segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez / Blogueira cubana chega ao Rio


Blogueira cubana Yoani Sánchez chega ao Rio e faz defesa da liberdade de imprensa

  • Ativista é recebida sem protestos no Aeroporto Santos Dumont
  • ‘Vou descansar, encontrar amigos, escrever e ir à praia’, diz Yoani
  • Neste domingo, jornalista visitará pontos turísticos da cidade


O Globo, 23 de fevereiro de 2013 
Por Daniel Biasseto

RIO - Direrentemente do que aconteceu em Recife, Salvador e São Paulo, a blogueira cubana Yoani Sánchez chegou ao Rio de Janeiro em clima tranquilo, no fim da tarde deste sábado (23). O avião que trouxe a ativista de São Paulo pousou no Aeroporto Santos Dumont às 17h30m. Antes de conceder uma entrevista exclusiva ao GLOBO durante o trajeto até próximo ao hotel onde se hospeda, ela falou com jornalistas que a esperavam no aeroporto.



Nas capitais de Pernambuco, Bahia e São Paulo a blogueira, que critica o regime cubano, chegou sob protestos. Já no Rio, não havia faixas nem manifestantes no momento da chegada da ativista. Ela foi recebida pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB/RJ) com um vaso de flores e também com palavras de apoio de alguns passageiros e funcionários do aeroporto, que deram as boas-vindas à cubana.

— Olá, Rio! Olá a todos — cumprimentou Yoani na chegada.
A jornalista se mostrou empolgada ao chegar ao Rio.
— Estou muito bem, porque aqui faz tanto calor quanto em Cuba — brincou. — Disseram-me que as pessoas no Rio são extremamente amáveis, por isso estou aqui, onde tenho vários amigos.
Ao jornal O GLOBO, que acompanhou Yoani no carro que a levou até próximo de onde está hospedada, ela disse que deseja uma estadia tranquila na cidade.
— Venho com o plano de descansar um pouco e encontrar amigos, pois os últimos dias foram muito intensos. Também vou escrever e ir à praia, por que não? — disse bem-humorada a blogueira, que também comentou o período em São Paulo. — Foi uma recepção muito bonita. Houve apenas um protesto minúsculo, de um grupo extremista. Mas nas ruas e no aeroporto fui muito bem recebida.
Após planejar visitar alguns amigos no Rio, ela seguiu para um hotel na Barra da Tijuca. Neste sábado, Yoani pretende apenas descansar. No domingo, a jornalista irá conhecer pontos turísticos da cidade, acompanhada do deputado Otávio Leite, que a recepciona durante a visita ao Rio.
Confira alguns pontos da entrevista:
Estada no Brasil
As interações que tenho tido de maneira espontânea são muito positivas. A frase que mais escutei no Brasil até agora é: "Desculpa, Yoani, esse grupo não nos representa".
Protestos
Ainda que respeite muito a sociedade democrática, na qual as pessoas podem se expressar livremente, o que sinto é que tentam violentar meu direito de me expressar, a minha liberdade de expressão. Isso me parece extremismo.
Vinda ao Brasil
Minha expectativa foi multiplicada por dez, desde que estou aqui. Tinha muita expectativa de conhecer, por exemplo, os leitores do meu blog e da minha conta no Twitter, apresentar meu livro, apresentar o documentário de Dado Galvão (cineasta que tratou sobre a liberdade de expressão em Cuba e Honduras), conhecer um pouco da dinâmica social daqui e me conectar à internet, porque no meu país não há acesso para os cidadãos. E tratar de levar a maior quantidade de experiência deste grande país à minha ilha. Quanto a isso, acredito que vou satisfeita.
Liberdade de expressão
Eu diria aos brasileiros que é preciso ter muito cuidado com essas leis que tentam controlar a liberdade de expressão e meios de informação. Elas começam parecendo muito justas e terminam instaurando uma censura estatal sobre a informação. Assim como alguns países da América Latina, enquanto uns dão um grande passo para alcançar uma maior liberdade de expressão, outros vão se fechando e convertendo o tema sobre a imprensa livre, pois em muitos países os presidentes interpretam a imprensa livre como inimiga. Alguns deles estão em situação de alerta, como a Venezuela, por exemplo.
Cuba
Está muito difícil. Existem pequenas aberturas econômicas, ainda muito limitadas, muito lentamente estão aplicando. Mas a minha grande preocupação segue sendo o direito dos cidadãos de serem livres. Vivemos num país onde não é permitida outra força política, que não seja o Partido Comunista. Onde estão prejudicadas as associações livres, a livre expressão. Portanto, esse é um quadro muito negativo.
Futuro
Eu acredito numa sociedade livre em Cuba, mas não por vontade do governo e sim pela pressão dos cidadãos.
Um sonho
Eu realmente quero fundar um meio de imprensa livre dentro do meu país. Esse é meu sonho e por isso trabalho nos últimos anos. Não penso em migrar ou me radicar em nenhum outro lugar. Tenho colaborado com muitos jornais e revistas estrangeiras e isso tem sido um enorme treinamento. Acredito que já estou pronta e muitos cubanos também para começar um caminho de imprensa livre em nosso país.
Por que o Brasil para começar seu giro internacional?
Acredito que tenha sido uma magnifíca escolha, não? Escolhi o Brasil porque aqui vivem as pessoas que mais me deram força e pressionaram para eu continuar minha luta. Quando perdi a esperança e quando parecia que eu nunca sairia da ilha, foi aqui que encontrei a maior ajuda.

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Yoani Sánchez 

‘Meu cabelo é tão independente e livre quanto eu’



  • Blogueira cubana, que já raspou a cabeça, não corta os cabelos há 5 anos
  • Festa de lançamento do livro no sábado também é cancelada
  • No domingo, dissidente chega ao Rio de Janeiro

O Globo, 22 de fevereiro de 2013
Por Mariana Timóteo Da Costa




Yoani Sánchez durante debate em São Paulo na quinta-feira
Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP



Yoani Sánchez durante debate em São Paulo na quinta-feira YASUYOSHI CHIBA / AFP
SÃO PAULO - A blogueira cubana Yoani Sánchez, em resposta a muitos que questionam sua imensa cabeleira, disse nesta sexta-feira em São Paulo que não pretende cortar os cabelos tão cedo.
- É que eu gosto que ele seja tão independente e livre como eu. Mas quero adiantar que não fiz nenhuma promessa e nem é um estilo especial. Nos anos 90, eu gostava da (roqueira irlandesa) Sinéad O’ Connor e raspei a cabeça. Fiquei dois anos careca - contou Yoani, de 37 anos.
A ativista relembrou sua adolescência em Cuba, onde tocava muita música brasileira e ela era comparada a Maria Bethânia e Gal Costa por conta da cabeleira, atualmente não cortada há mais de cinco anos.


- Me surpreendi com a quantidade de gente que me conhece no Brasil, ganhei muita coisa - disse a blogueira, que ficou chateada por não ter conseguido finalizar a noite de autógrafos na quinta-feira, quando foi vítima de manifestações contrárias à sua presença na Livraria Cultura, na Avenida Paulista. - Sempre tenho sentimentos contraditórios com quem tenta boicotar um evento como este. Se por um lado estou num país livre, onde há liberdade de expressão, por outro, um grupo de pessoas impede a realização de um ato cultural, isso me parece um atentado bastante forte à liberdade de expressão.Nesta sexta-feira, antes de se encontrar com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Yoani falou sobre suas impressões do Brasil. Contou achar o povo daqui muito solidário, “plural, diverso e parecido com o cubano”. Ela confessou ter adorado comer pão de queijo e que terá dificuldades em levar na viagem de 80 dias pelo mundo a quantidade de presentes que ganhou dos brasileiros. Do Rio de Janeiro, ela segue na próxima segunda-feira para a República Tcheca.

Yoani contou que temeu “em alguns momentos” por sua integridade física, porque “adoraria ter conversado e debatido suas ideias” com quem tivesse “perguntas incômodas” para ela.
- Mas impedir com protestos que a informação flua me parece fanatismo, um ato de extremismo, porque nunca matei ninguém e não sou uma política. Não sei a razão de uma atitude assim com alguém que só usa a palavra. Minha única explicação é que, para o governo de Cuba, a palavra seja mais agressiva e corrosiva do que as armas - completou.
Yoani falou ainda sobre a sua visita ao Congresso, que politizou sua visita ao Brasil.
- Não me arrependi de ir, sou uma pessoa transversal, que aperta a mão de todo o mundo. Todos estavam convidados, inclusive o embaixador de Cuba no Brasil. Ele não foi porque não quis. Não me preocupa a manipulação política das minhas palavras, me preocuparia a manipulação política do meu silêncio, isso seria pior - disse Yoani.
A blogueira disse que não esperava estar no centro de um debate político no Brasil, mas salientou que é importante se encontrar com políticos porque ela, "como dissidente cubana, não perderia por nada neste mundo a chance de ter um microfone na mão num país tão importante como o Brasil."
Um outro evento de lançamento do livro de Yoani, “De Cuba com carinho”, que seria realizado neste sábado em São Paulo, foi cancelado. Segundo a editora Contexto, a livraria Saraiva não obteve autorização do shopping Pátio Higienópolis para a realização. Yoani vai aproveitar o resto de sua temporada paulistana para passear, fazer compras e ir a museus. No domingo de manhã, ela segue para o Rio, onde quer visitar amigos e ir à praia. Na segunda-feira, viaja para a Europa.



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