segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Rosa Kliass e o paisagismo na arquitetura

 

A arquiteta-paisagista Rosa Garena Kliass, aos 91 anos de idade, em sua casa. Foto de Marcelo Scandaroli
A arquiteta-paisagista Rosa Garena Kliass, aos 91 anos de idade, em sua casa. Foto de Marcelo Scandaroli


Rosa Kliass e o paisagismo na arquitetura

Conheça a arquiteta responsável por esverdear estados brasileiros

14 JULHO 2024, 


Há quem diga que sempre teve um propósito na profissão, que sempre soube o que queria fazer e para onde ir. Porém, existem pessoas que foram se encontrando e sendo encontradas no meio de todas as possibilidades que uma profissão pode oferecer. Essa segunda história aconteceu com a arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass. Mais popularmente conhecida como Rosa Kliass, nasceu no interior do estado de São Paulo, em uma cidade chamada São Roque, no ano de 1932. Estudou arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo, a FAU USP, formando-se em 1955. E foi no seu último ano da faculdade que Rosa descobriu o paisagismo e conheceu aquela área da profissão que era sua vocação. A entrada da disciplina de Paisagismo que tinha à frente o professor Roberto Coelho Cardoso, um americano, fez Rosa se apaixonar e entender que era aquilo que ela tinha como missão, mas que também era uma profissão muito recente no Brasil.

Na década de 1960, Rosa, que havia iniciado sua vida profissional com trabalhos focados a projetos de pequenas escalas, ampliou sua escala projetual com projetos urbanos para as áreas verdes da cidade de São Paulo e trabalhando em planos diretores de cidades no país, juntamente com o urbanista Jorge Wilheim. No final da década, Rosa foi para os Estados Unidos através de uma bolsa de estudos para conhecer as novidades da arquitetura paisagística, como projetos, escritórios, órgãos públicos, e além disso, fez contato com diversos paisagistas na vanguarda que a influenciaram em seus projetos. Essa viagem realmente fez com que Rosa Kliass tivesse grandes experiências que nortearam seus trabalhos e, de volta ao Brasil, trouxe inovações de diretrizes e planejamento de projeto paisagístico.

O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa em 1970. Seu pioneirismo revelou projetos incríveis de paisagismo na escala urbana, como parques, regeneração ambiental, avenidas e outras tipologias nos âmbitos público e privado. Rosa Kliass também ocupou cargos públicos ao longo de sua carreira, sempre se posicionando com firmeza junto a clientes e políticos e mantendo clara sua visão da intervenção paisagística como uma ação estruturante. Essa postura forte da arquiteta paisagista levou a ser chamada de “Rosa Kliass: la paisagista rebelde” em 2000, pela revista chilena El Mercurio. Isso porque a revista destacou o posicionamento de Rosa, que não aceitava um programa de projeto sem antes discutir com o cliente.

O papel de Rosa Kliass na história do paisagismo brasileiro foi fundamental. Quando se filiou à Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas (IFLA), recebeu do então secretário-geral a meta de criar uma Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas. E foi assim que Rosa, em 1976, liderou a criação da ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) e também liderou o 1º encontro nacional de ensino de paisagismo em escolas de arquitetura no Brasil em 1993, quando conseguiu que a disciplina de Arquitetura Paisagista fosse requisito obrigatório em todas as escolas de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Entre seus principais projetos estão a revitalização do Vale do Anhangabaú (1981) em São Paulo, o projeto urbano e de paisagismo da Avenida Paulista (1973) e obras em grande escala para os Estados do Amapá (Parque do Forte) e do Pará (Mangal das Garças), no início dos anos 2000.

Rosa já foi homenageada e premiada tanto no âmbito brasileiro como internacionalmente, como, por exemplo, o reconhecimento pela Universidade de Harvard, EUA, como uma das três mulheres paisagistas modernistas mais importantes das Américas. E é evidente o papel importante da arquiteta nessa área de paisagismo para um projeto. Podemos dizer que sem Rosa Kliass não haveria uma evolução tão grande da disciplina de paisagismo no Brasil.



O Viaduto do Chá foi a primeira passarela suspensa de 250 metros de distância construído na capital de São Paulo, Brasil. Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto atual do Viaduto do Chá em São Paulo, Brasil, e o paisagismo verde de Rosa Kliass conservado pela prefeitura da cidade
Viaduto do Chá, no centro histórico de São Paulo, foi inaugurado em 1982 e recebe este nome porque naquela região pés de chá preto foram plantados pelo Marechal José Arouche de Toledo e, depois, pelo Barão de Tatuí. Foto: Prefeitura de São Paulo
Vista para o Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. Rosa Kliass liderou a criação da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas
O Viaduto do Chá, que inicialmente foi construído com materiais metálicos em 1889, foi demolido anos depois e reinaugurado em 1938 com estrutura de concreto assinado pelo engenheiro francês Jules Martin. Foto: Hagop Garagem
Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa Kliass em 1970
  1. O Viaduto do Chá foi a primeira passarela suspensa de 250 metros de distância construído na capital de São Paulo, Brasil. Foto: Prefeitura de São Paulo
  2. Foto atual do Viaduto do Chá em São Paulo, Brasil, e o paisagismo verde de Rosa Kliass conservado pela prefeitura da cidade
  3. Viaduto do Chá, no centro histórico de São Paulo, foi inaugurado em 1982 e recebe este nome porque naquela região pés de chá preto foram plantados pelo Marechal José Arouche de Toledo e, depois, pelo Barão de Tatuí. Foto: Prefeitura de São Paulo
  1. Vista para o Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. Rosa Kliass liderou a criação da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas
  2. O Viaduto do Chá, que inicialmente foi construído com materiais metálicos em 1889, foi demolido anos depois e reinaugurado em 1938 com estrutura de concreto assinado pelo engenheiro francês Jules Martin. Foto: Hagop Garagem
  3. Vale do Anhangabaú, São Paulo, Brasil. O primeiro escritório de arquitetura paisagística liderado por uma mulher foi aberto por Rosa Kliass em 


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domingo, 25 de agosto de 2024

À conversa com Cristina Veríssimo Uma arquitecta de Portugal para o Mundo

 


Museu Interactivo do Megalitismo, Mora. © Fernando Guerra
Museu Interactivo do Megalitismo, Mora. © Fernando Guerra


À conversa com Cristina Veríssimo

Uma arquitecta de Portugal para o Mundo

12 JUNHO 2018, 


Cristina Veríssimo é Investigadora, docente e arquiteta portuguesa. Trabalhou três anos e meio com Zaha Hadid em Londres, nos anos 80. Desde 1999 está à frente do atelier CVDB Arquitetos com Diogo Burnay.

A Cristina actualmente trabalha no atelier em Lisboa e dá aulas no Canadá. Fale-me um pouco do seu percurso, como e onde é que tudo começou?

Desde sempre esta alma de saltimbanco faz parte da minha educação. O meu pai era militar, viajávamos constantemente para África e mudávamos de casa a cada dois anos. Portanto isto já me estava no sangue desde muito cedo. Vivi em cerca de 20 casas diferentes, que estão todas na minha memória e que me marcaram para ser arquitecta. A vivência em África foi muito importante, porque me abriu os horizontes, as culturas foram expostas de uma maneira em que eu, como criança, absorvi e senti com mais intensidade. Embora possam parecer coisas insignificantes, fazem parte dum imaginário que transponho para o mundo da arquitectura. 

Actualmente existem duas coisas importantes para mim: por um lado esta ideia de que a vida vai mudando de ciclo; e por outro lado, a ideia de que cada lugar traz a sua cultura, a sua maneira de viver. Sempre que vou para um sítio diferente, procuro ser desse lugar, perceber as razões, as diferenças, o que motiva, o que se expressa e como, etc. 

Depois destas experiências em África, fui para o Porto estudar arquitectura, onde voltei à história da minha infância e mais tarde acabei por voltar para Lisboa onde terminei o curso.

No meu terceiro ano do curso, fui convidada pelo Arquitecto Carrilho da Graça para trabalhar com ele, o que me proporcionou uma experiência na arquitectura muito intensa. Quando terminei o curso entrei, no que para mim, foi uma crise existencial. Estava no quinto ano e senti que o que estava a aprender não estava a ser suficiente. Após a licenciatura fiz um curso em Planeamento Urbano o que me mostrou outras coisas, outros desafios. Sobretudo o de poder trabalhar à escala da cidade em balanço com a escala do edifício a que estava habituada. 

A verdade é que eu continuava com uma certa insatisfação e decidi nessa altura ir para Londres fazer cinema, algo que me atraía pela relação com a arquitectura. Apercebi-me que as escolas eram muito caras e que me teria de sustentar de alguma maneira, o que me obrigou a mudar os planos. Quando cheguei a Londres comecei a enviar o meu portfolio para vários ateliers de Arquitectura dos quais recebi várias propostas. 

Quando saí de uma entrevista com uma proposta de trabalho na mão, reparei que estava na mesma rua do atelier da Zaha Hadid. Resolvi bater à porta para entregar o meu portfolio e foi a Zaha que me abriu a porta. No dia seguinte recebi um telefonema da secretária para ir ao atelier, e quando me apercebi, estava contratada. 

Na altura o trabalho dela não era tão reconhecido. Quando comecei a trabalhar, a equipa era pequena e toda mais ao menos da minha idade, mas entretanto o atelier começou a crescer imenso e começaram a contratar pessoas muito mais velhas. O que é interessante é que quando bati à porta do atelier eu que fui à procura de um emprego e encontrei uma paixão. O Carrilho da Graça ainda hoje me diz que foi a Zaha que me conseguiu mostrar o que é a paixão pela arquitectura; eu não tenho essa certeza. O que eu aprendi em Portugal assimilei facilmente e tornou-se parte de mim de uma maneira muito natural e talvez por isso menos fascinante porque eu percebo a cultura, o país e as pessoas. E esta maneira de olhar para a arquitectura através do sentido do lugar, com uma sensibilidade à paisagem, ao detalhe e à construção, isto faz tudo parte do que eu sou hoje, mas por alguma razão para mim isso não chegava. O que a Zaha Hadid trouxe, foi uma visão completamente diferente e aí o fascínio aparece. Se me perguntarem se eu hoje faço coisas ao estilo da Zaha Hadid, a verdade é que não faço. Mas o método dela uso sempre. 

O desafio da Zaha Hadid foi muito interessante porque era tudo muito diferente, fazíamos coisas muito diversas para além do projecto, a pintura era um instrumento diário, lidávamos diretamente com clientes de todas as nacionalidades, concursos, até a curadoria de exposições, etc. A experiência foi fascinante. Saí do atelier ao fim de 3 anos e meio quando tínhamos acabado Vitra, e isso deu o reconhecimento desejado ao atelier. 

Nessa altura, pessoas com quem eu já tinha trabalhado em Portugal em Planeamento Urbano, pediram-me para ir para Macau para ser responsável pela obra do terminal de barcos que faziam a ligação entre Macau e Hong Kong. Até então não tinha tido qualquer experiência de obra. Claro que houve alguma hesitação, mas depois pensei: estas pessoas conhecem-me porque já trabalhei com elas e eu gosto de desafios, não sei fazer mas vou aprender como é que se faz! Cheguei a Macau e a obra estava um caos. Cheguei com a minha alma de arquitecta tentar resolver problemas de obra; rapidamente me apercebi que teria de desenvolver uma vertente mais política e negocial. A Obra durou cerca de dois anos e mantive-me sempre em obra a fazer o acompanhamento, enquanto estava grávida e a obra terminou dois dias antes do meu primeiro filho nascer. A partir daí, todas as minhas experiências em Macau foram experiência de obra. Surgiram depois sete arranha-céus, fiz fiscalização de obra do Manuel Vicente do Posto dos Bombeiros da Areia Preta e mais tarde coordenação e fiscalização da obra do espaço museológico das Ruinas da Igreja de S.Paulo, em Macau, cujo responsável pelo projecto é o Arquitecto Carrilho da Graça. No entanto a autoria é de um grupo alargado incluindo o Manuel Vicente.

Estas experiências todas resumem a minha procura do que é que eu queria fazer com arquitectura. Foi nesta altura e passadas estas experiências, que eu e o Diogo disséssemos que era altura de voltar para Portugal e tentar abrir um atelier. Abrimos o atelier em 1999 e começamos a ter algum trabalho e a fazer obra, e dessa obra surgiu algum reconhecimento. 

São estas experiências de vida e a exposição a diferentes culturas, a diferentes maneiras de fazer e de ser, que faz com que muitas das coisas que nós façamos tenham isso mesmo: impurezas, imperfeições, mas que para nós são delicíosas! Nós não temos uma preocupação de fazermos as coisas de maneira diferente, mas a preocupação é revermo-nos e envolvermos as pessoas nas coisas que fazemos. 

Ao mesmo tempo que abrimos o atelier, continuava a sentir uma certa inquietação de querer saber mais e de expandir a minha cultura arquitectónica. Eu sempre quis perceber o que é que está por trás do fazer, quais são os pensamentos e filosofias por trás da arquitectura para eu própria enriquecer. Decidi então tirar um mestrado e foi quando me candidatei à Universidade de Harvard.

Comecei a dar aulas por causa de um desafio que o Duarte Cabral de Mello me fez. Nunca tinha pensado dar aulas, mas a pedido dele, fui substitui-lo, enquanto ele recuperava de uma operação. 

Actualmente estou a dar aulas no Canadá, mas eu fui para lá por causa do Diogo. Ele candidatou-se para ser director de uma escola e foi selecionado; coincidiu com a altura em que deixei de dar aulas na Faculdade de Arquitectura de Lisboa e então candidatei-me para dar aulas lá. Neste momento damos aulas no Canadá enquanto temos o atelier em Lisboa, o que exige um ritmo e hábitos bem definidos para coordenar ambos.

O Canadá foi outro desafio e para mim a construção em madeira tem sido um fascínio. Eu sou muito hands on, gosto de construir, de perceber como é que uma coisa abstrata se consegue concretizar em algo palpável e como é que eu faço essa tradução. Portanto nesse sentido a construção em madeira tem sido uma atração fantástica e tenho aprendido imenso. Não só a nível tecnológico mas também no que diz respeito aos diferentes tipos de madeira e as suas especificidades. 

Quando olho para o meu percurso, apercebo-me das diferentes valências da arquitectura e dos desafios que já tive, eu sei que escolhi a profissão certa.

A Cristina tem desenvolvido investigação em torno da cortiça como material na construção. Em que ponto está a investigação?

A minha investigação em cortiça começa com a minha Tese de Mestrado em Harvard. É um tema que não larguei mais desde essa altura. Na universidade do Canadá tenho organizado workshops através da disciplina Free Labs em que os alunos vêm para Portugal trabalhar com este material, para construir com cortiça natural ou cortiça como material compósito. A cortiça, pelas características inerentes, cativa facilmente as pessoas e isso permitiu que para além da investigação que eu tenho desenvolvido nessa área, que tenhamos tido já a oportunidade de utilizá-la em projectos nossos.

O que é que gostava de ver na arquitectura?

Diria que gostava de ver sobretudo paixão no que se projecta. Se a paixão existe o resto vem por acréscimo, mas não é menos importante. Os arquitectos portugueses têm uma sensibilidade ao detalhe: a junta, os alinhamentos, etc. Entendem como se passa do desenho para a construção o que é importante. 

Gosto ainda da ideia que cada tempo tem a sua arquitectura e que ela é um legado para as gerações seguintes. Acredito que a tecnologia e a inovação possam dar um grande contributo a esse legado, mas isso não faz só por si as transformações nesta área. Tem que haver um pensamento, uma disciplina e uma adaptação. A inovação é inerente à arquitectura e temos que estar atentos e em constante mutação para perceber o que é que procuramos para oferecer no presente para o futuro.


Braamcamp Freire / CVDB arquitectos. © invisiblegentleman.com
Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
Jarego House / CVDB arquitectos. © Fernando Guerra
Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
  1. Braamcamp Freire / CVDB arquitectos. © invisiblegentleman.com
  2. Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
  3. Jarego House / CVDB arquitectos. © Fernando Guerra
  1. Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
  2. Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra
  3. Interior do Museu do Tapete de Arraiolos. © Fernando Guerra


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sábado, 24 de agosto de 2024

Embalagens sustentáveis a partir da cera de abelha Uma alternativa para o futuro

 



Bacia de salada coberta com embalagem de cera de abelha
Bacia de salada coberta com embalagem de cera de abelha


Embalagens sustentáveis a partir da cera de abelha

Uma alternativa para o futuro

3 NOVEMBRO 2023, 


A conscientização ambiental tem impulsionado a busca por materiais sustentáveis na indústria de embalagens. O descarte convencional tem gerado sérios impactos ambientais, como poluição dos oceanos, mananciais, rios e córregos, degradando os ecossistemas. Para tentar solucionar esses problemas, tem havido um aumento significativo por parte da sociedade e das indústrias em consumir e produzir materiais ecologicamente corretos.

Nesse contexto, a cera de abelha tem se mostrado uma boa matéria-prima, devido à sua biodegradabilidade, versatilidade e propriedades únicas. A cera de abelha é uma substância natural produzida pelas abelhas da espécie Apis mellifera para construir seus favos e armazenar mel e pólen.

Destacam-se algumas propriedades únicas da cera que a tornam adequada para sua utilização em embalagens sustentáveis, tais como: renovabilidade, ou seja, sua produção é contínua, uma vez que as abelhas reconstroem seus favos regularmente. É biodegradável, o que significa que ela se decompõe naturalmente no ambiente, não deixando resíduos prejudiciais.

A cera de abelha é composta por uma complexa matriz de lipídios, ésteres e outros compostos orgânicos. Suas propriedades físicas e químicas incluem ésteres, ácidos graxos e álcoois, juntamente com outros compostos minoritários, como hidrocarbonetos, ácidos graxos livres e ésteres de álcoois de cadeia longa. Seu ponto de fusão é na faixa de 62-64°C, o que a torna adequada para embalagens que não derretem facilmente sob temperaturas ambiente.

As propriedades mecânicas da cera de abelha a tornam adequada para uma variedade de aplicações de embalagens, incluindo:

  • Impermeabilidade: tornando-a adequada para embalar alimentos e produtos que precisam de proteção contra a umidade.
  • Flexibilidade: pode ser moldada facilmente para envolver produtos de diferentes formas e tamanhos.
  • Propriedades antibacterianas: o que pode ajudar a preservar a frescura dos produtos embalados.
  • Aderência: tem a capacidade de aderir a si mesma e a outros materiais, permitindo o fechamento hermético e seguro das embalagens.

As embalagens de cera de abelha têm aplicações versáteis em diversas áreas, incluindo: 

  • Alimentos: podendo ser utilizadas para envolver frutas, legumes, queijos e sanduíches, substituindo o filme plástico.
  • Cosméticos: são ideais para embalar sabonetes, loções e produtos de beleza devido à sua natureza natural e segura.
  • Produtos sazonais: as embalagens podem ser utilizadas como papel sustentável durante as celebrações de festas e datas especiais.

Embora as embalagens de cera de abelha tenham muitos benefícios, também enfrentam desafios como:

  • Custo: a cera de abelha é mais cara do que os plásticos convencionais, o que pode impactar sua adoção em grande escala.
  • Durabilidade e Manutenção: as embalagens de cera de abelha requerem cuidados regulares, como lavagem e reutilização, para prolongar sua vida útil.
  • Disponibilidade: sua disponibilidade pode variar geograficamente, o que pode afetar sua acessibilidade em algumas regiões. E em algumas pessoas mais sensíveis podem causar alguma alergia.

As embalagens sustentáveis à base de cera de abelha representam uma alternativa promissora para mitigar o impacto ambiental das embalagens convencionais. Com suas propriedades únicas e benefícios ecológicos, elas têm o potencial de desempenhar um papel importante na transição para uma sociedade mais sustentável.

Além disso, a produção de embalagens sustentáveis a partir da cera de abelha pode ser uma oportunidade de geração de renda para comunidades rurais e agricultores familiares. A criação de abelhas e a produção de cera podem ser atividades complementares à agricultura tradicional, proporcionando uma fonte adicional de renda e contribuindo para o desenvolvimento local.

No entanto, é importante ressaltar que a utilização da cera de abelha na produção de embalagens sustentáveis deve ser feita de forma responsável e sustentável. É fundamental garantir a preservação das colmeias e o bem-estar das abelhas, evitando o uso excessivo e garantindo práticas de manejo adequadas.

Em suma, as embalagens sustentáveis a partir da cera de abelha representam uma alternativa ecologicamente correta e viável para substituir as embalagens plásticas. Além de serem naturais e renováveis, essas embalagens possuem propriedades únicas que garantem a proteção dos alimentos e contribuem para a preservação do meio ambiente. Portanto, investir nessa tecnologia é uma forma de promover a sustentabilidade e fazer a diferença em prol do planeta.



Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
Abelhas fazem mel
Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
Enxame de abelhas
Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
Abelhas em sua colméia
  1. Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
  2. Abelhas fazem mel
  3. Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
  1. Enxame de abelhas
  2. Potes cobertos com embalagem de cera de abelha
  3. Abelhas em sua colméia


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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Copywriting / Um super poder moderno

 


Smartwatch, óculos de leitura, livro sobre estratégia de escrita para copywriting sob mesa de uma especialista em marketing digital
Smartwatch, óculos de leitura, livro sobre estratégia de escrita para copywriting sob mesa de uma especialista em marketing digital


Copywriting: um super poder moderno

A grande arma no mundo das vendas

12 AGOSTO 2024, 


Em um mundo inundado por informações e mensagens, o copywriting surge como um superpoder moderno, capaz de moldar opiniões, incentivar ações e influenciar decisões. Esta tendência de escrita persuasiva está se tornando cada vez mais relevante em diversos contextos, desde anúncios publicitários até postagens em redes sociais e páginas de vendas online.

Mas o que exatamente é o copywriting?

Em sua essência, o copywriting é um tipo de escrita para persuadir e convencer o leitor a tomar uma determinada ação, seja ela comprar um produto, aderir a um serviço ou simplesmente se engajar com o conteúdo. É uma técnica que vai muito além de simplesmente descrever características ou funcionalidades de um produto ou serviço, trata-se de criar uma conexão com o público-alvo, entender suas necessidades, desejos e dores, e apresentar uma solução convincente.

Copywriting é basicamente o que você escreve para moldar o seu leitor, de forma persuasiva e atrativa. Você deve reconhecer esse termo que foi dissipado pelo marketing agressivo, com chamadas impactantes e irreais como "esse produto vai mudar a sua vida" ou "esse é o grande segredo para ficar rico". Mas na verdade, a copy em seu verdadeiro foco age de forma minuciosa, porém muito efetiva na hora certa de convencer o leitor.

Uma das razões pelas quais o copywriting é tão eficaz é sua capacidade de explorar gatilhos psicológicos que influenciam o comportamento humano. Ao utilizar técnicas como a escassez, a urgência, a prova social e a reciprocidade, os copywriters são capazes de criar mensagens que geram uma resposta imediata e motivam o leitor a agir. Por exemplo, ao destacar a escassez de um produto, criando a sensação de que ele pode se esgotar a qualquer momento, ou ao oferecer um bônus exclusivo por tempo limitado, os copywritersconseguem despertar o senso de urgência e incentivar a compra impulsiva.

Além disso, o copywriting também se beneficia do poder das palavras para criar imagens vívidas na mente do leitor, despertar emoções e contar histórias que ressoam com sua experiência pessoal.

Por mais que o termo tenha tomado conhecimento e se tornado uma tendência recentemente, essa forma de escrita já é praticada há muitos anos na indústria publicitária. O modelo mais antigo e mais utilizado até os dias de hoje é o AIDA, que surgiu nos anos 20. Esse acrônimo representa os estágios pelos quais um consumidor passa antes de tomar uma decisão de compra: Atenção, Interesse, Desejo e Ação.

Apple como um exemplo da escrita

A Apple, ao longo dos anos, estabeleceu-se como um paradigma de excelência em copywriting e marketing. Sua abordagem distinta e eficaz vai além da simples venda de produtos, construindo uma conexão emocional duradoura com os consumidores. O segredo do sucesso da Apple reside na simplicidade e clareza de sua comunicação. Seus slogans diretos e mensagens concisas são facilmente compreendidos, tornando-se instantaneamente memoráveis para o público. 

Mais do que apenas promover produtos, a Apple tece uma narrativa coesa em torno de sua marca, enfatizando valores como inovação, design elegante e simplicidade. Essa narrativa ressoa profundamente com seu público-alvo, inspirando uma lealdade fervorosa à marca. Em suas campanhas, a empresa não se limita a listar características técnicas; em vez disso, destaca os benefícios tangíveis que seus produtos trazem para a vida dos consumidores.

O ponto fraco do copywriting

Mas existe um segredo, uma kriptonita das copy's: são humanizadas. Com ferramentas e sistemas de inteligência artificial cada vez mais comuns no cenário da escrita, uma copy de sucesso vai na contramão. O artigo Inteligência Artificial e Persuasão: Uma Conta no Nível Construal, desenvolvido pela Associação de Ciência Psicologia, realizou uma pesquisa com textos persuasivos escritos por um humano e outro pela IA, e o texto com a mais alta taxa de aceitação e conversão foi o produzido por uma pessoa. 

Ou seja, mesmo a mais atualizada inteligência artificial não é capaz de transmitir emoções, encontrar a dor e a solução, criar a conexão e argumentos que de fato vão fazer o leitor seguir a linha desejada. Esse poder moderno é capaz sim de influenciar ações e está cada dia mais presente em nosso dia a dia, principalmente no ambiente virtual.

Copywrite está em um anúncio, em um vídeo, em um outdoor ou naquele comercial que ficou na sua cabeça o dia inteiro. Ele desperta sentimentos e usa ao seu favor. Esse é o preço da modernidade, uma evolução de influência.


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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Mies Van Der Rohe, Oscar Niemeyer e Lucio Costa / A história dos pioneiros dos pavilhões arquitetônicos

 

Casa projetada por Mies Van Der Rohe no estilo pavilhão. Foto de Victor Grigas



Mies Van Der Rohe, Oscar Niemeyer e Lucio Costa 

A história dos pioneiros dos pavilhões arquitetônicos 

14 AGOSTO 2024, 


Quem vive em grandes cidades provavelmente já viu um tipo de construção muito específica, criada para eventos, exposições e mostras. Essas construções são chamadas de pavilhão e têm muitas particularidades envolvidas em suas arquiteturas. O significado do termo pavilhão tem relação com um espaço construído para ser agradável, gerar prazer ou trazer atenção para onde está inserido ou um ponto de vista. Os pavilhões são conhecidos por serem espaços de grandes eventos e feiras devido ao seu tamanho, mas no início essas estruturas muitas vezes eram temporárias e no decorrer dos anos entendeu-se a vantagem de existirem locais como esses dentro das cidades.

As grandes Exposições Universais (eventos realizados com o objetivo de que os países participantes exibissem seus avanços tecnológicos, descobertas e invenções) estabeleceram em 1929 que os países convidados a participar das feiras seriam responsáveis pelo projeto de seus pavilhões. Esses projetos de pavilhões tinham o objetivo de demonstrar perspectivas futuras, explorando possibilidades arquitetônicas inéditas. Nesse movimento de desenvolvimento de projeto para as feiras, um dos pavilhões mais reconhecidos da história é o Pavilhão da Alemanha, projetado para a Exposição Internacional de Barcelona pelo grande arquiteto Mies Van der Rohe. O pavilhão projetado por Mies Van der Rohe tem um desenho elegante, considerado um ícone do movimento modernista da arquitetura, estimula o movimento e a experiência do usuário que vivencia diferentes pontos de vista enquanto permeia os ambientes. 

Uma curiosidade sobre essa obra arquitetônica é que após a feira, o pavilhão foi desmontado, porém devido ao grande impacto e reputação do edifício, em 1980 Oriol Bohigas, na época chefe do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Barcelona, decidiu levantar a ideia e o projeto de reconstruir o pavilhão e assim o fez. Outro destaque, de autoria brasileira, é o pavilhão projetado para a Feira Internacional de Nova York, em 1939, pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. O edifício projetado pelos brasileiros focava nas formas livres, nas curvas típicas da arquitetura de Niemeyer dentro dos ideais modernistas defendidos pelos dois arquitetos. Infelizmente essa construção não existe mais pois foi demolida logo após a feira, como era de praxe.

As tipologias de pavilhões fixos, dentro dos centros de eventos, como comumente vemos nos dias atuais, iniciaram por volta dos anos 60. No Brasil, o Pavilhão da Bienal de São Paulo, que recebeu feiras como o Salão do Automóvel e o Salão da Criança, foi inaugurado em 1954. Outro pavilhão muito importante para a cidade de São Paulo, o Anhembi, foi inaugurado na década de 70. E assim, outros estados brasileiros também abrigam seus pavilhões como Minas Gerais (Expominas) e Rio de Janeiro (Riocentro).

Em relação à arquitetura dos pavilhões, o desenvolvimento desse tipo de projeto possibilitou que esses espaços conseguissem oferecer diversos tipos de setorização de acordo com a necessidade dos eventos que iriam sediar, facilitando assim o uso do espaço e do visitante. Essas diversas possibilidades de layout internos oferecidas pelos pavilhões são uma das vantagens, além disso, como esses espaços foram pensados por seus arquitetos para dinâmicas diferentes de eventos, a infraestrutura dos pavilhões, como iluminação, ventilação, área de estacionamento, entre outras coisas, deve atender perfeitamente qualquer necessidade. Um exemplo é a tradicional Bienal do Livro de São Paulo, um evento que recebeu cerca de 600 mil visitantes em sua última edição e atendeu muito bem os expositores e visitantes.

Para a arquitetura, a possibilidade de investigação do espaço fez com que os projetos para pavilhões representassem uma referência arquitetônica da época em que estão inseridos. Esses projetos permitem ao autor experimentações técnicas e de uso, aumentando a busca pelo novo e avanços tecnológicos para as grandes exposições e eventos. Além de se tornarem grandes marcos na história da arquitetura.


Saiba mais sobre o Pavilhão de Nova York de 1939, uma obra emblemática dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer, que trouxe as formas livres e o modernismo brasileiro para o cenário internacional. Foto do acervo de Carlos Eduardo Comas
Mies Van Der Rohe, renomado arquiteto, destacou-se em 1929 com o projeto do Pavilhão de Barcelona, ícone do modernismo
Descubra a história do Pavilhão de Nova York de 1939, projeto marcante dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Um ícone da arquitetura moderna brasileira. Fotos do acervo de Carlos Eduardo Comas
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Conheça a história do Pavilhão de Nova York de 1939, criado pelos renomados arquitetos brasileiros Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Um marco da arquitetura modernista mundial. Foto do acervo de Carlos Eduardo Comas
A fascinante história por trás do Pavilhão de Barcelona, projetado por Mies van der Rohe após a bem-sucedida administração da exposição Werkbund em Stuttgart em 1927. Um marco da arquitetura moderna
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