sábado, 13 de setembro de 2014

Federico García Lorca / Alma ausente



Federico García Lorca

ALMA AUSENTE

Tradução de Antonio Miranda


Não te conhece o touro nem a figueira,
nem cavalos nem formigas de tua casa.
Não te conhece o menino nem a tarde
porque já morreste para sempre.

Não te conhece o lombo da pedra,
Nem o raso negro onde te destroças.
Não te conhece a lembrança muda
Porque já morreste para sempre.

O outono virá com suas conchas,
uva de névoa e montes agrupados,
mas ninguém virá olhar teus olhos
porque já morreste para sempre.

Porque já morreste para sempre,
como todos os mortos da Terra,
como todos os mortos esquecidos
em um monte de cães apagados.

Ninguém te reconhece. Não. Mas eu te louvo.
Eu canto desde já teu perfil e tua graça.
A madurez insigne de teu conhecimento.
Tua apetência de morte e o gosto de sua boca.
A tristeza que teve tua valente alegria.

Tardará muito tempo em nascer, se é que nasce,
um andaluz tão claro, tão pleno de ventura.
Eu canto sua elegância com palavras que gemem
e relembro uma brisa triste pelas oliveiras.

1935







Federico García Lorca
ALMA AUSENTE
No te conoce el toro ni la higuera,
ni caballos ni hormigas de tu casa.
No te conoce el niño ni la tarde
porque te has muerto para siempre.

No te conoce el lomo de la piedra,
ni el raso negro donde te destrozas.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.

El otoño vendrá con caracolas,
uva de niebla y monjes agrupados,
pero nadie querrá mirar tus ojos
porque te has muerto para siempre.

Porque te has muerto para siempre,
como todos los muertos de la Tierra,
como todos los muertos que se olvidan
en un montón de perros apagados.

No te conoce nadie. No. Pero yo te canto.
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.
La madurez insigne de tu conocimiento.
Tu apetencia de muerte y el gusto de tu boca.
La tristeza que tuvo tu valiente alegría.
Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura.
Yo canto su elegancia con palabras que gimen
y recuerdo una brisa triste por los olivos.


Cy Twombly
Absent Soul 
by Federico García Lorca

The bull does not know you, nor the fig tree, 
nor the horses, nor the ants in your own house. 
The child and the afternoon do not know you 
because you have dead forever. 

The shoulder of the stone does not know you 
nor the black silk, where you are shuttered. 
Your silent memory does not know you 
because you have died forever 

The autumn will come with small white snails, 
misty grapes and clustered hills, 
but no one will look into your eyes 
because you have died forever. 

Because you have died for ever, 
like all the dead of the earth, 
like all the dead who are forgotten 
in a heap of lifeless dogs. 

Nobady knows you. No. But I sing of you. 
For posterity I sing of your profile and grace. 
Of the signal maturity of your understanding. 
Of your appetite for death and the taste of its mouth. 
Of the sadness of your once valiant gaiety. 

It will be a long time, if ever, before there is born 
an Andalusian so true, so rich in adventure. 
I sing of his elegance with words that groan, 
and I remember a sad breeze through the olive trees.





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