sua natureza, porque se Elle parece com algo é com as cerimônias da transgressão inventadas por Buñuel e Carrière: O Discreto Charme da Burguesia (1972) e O Fantasma da Liberdade (1974) presidem a árvore genealógica que brota esse filme em que uma mulher reage com uma gelidez perturbadora à sua violação e no qual a raça surpreendente de um recém-nascido não faz com que seu suposto pai saiba somar dois e dois.
Com personagens que parecem mostrar suas respectivas sombras junguianas como quem usa um broche de ouro na lapela, Elle fala da gestão pessoal da própria monstruosidade: uma monstruosidade que, aparentemente, distingue a protagonista interpretada por Isabelle Huppert, num de seus papéis de alto risco que, aos poucos, acaba definindo todos. Não é por acaso que apareça – como pano de fundo – a indústria de videogames, entendida como uma tecnologia a serviço das pulsões inconscientes. Não era o propósito de Djian fazer uma sátira sobre a instituição familiar, nem moralizar. Também não é esse o propósito de Verhoeven. O que Elle propõe é um olhar para uma nova moral, construído na convicção de que todos somos, em maior ou menor medida, monstros. Porque queremos. E o desejo é um animal selvagem.
EL PAÍS