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quinta-feira, 17 de março de 2022

Margaret Atwood / “As utopias voltarão porque precisamos imaginar como salvar o mundo”


Margaret Atwood
David Levine



Margaret Atwood: “As utopias voltarão porque precisamos imaginar como salvar o mundo”

A escritora canadense, autora da trilogia ‘MaddAddam’ e ‘O conto de Aia’, reflete sobre as reações que vêm após as conquistas sociais e sobre seu talento para a biologia

 

LAURA FERNÁNDEZ
Barcelona - 


Ela diz que cresceu no norte do Canadá, onde as mulheres nunca foram concebidas como um enfeite. “Quando eu precisava de um pouco de lenha, saía e cortava com meu próprio machado”, conta. Hoje, revela que possui uma motosserra. Não se pode entender sua literatura, afirma Margaret Atwood (Ottawa, 81 anos), sem essa igualitária ― e ao mesmo tempo alienante ― visão do mundo. Porque ela olhava ao redor e não era isso que via. A obra de um escritor, dizia Ray Bradbury, é feita daquilo que ele teme quando apaga a luz de noite. E o que Atwood teme é o que acontece quando alguém assume o comando e decide que as coisas serão melhores se forem feitas à sua maneira.


Digamos que alguém decide que o planeta estará melhor sem o ser humano e provoca uma pandemia que acaba com 99% da população mundial, como acontece em sua obra recentemente resgatada Oryx e Crake (Rocco), ponto de partida de uma trilogia que neste outono boreal será finalmente concluída em espanhol.


Sente-se uma visionária? “Oh, não, não acredito que esta pandemia tenha sido intencional. Mas nunca se sabe, a vida sempre nos dá surpresas”, responde, com humor.


Atwood está em sua casa em Toronto. Lembrou-se milagrosamente da videochamada quando arrancava ervas daninhas no jardim. Está agora em um quarto repleto de livros e marcos emoldurando o que parecem ser pequenos quadros e fotografias. Ajeita o cabelo branco rebelde e lembra que “talvez não tenha dado a atenção que devia [a essas obras] porque era uma adolescente, e as adolescentes só pensam no que vão fazer na noite de sábado. Mas é certo que meus pais eram cientistas, biólogos, e que se reuniam em casa com amigos e falavam de como tudo acabaria mal se continuássemos assim, mas também de descobertas de todo tipo”. “Oh, e eu deveria ter sido bióloga. Meu irmão nunca me perdoará. Eu era melhor em biologia do que em inglês. Tinha um monte de erros de ortografia. Ele também queria ser escritor, mas acabou sendo biólogo. Lê meus livros como um professor leria uma prova. Tenho que ser rigorosíssima!”, diz.


Isso ajuda a explicar por que a trilogia MaddAddam, iniciada por Oryx e Crake, tenha antecipado, por exemplo, os coelhos fluorescentes inventados em 2013 e que aparecem uma década antes no romance, que retrata de forma certeira a velocidade do mundo de hoje e a exploração sem escrúpulos do meio ambiente ― a ponto de animais serem criados para que simplesmente contenham órgãos humanos sobressalentes. Isto sem falar de um retorno a uma espécie de Idade Média, uma desigualdade social que transforma os proprietários de grandes corporações em senhores feudais, cujos complexos são rodeados de vilarejos onde os camponeses desse futuro vivem em más condições até que esse futuro também se acaba. “Crake acredita que o mundo está melhor sem nós e nos substitui pelos crakers, seres que nem sequer precisam da agricultura porque comem folhas, que não sentem inveja, mas que não podem evitar querer saber de onde vêm”, conta.


Aqui está um dos eixos da narrativa de Atwood: a criação do mito. Suas primeiras coleções de poemas, diz, foram dedicadas a “reexaminar mitos e contos de fadas”, algo que continua fazendo ― O Conto da Aia (Rocco) não deixa de ser a criação de um mito, um passado inconcebível do ponto de vista de uma sala de conferências do futuro ― e que MaddAddam completa no terceiro volume, chamado justamente de MaddAddam, inédito em espanhol e português, expondo de que forma é constituída a verdade histórica após mostrar a realidade nos dois títulos anteriores, Oryx e Crake e The Year of The Flood. “A única razão pela qual vou ao futuro para contar minhas histórias é que não quero ter que ir embora do planeta Terra, e é no futuro que posso controlar todo o relato, sempre que seja coerente e plausível”, afirma. Na adolescência, ela lia as distopias de George Orwell e Aldous Huxley e se perguntava por que não havia mulheres escrevendo-as.


“Claro que toda distopia fala do presente. Orwell falava de 1948 e Huxley falava dele mesmo chegando a Hollywood nos anos trinta, após passar pela Grande Depressão e ao se deparar com o sexo livre e as comidas exóticas. No século XIX foram escritas milhares de utopias. É lógico. Houve tantas melhorias materiais, tantas invenções, que só podiam imaginar um mundo melhor. O XX foi um século de distopias porque foi um século de guerras e totalitarismos. Ficou claro que essa ideia da sociedade perfeita implicava um massacre. Você tinha que matar todos os que discordassem de você para instaurar sua utopia. Toda distopia contém uma utopia e vice-versa”, explica. E, apesar de tudo, acredita que neste século XXI “as utopias voltarão”. Por quê? “Teremos que descobrir como nos organizar para que o planeta permaneça habitável. As utopias voltarão porque precisamos imaginar como salvar o mundo”, responde.


Os romancistas não são pensadores, ressalta, embora possam encenar o mundo, “como um diretor de cinema”. Desenhar um mapa. “É preciso ter cuidado, sempre que falamos do futuro, porque sempre podem acabar acreditando na história. O que aconteceu com a utopia de Vril, o poder da raça futura?, do romancista inglês Edward Bulwer-Lytton? Até Hitler acreditou nela ― e mandou uma equipe de exploradores à Noruega para procurar a caverna da qual Bulwer-Lytton falava, onde se escondia uma perfeita sociedade do futuro”, afirma. O mesmo ocorreu com O Conta da Aia. “Alguns começaram a se perguntar como implementar essa loucura. Por isso, é preciso ser cuidadoso. E considerar que o que para você é uma distopia pode ser uma utopia para outras pessoas”, acrescenta. E não esquecer. Como não foi esquecido nos anos cinquenta, “quando foi feito um esforço unitário, que incluiu princesas da Disney, para levar a mulher de volta ao lar, pois não pertencia àquele lugar”, diz.


Existe nesta quarta onda do feminismo mais esperança que nas anteriores? “Tudo está em processo. Quando você empurra, sente a resistência do outro. A eleição de Obama foi um impulso; a de Trump, uma reação contrária. Sempre que há uma mudança de paradigma, há quem deseje que as coisas voltem a ser como antes. Você sempre pode esperar conseguir melhorias, e, se houver uma reação contrária, aguentar até onde havia chegado, manter o terreno e inclusive voltar a pressionar para conseguir o que tinha, como ocorreu nos anos cinquenta”, responde. Hoje em dia, em qualquer caso, diz ela, “não se trata somente da igualdade de gênero. Trata-se também da desigualdade na riqueza, que atingiu proporções inéditas desde o antigo regime francês, desde Henrique VIII e, claro, da mudança climática, algo que teremos que resolver se quisermos continuar sendo uma espécie deste planeta.”


EL PAÍS

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

‘O Gambito da Rainha’ / A série que mostra o xadrez como nunca antes na televisão


 


‘O Gambito da Rainha’, a série que mostra o xadrez como nunca antes na televisão

Adaptação do clássico de Walter Tevis retrata uma jovem prodígio que abre caminho no competitivo mundo do esporte enquanto luta para não sucumbir aos seus vícios


Laura Fernández
Barcelona, 13 nov 2020

Assim como no clássico de Stefan Zweig Novela de Xadrez, Walter Tevis ―um escritor excessivamente atraído pelo tormento do gênio e pela condição de outsider―, construiu seu romance The Queen’s Gambit (“o gambito da rainha”), onde narra os avatares dickensianos de uma jovem prodígio e professora de xadrez, baseando-se no duelo sempre apetitoso entre o irracional e o racional. O muito humano e o nada humano. Em seu caso, diferentemente de Zweig, fez isso tomando partido por uma irracionalidade desenfreada que lhe permite explorar a conexão entre gênio e loucura, ou entre dom e psicose. Tevis entendia o talento como algo às vezes insuportável, algo que exige um sacrifício, como a famosa abertura, o gambito ―um dos movimentos no xadrez―, que dá nome ao romance no qual se baseia O Gambito da Rainha, a nova série da Netflix.

Viciante e trepidante ―pelo menos a partir do segundo capítulo, quando a vida da protagonista, Beth Harmon, dá uma guinada longe do isolamento do orfanato―, a série é estrelada por uma Anya Taylor-Joy (O Segredo de Marrowbone) à altura do hieratismo da personagem, tão marciana como o David Bowie que protagonizava a adaptação do outro grande clássico de Tevis, O Homem que Caiu na Terra. Com seis capítulos, a série é, ao mesmo tempo, um retrato do submundo do xadrez ―esse universo paralelo com suas próprias estrelas, e que o próprio Tevis conhecia bem (embora tenha sido apenas um jogador de terceira categoria)― e um bizarro coming of age que toma o pulso feminista de uma época em que um espaço tão fechado como o do xadrez parece presa na tempo. Mas há mais do que isso. Muito mais. A relação entre Harmon (Taylor-Joy) e sua mãe adotiva, Alma (Mariele Heller), por exemplo, é puro fogo maldito.

Porque Harmon não se limita a ser um gênio, ela é um gênio maltratado. Filha de uma mulher que também é um gênio (neste caso, da matemática), totalmente doida ―a mãe bate o carro, com ela e a menina dentro, no início da série, e some do mapa―, Beth passa a infância em um orfanato, onde acontecem duas coisas com ela: descobre o xadrez, graças a um zelador que joga sozinho em um porão, e fica dependente de tranquilizantes, que na década de 1950 pareciam totalmente indicados para crianças. As duas coisas ficarão unidas para sempre no cérebro ao mesmo tempo matemático e intuitivo da menina Beth, que daí em diante necessitará de qualquer tipo de entorpecente ―álcool, comprimidos― para sentir que pode suportar a pressão que, na verdade, ela mesma exerce contra si. Porque ela é o verdadeiro rival a ser vencido. Quando estuda, não estuda as fraquezas de seu adversário, e sim suas próprias fraquezas.

E faz isso para se tornar invencível. Para controlar o incontrolável. “Gosto do xadrez”, diz Harmon à jornalista da Life que vai entrevistá-la quando ganha seu primeiro torneio estadual, “porque é um mundo em 64 casinhas. Um lugar para se sentir segura. Previsível, controlável”. Enquanto o mundo exterior e sua própria condição de mulher são difíceis de compreender ―outra constante na obra de Tevis, a do outsider, que em O Homem que Caiu na Terra era, literalmente, um extraterrestre que tentava imitar o comportamento humano―, quando Beth joga xadrez ela está, de certa forma, em casa. Por isso, diz em determinado momento que o xadrez “não é só competitivo, também pode ser precioso”, um mundo dentro do mundo, a família que nunca terá, ou aparecerá para ela como uma miragem. Um dos melhores jogadores do mundo, Garry Kasparov, afirma que nunca tinha visto uma série que respeitasse tanto as estratégias e os tempos do xadrez: diz que é a mais realista das pouquíssimas séries já feitas sobre um esporte que, definitivamente, é pouco visual.

Embora complicada e cruel no início, a relação de Beth com sua mãe adotiva, uma alcoólatra inveterada, decola no momento em que ela decide que, apesar de tudo, pode tentar ser “uma mãe”, e consegue ser uma excelente, porque faz o principal: respeita sua filha e acredita cegamente nela. Sua relação, a de uma dupla de desajustadas tentando não se adaptar a nada, nem a elas mesmas, é uma pequena joia dentro de uma produção que dispara contra o machismo que rodeia tudo que tem a ver com o mundo do xadrez ―principalmente nas camadas mais baixas, onde a prepotência da mediocridade é insuportável―, e que, como relata com perfeição a mestra enxadrista Judit Polgár, nascida em 1976 e considerada a melhor jogadora da história, no documentário Los Otros: Judit Contra Todos, continua totalmente vigente.

Eis aqui a razão pela qual o livro de Tevis, cedo ou tarde, teria de ser adaptado para a tela. Porque, embora pareça um de tantos produtos da Netflix, as tentativas de adaptar O Gambito da Rainha datam de 1983, ano em que um jornalista do The New York Times comprou os direitos. A morte de Tevis pouco depois impediu que isso ocorresse, mas, menos de uma década mais tarde, Allan Scott, o mesmo roteirista que aparece nos créditos da produção da Netflix, comprou esses direitos, e escreveu um roteiro de cinema transformado em série em parceria com Scott Frank, que adaptou Minority Report: A Nova Lei para Spielberg. O resultado acerta as contas, de forma notável e principalmente apreciável, com todos os fantasmas do jogo que é considerado o mais difícil do mundo, e de quebra com o preço a pagar ―sempre existe um― pelo talento.

EL PAÍS



quinta-feira, 2 de julho de 2020

Quando Yeats, Philip K. Dick e Borges usaram o tarô para escrever seus livros

A escritora e 'taróloga' Jessa Crispin em Barcelona.
A escritora e 'taróloga' Jessa Crispin em Barcelona. JUAN BARBOSA

Quando Yeats, Philip K. Dick e Borges usaram o tarô para escrever seus livros

A literatura está cheia de autores que em algum momento tomaram uma decisão sobre sua obra em função do que lhes disseram as cartas


Laura Fernández
Barcelona, 20 ab 2019



Philip K. Dick escreveu O homem do castelo alto, sua ucronia sobre uma versão nazista dos Estados Unidos, jogando moedas na mesa. Na época, andava entusiasmado com o I-Ching, jogo divinatório chinês baseado na sorte. O que o desesperado escritor em busca de respostas para sua necessária e constante tomada de decisões — na época Dick ainda escrevia mais de um romance, às vezes três ou quatro, por ano — fazia era lançar moedas ao ar e verificar depois se tinham saído duas ou três caras (o que equivalia a um sim para o que tivesse em mente) ou duas ou três coroas (o que equivalia a um não). Sabe-se que estava obcecado pelo assunto porque até os personagens do romance — todos eles — não fazem outra coisa além de consultar suas moedas antes de tomar qualquer decisão. E o escritor que o representa como recurso narrativo também.



O último livro de Sheila Heti, o fascinante ensaio-crônica Maternidade (Companhia das Letras), começa com uma conversa da própria autora com suas três moedas. Ela lhe faz perguntas, as moedas respondem: “Este livro é uma boa ideia?”/”Sim”/“Estou com dor de cabeça. Estou muito cansada. Deveria ter dormido a siesta. Mas se tivesse deitado estaria de pior humor, não é?”/”Não”.


“Com o I-Ching você só dialoga, com o tarô, além disso, consegue encontrar um relato em meio a toda a confusão”, diz Jessa Crispin (Lincoln, Kansas, 1978), escritora, viajante e taróloga, diante das cartas sobre a mesa de seu baralho pessoal, especialmente desenhadas para acabar um dia nas mãos de Trent Reznor (Nine Inch Nails). “Aconteceu no meu caso e continua acontecendo. Não é só que oferecem o como, o quê, o quando e o onde, no caso de você ir buscar orientação artística, mas ajudam a dar sentido ao caos. Quando comecei a usá-las, de fato, me contaram uma história nova sobre minha vida”, diz.


Uma obscura Mary Poppins


Para Leonora Carrington, pintora surrealista, as cartas agiam como espelhos. Mostravam algo que você não tinha sido capaz de ver. Sylvia Plath as usou para compor pelo menos os três primeiros poemas de Ariel, estabelecendo por meio deles o que os iniciados chamam de jogada inacabada, e William Butler Yeats usou várias vezes o imaginário do tarô em sua obra — deem uma olhada em Blood and the moon —, porque sempre foi atraído pelo lado oculto: foi inclusive membro de uma ordem secreta. Pamela Lynson Travers expõe em seu livro Mary Poppins, infinitamente mais obscuro que a versão cinematográfica, boa parte de sua paixão pelo inexplicável. O tarô para Travers, porém, nunca foi algo criativo: consultava tarólogas toda vez que tinha que tomar uma decisão importante — adotou seu filho porque assim lhe disseram as cartas. Para não falar de Shirley Jackson e Jorge Luis Borges. A lista de escritores —e não só escritores, Brian Eno desenhou seu próprio baralho — que flertaram com o tarô é infinita. Por quê?

'O tarot criativo' põe-se à venda o 15 de abril.
'O tarot criativo' põe-se à venda o 15 de abril.
“Talvez seja a necessidade de narrativa, ou que todos estão abertos ao intuitivo”, responde Crispin. Pois diante da tomada de qualquer decisão, pode-se dizer que o artista utiliza a sorte não só para ganhar confiança ou segurança —“é como se dissesse: Estou fazendo o que é certo”, declara a escritora — mas também para encontrar um sentido. “A ideia não é usar as cartas para predizer o futuro, mas para deslocar a atenção de certa parte de nossa vida para tentar compreender o que acontece conosco e por quê”, explica. Vejamos um exemplo: a própria Crispin

Ela está prestes a publicar um ensaio, El tarot creativo (Alpha Decay), transformado em espetáculo em La Casa Encendida, que aborda o assunto e que é ao mesmo tempo uma confissão de até que ponto sua vida está sujeita, diariamente, ao que dizem as cartas. Crispin é impulsiva. Há alguns meses conheceu um cara em Chicago. Ia só passar dois dias na cidade e não queria sair com ninguém, mas as cartas disseram que saísse. Duas semanas depois, tinham se casado. Mostra a mão, aponta o anel. E tudo porque toda vez que saía com ele a carta que o baralho lhe mostrava era O Louco. E isso queria dizer que podia perder a cabeça, que tudo daria certo se perdesse a cabeça. Então perdeu.


Crispin, autora do também brilhante Why I am not a feminist (sem tradução para o português), começou a brincar com o tarô ainda adolescente, mas só depois de completar 28 anos é que começou a dominá-lo. Foi quando o transformou em algo como seu melhor amigo, alguém com quem dialoga — ela pergunta, as cartas, como as moedas, respondem, e não com um sim ou com um não mas com uma imagem que em cada caso pode significar algo diferente— e cujo diálogo lhe dá sentido ao que acontece e ao que faz.

“Todo dia tiro uma carta que explica em parte o que vai me acontecer”, diz. Mas não condiciona o fato de saber que pode ser um fiasco — vamos imaginar que a carta seja O Diabo — a que acabe sendo? “Sim, claro, mas acredito que é isso mesmo”. O Carro, por exemplo, diz, é a carta mais “cabal” de todas. “Se um dia sai O carro, quer dizer que vou estar focada”. Você sempre leva em consideração? Ri. “Não é fácil”, diz. Digamos que leva em consideração quando o que dizem se encaixa em seu próprio relato em andamento. “O importante é sempre seguir seu instinto”, conclui, não sem antes recordar que continua não sendo a única escritora hoje em dia que se orienta pelo tarô, pois “quase todos os meus clientes são artistas”.