segunda-feira, 10 de julho de 2017

Eliane Brum / A potência de Adelir



A potência de Adelir

Que dogmas tão profundos a gestante de Torres feriu para ter seu corpo violado pelo Estado na calada da noite



ELIANE BRUM
14 ABR 2014 - 08:34 CDT

Na madrugada de 1o de abril, dois poderes, a Medicina e a Justiça, produziram uma cena histórica no Brasil. Nela, uma mulher em trabalho de parto, Adelir Lemos de Goes, 29 anos, foi arrancada de sua casa, na zona rural do município gaúcho de Torres, por um oficial de justiça e policiais armados. Em seguida, ela foi obrigada a entrar numa ambulância. Se não entrasse, prenderiam seu marido, Emerson Guimarães, 41 anos, técnico em manutenção industrial. Apavorada, com contrações a cada cinco minutos, preocupada com o susto dos filhos pequenos, Adelir foi escoltada até o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. Lá, mais uma vez, foi obrigada por ordem judicial a deixar-se cortar. Contra a sua vontade, tiraram do seu útero, por cesariana, seu terceiro filho, uma menina. Naquela madrugada, Adelir descobriu que dois espaços que considerava privados, invioláveis, tinham sido invadidos no meio da noite: sua casa, seu corpo. Ao amanhecer, Adelir não pertencia sequer a si mesma.

sábado, 8 de julho de 2017

Ridley Scott / Alien, o passageiro perdido de uma nave sem futuro


Ridley Scott

Alien, o passageiro perdido de uma nave sem futuro

Hoje, nos despedimos da criatura de Ridley Scott na saída do cinema e vamos comer uma pizza. Antes, ele nos fecundava na poltrona e voltava pra casa com a gente. O que aconteceu?


ELIANE BRUM
15 MAI 2017 - 13:53 CDT






Cena de Alien 3 (1992).
Cena de Alien 3 (1992).


(Aviso de Spoiler: se não assistiu ao recém lançado Alien Covenant e quer assistir, não leia este texto antes disso.)
É numa poesia do início do século 19 que está a chave para a tragédia, a da humanidade e a do criador de Alien, o oitavo passageiro.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Euler de França Belém / Meio século sem William Faulkner



Meio século sem William Faulkner


Euler de França Belém
09/08/2012 ÀS 07:16 PM


O autor de “O Som e a Fúria” visitou São Paulo, em 1954, bebeu muito e, segundo a lenda, teria perguntado o que estava fazendo em Chicago

Nem todos os romances de Faulkner são de alta qualidade, mas “O Som e a Fúria”, “Enquanto Agonizo” (o preferido de Harold Bloom), “Luz em Agosto” e “Ab­salão, Absalão” merecem figurar em qualquer lista de melhores livros de todos os tempos.

William Faulkner
William Faulkner morreu em julho de 1962. Ele tinha 64 anos e, em termos literários, parecia tão esgotado quanto Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Em 1954, esteve no Brasil, quase sempre bêbado. Certo dia, segundo uma das versões, teria perguntado: “O que estou fazendo em Chicago?” A história de sua visita ao Brasil, quatro anos depois de ter recebido o Nobel de Literatura, é contada, de modo romanceado, no livro “Dias de Faulkner (Imprensa Oficial, 124 páginas), de Antônio Dutra. Ao ser apresentado à escritora Lygia Fagundes Telles, apontada como “contista”, teria dito: “Se os seus contos forem tão bonitos quanto os seus olhos, a senhora certamente é uma grande escritora”. A autora do belo romance “As Meninas” disse que levou o criador de “Enquanto Agonizo” para ver cobras no Ins­tituto Butantã. “Segurava as cobras e gritava: ‘Sou um fazendeiro, um fazendeiro’. Ele chegou meio fora de órbita a São Paulo. Queria ver cobras e o Cruzeiro do Sul. Um dia, pegou-me pelo braço e apontou para o céu, querendo ver as estrelas. Ficou doido com essa história de Cruzeiro do Sul. E estava sempre com o cabelo molhado. Creio que se molhava para ficar desperto, devido ao excesso de álcool. Não era um homem bonito. Era baixo, mas tinha um rosto muito forte”, contou Lygia à “Folha de S. Paulo”. Queria mas não conseguiu visitar uma fazenda de café e Mato Grosso.

O brasileiro Raduan Nassar, autor de “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”, lembra, não vagamente, Liev Tolstói e Faulkner. Tolstói, anarquista cristão, tentou viver de acordo com suas pregações, mas, nobre e rico, jamais o conseguiu integralmente. Tentou educar a plebe, escreveu até cartilha para os filhos dos mujiques, mas acabou desistindo de tudo, e, com mais de 80 anos, fugiu de casa, morrendo numa estação de trem — célebre como, mais tarde, Gandhi, uma espécie de tolstoiano (que deu certo) da Índia. Faulkner era um escritor notável, mistura de James Joyce e Guimarães Rosa, mas passou a vida sugerindo que era apenas um fazendeiro do Mississippi. Na verdade, embora não fosse um scholar, era um homem culto, leitor frequente da Bíblia e de outro William, o britânico Shakespeare. Quando saía para passear, diz sua biógrafa Monique Nathan, levava alguma obra do bardo inglês no bolso do casaco. Raduan escreveu uma obra pequena e refugiou-se numa fazenda, em São Paulo, tornando-se um próspero produtor rural — e não apenas um criador de galinhas, como divulgaram alguns jornais. Agora, aproximando-se dos 80 anos, doou a fazenda para uma universidade pública, dividiu parte dos bens com seus funcionários e mudou-se para uma fazenda menor, a Retiro Feliz. Meio faulkneriano. Meio tolstoiano.

Nem todos os romances de Faulkner são de alta qualidade, mas “O Som e a Fúria”, “Enquanto Agonizo” (o preferido de Harold Bloom), “Luz em Agosto” e “Ab­salão, Absalão” merecem figurar em qualquer lista de melhores livros de todos os tempos. Mesmo romances menores, como “Os Invictos” (delicioso), a trilogia Snopes (“A Aldeia”, “A Cidade” e “A Mansão”; a energia narrativa faulkneriana, a maldição sulista, às vezes aparece nesses romances crepusculares) e “Sartoris” (a história fragmentária de um dos mais poderosos personagens do escritor, o coronel John Sartoris — inspirado em seu bisavô William C. Falkner, sem “u” — que migra de um livro para outro, como de “Sartoris” para “Os Invencidos”) superam, de longe, a literatura beat — a que fez mais dieta de qualidade nos Estados Unidos (palermas adoram a “datilografia” empolada de Jack Keroauc, possivelmente por desconhecer a “escrita automática” dos surrealistas). Não são, evidentemente, obras escritas por um fazendeiro... comum.





Em 1922, Faulkner foi demitido porque não parava de ler em serviço. Em 1924, com a intenção de se tornar jornalista, migrou para Nova Orleans, deixando sua amada Oxford, e recebeu dicas literárias de Sherwood Anderson. Na revista “The Double-Dealer”, indicado por Anderson, publicou artigos e poemas. Em 1925, de volta a Oxford, trabalha para publicar a edição de seus livros. Em 1929, aos 32 anos, publica “Sartoris”, que dá origem ao ciclo de Yok­napatawpha (a região inventada pelo escritor), e seu romance mais refinado, “O Som e a Fúria”. Um ano depois, lança “Enquanto Agonizo”. Apesar da importância posterior de “O Som e a Fúria”, que o tornou o Joyce americano, só fez sucesso com “Santuário”, em 1931. Com  “Luz em Agosto”, em 1932, e com “Absalão, Ab­salão”, em 1936, praticamente concluiu sua obra mais importante. Depois, lançou “Os invencíveis”, em 1938, “Pal­meiras Selvagens”, em 1939, e “A Aldeia”, em 1940.

O livro “Os Escritores — As Históricas Entrevistas da Paris Review” (Companhias das Letras, 327 páginas) exibe um Faulkner às vezes surpreendentes e às vezes nem tanto. “Sou um poeta fracassado. Talvez, primeiro, todo romancista queira escrever poesia, descobre então que não consegue e tenta o conto, que é a forma mais exigente depois da poesia. E, fracassando nisso, só aí começa a escrever ro­mances.” Verdade. Talvez não, mas a formulação é no mínimo curiosa.

Jean Stein pergunta se há uma fórmula para se tornar um bom romancista. Faulkner: “Noventa e nove por cento de talento... noventa e nove por cento de disciplina... noventa e nove por cento de trabalho. Não se deve estar nunca satisfeito com o que se faz. (...) Um ar­tista é uma criatura arrastada por demônios. (...) É totalmente amoral. (...) A única responsabilidade do escritor é para com sua arte. (...) Se um escritor tiver que roubar a sua mãe, não hesitará; a ‘Ode a uma urna grega” [de John Keats, 1795-1821] vale mais do que qualquer punhado de velhas”.

Faulkner cutuca aqueles que dizem não publicar grandes obras porque não têm tempo, ou porque precisam trabalhar para sobreviver: “O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que precisa é lápis e papel. Eu nunca soube que algo bom em literatura tivesse se originado da aceitação de uma oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca pede auxílio a uma instituição cultural. (...) Nada pode prejudicar a literatura de um homem se ele for um escritor de primeira classe”.

A relação escritor-leitor não interessa a Faulkner: “Não tenho tem­po de pensar em quem está lendo minha obra”. De repente, corta: “Se eu reencarnasse, gostaria de voltar como um urubu. Nin­guém o odeia ou inveja nem o quer ou precisa dele. Ele nunca se vê importunado ou em perigo, e pode comer qualquer coisa”.

Embora seja filho de Édouard Dujardin e Joyce, com ou sem mo­nólogo interior ou fluxo de cons­ciência, Faulkner diz que “um escritor seria um louco se seguisse uma teoria. Deve aprender com seus próprios erros; as pessoas só aprendem errando. O bom artista acredita que ninguém é bom o bastante para lhe dar conselhos”.

“O Som e a Fúria” foi o livro que “mais dor e angústia” causou a Faulkner. “É o livro pelo qual sinto mais carinho. Não pude abandoná-lo, e nunca consegui contar a história direito, embora tentasse ao máximo, e gostaria de tentar de novo, embora provavelmente fracassasse ainda outra vez.”

O entrevistador pergunta: “Quanto de sua literatura é baseada na experiência pessoal?” Faulkner responde, possivelmente meio irônico: “Não sei dizer. Nunca fiz as contas. (...) Um escritor precisa de três coisas, experiência, observação e imaginação, sendo que duas dessas, às vezes até mesmo uma, podem suprir a falta das outras. Comigo, uma história geralmente começa com uma ideia ou memória ou imagem mental. Escrever a história é apenas uma questão de ir construindo esse momento, de explicar por que aconteceu ou o que provocou a seguir”.

Inquirido sobre inspiração, Faulkner antecipa João Cabral de Melo Neto: “Não sei nada a respeito de inspiração, porque não sei o que é — ouvi falar a respeito dela, mas nunca a vi”.

Há quem diga que Faulkner tinha certa inveja de James Joyce, dado seu suposto maior alcance literário, sobretudo fama, apesar de não ter recebido o Nobel de Literatura. “Os dois grandes homens do meu tempo eram [Thomas] Mann e Joyce. Deveríamos nos aproximar do ‘Ulysses’, de Joyce, como o pregador batista analfabeto se aproxima do Antigo Testamento: com fé”, disse Faulkner. Inveja? Nem tanto. Ele elogia seu padrinho literário, Sherwood Anderson, Theodore Dreiser e Mark Twain. “Os livros que leio são aqueles que conheci e amei quando era moço e aos quais volto como se volta aos velhos amigos: o Antigo Testamento, Dickens, Conrad, Cervantes — ‘Dom Quixote’. Leio-os todos os anos, como alguns leem a Bíblia. Flaubert, Balzac — ele criou um mundo intacto, próprio, uma corrente sanguínea que flui através de vinte livros —, Dostoiévski, Tolstói, Shakespeare. Leio Melville ocasionalmente, e dos poetas Marlowe, Campion, Jonson, Herrick, Donne, Keats e Shelley. Ainda leio Housman. Já li esses livros tantas vezes que nem sempre começo na primeira página ou leio até o fim. Leio apenas uma cena, ou o tocante a uma personagem, assim como você se encontra e conversa com um amigo por alguns minutos. (...) Leio Simenon porque me lembra alguma coisa de Tchekhov.” O entrevistador não pergunta o quê, infelizmente, tem a ver Simenon com o escritor russo.

Personagens preferidos de Faulkner: Sarah Gamp, sra. Harris, Falstaff, Prince Hal, dom Quixote, Sancho Pança, Lady Macbeth, Bottom, Ofélia, Mercúcio, Huck Finn, Jim, Sut Lovingood (personagem de um livro de George Harris). “Nunca gostei muito de Tom Sawyer — um tremendo pedante.”

Sobre os críticos: "O artista nao tem tempo para escutar os criticos. Aqueles que querem ser escritores leem as resenhas, aqueles que querem escrever não têm tempo de ler resenhas. O crítico também está tentando dizer: 'Joãozinho esteve aqui'. Sua função não se dirige ao próprio artista. O artista está um degrau acima do crítico, pois está escrevendo alguma coisa que porá o crítico em movimento. O crítico está escrevendo alguma coisa que porá todo o mundo em movimento, menos o artista".

Sobre Freud, Faulkner disse, em tom jocoso: “Todo mundo falava de Freud quando eu vivia em Nova Orleans, mas nunca o li. Nem Shakespeare o leu. Duvido que Melville o tenha lido, e tenho certeza de que Moby Dick não o fez”.

Jean Stein diz que algumas pessoas leram seus livros três vezes e não entenderam. Faulkner recomenda: “Que leiam quatro vezes”.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A guerra dos poderosos chefinhos Puzo e Sinatra



A guerra dos poderosos chefinhos Puzo e Sinatra


POR EULER DE FRANÇA BELÉM 
EM 04/07/2009 ÀS 10:10 AM


O livro “Confissões de Mario Puzo e Revelações Sobre o Chefão” do próprio Puzo, apesar do título estrambótico, conta os desencontros do escritor e do cantor-ator
Mario Puzo e Frank Sinatra  
Frank Sinatra é o cantor Johnny Fontane de “O Poderoso Chefão”, de Mario Puzo (livro) e de Francis Coppola (filme). Durante anos, a Máfia patrocinou o amigo Sinatra e, quando sua carreira caminhava para a decadência, mafiosos, como Sam Giancana, levantaram-na com elegância e, não menos importante, violência. Ao escrever o “Chefão”, Mario Puzo não hesitou e aproveitou a história de como Sinatra conseguiu um papel importante no filme “A Um Passo da Eternidade” (1953), dirigido por Fred Zinnemann. A Máfia “deu-lhe” o papel do simpático Angelo Maggio, um soldado rebelde. Sinatra ficou “p” da vida e prometeu vingança, a maior delas ignorar Puzo em encontros sociais.
O livro “Confissões de Mario Puzo e Revelações Sobre o Chefão” (Artenova, 271 páginas), do próprio Puzo, apesar do título estrambótico, conta os desencontros do escritor e do cantor-ator. A dona do Elaine’s de Nova York, Elaine, tentou apresentar Puzo para Sinatra. Perguntou se não havia problema, Puzo disse que não, mas Sinatra não quis conversa.
Noutra ocasião, ao participar do aniversário de um milionário, no Chasen’s, em Los Angeles, perguntaram a Puzo se queria ser apresentado a Sinatra. Escaldado, o escritor disse que não. Quando ia embora, o anfitrião e um “assecla” pegaram Puzo pelas mãos e o levaram para conhecer Sinatra.
O relato de Puzo: “O milionário fez a apresentação. Sinatra não ergueu os olhos do prato nem por um instante sequer.
— Gostaria de lhe apresentar o meu amigo Mario Puzo — disse o milionário.
— Pois eu não gostaria — retrucou Sinatra.
Diante disso comecei a me afastar. Aparentemente, contudo, o pobre milionário não havia percebido, continuando a insistir.
— Eu não quero ser apresentado a ele — repetiu Sinatra”.
Como Sinatra parece ter avaliado que Puzo pedira para ser apresentado, o autor de “O Poderoso Chefão” esclareceu: “Escute, a ideia não foi minha”. “Seguiu-se, então, a coisa mais espantosa”, relata Puzo. “Ele não entendeu nada. Imaginou que eu estaria me desculpando por causa de Johnny Fontane, o personagem do meu livro.” Sinatra perguntou: “‘Quem foi que lhe disse para botar aquilo no seu livro? O seu editor?’ — perguntou ele, com a voz quase amável”.
Puzo, que dizia não aceitar interferência de editores em seus livros, corrigiu: “Eu estava me referindo a nossa apresentação”. Ao perceber que a “arte” era mesmo de Puzo, “Sinatra pôs-se a vociferar. O pior termo que usou para me ofender foi cáften, o que de certa forma foi lisonjeiro para mim que jamais conseguira de uma namorada que aos menos espremesse os cravos das minhas costas, quanto mais que trabalhasse para mim. Lembro-me ter ele afirmado que, não fosse pelo fato de eu ser mais velho, me daria uma surra inesquecível. Acontece que eu era um garoto quando ele já cantava na Paramount. O que me magoou de verdade foi ver aquele italiano do Norte ameaçando a mim, um italiano do Sul, com violência física. Tipo da coisa que não se faz. Os italianos do Norte nunca se metem com os do Sul”. Quando Coppola foi escolhido para dirigir o filme, Sinatra disse-lhe: “Sabe, Francis, eu trabalharia em ‘O Chefão’ para você. Não o faria por aqueles caras da Paramount, mas por você, sim”. Muitos cantores foram sondados para fazer Johnny Fontane, mas a maioria não quis. O primeiro a se prontificar foi Al Martino, mas Vic Damone foi consultado primeiro. Aceitou e, depois, recusou, porque era “leal” a Sinatra ou porque a grana era curta. “Al Martino acabou conseguindo o papel e, na minha opinião, saiu-se muito bem”, conta Puzo.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Lista dos escritores mais ricos do mundo não tem escritores

Stephen King

Lista dos escritores mais ricos do mundo não tem escritores

POR EULER DE FRANÇA BELÉM
EM 19/08/2012 ÀS 05:05 PM
James PattersonA “Forbes” publicou  a lista dos escritores mais ricos do mundo. Não há nenhuma surpresa: não há escritores de verdade na relação da revista. (Escritores de verdade são aqueles que cobiçam a eternidade, como Homero, Dante, Shakespeare, Cervantes, Laurence Sterne, Stendhal, Balzac, Flaubert, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Machado de Assis, Eça de Queirós, Henry James, D. H. Lawrence,  James Joyce, Scott Fitzgerald, Faulkner, Thomas Mann, Graciliano Ramos, Carlo Emilio Gadda, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Lobo Antunes, entre muitos outros.) Os homens de letras citados pela “Forbes” são circunstanciais — surgem, ficam algum tempo na lista dos mais vendidos e, cinquenta anos depois (estou sendo generoso, aviso logo), ninguém mais sabe quem são eles. A literatura de mercado, para vender rapidamente, é assim mesmo. Sempre foi assim. Na época do francês Flaubert havia, é claro, muitos escritores populares — alguns faziam até mais sucesso do que ele, às vezes tido como obsceno, devido ao ruidoso processo provocado pelo romance “Madame Bovary”.
Hoje, assim como há indústrias de sabonete e cerveja, há azeitadas fábricas de autores e livros. Equipes talentosas, com um pé no jornalismo e na literatura de altíssima fofoca, escrevem livros, às vezes imensos, e fazem publicidade maciça. Vendem como água em dias quentes. James Patterson, se comparado a Proust e Joyce, deve ser tratado como analfabeto funcional. John Grisham, Ken Follett e Stephen King pertencem a um honroso quinto time da literatura mundial. Mesmo assim, não são grande coisa.
Li e reli a notícia, mas não entendi. Diz um texto, publicado no UOL, que Patterson, um gênio de Wall Street ou da lâmpada, lançou 14 novos títulos em 2011. Leia de nova e repita em voz alta: 14 livros num ano! Inacreditável: deve ser erro do UOL. Bons escritores, como os prolíficos Philip Roth e (o falecido) John Updike, lançam, no máximo, um livro por ano. E olhe lá.
Patterson, de quem pouco ouvi falar (garotos das livrarias são obrigados a usar camisetas com publicidade de seus livros), faturou 94 milhões de reais em 2011, segundo a “Forbes”. E não é que nem consigo disfarçar que estou começando a achar que estou com inveja do talento do “escritor” para ganhar dinheiro. George R. R. Martin, que escreveu a saga “As Crônicas de Gelo e Fogo” — que estou deixando para ler quando tiver 96 anos, porque este tipo de literatura melhora quando se tem Alzheimer —, faturou modestos 15 milhões de dólares no ano passado.
Descubro, lendo o texto que afanei da internet, que J. K. Rowling, autora de uma série debiloide, “Harry Potter”, vai publicar um livro adulto. Para que, nosso Deus?! Se havia infantilizado os adultos, com a série sobre um bruxo estúpido e sem nuance — porque as crianças, acredito, fugiram da bobajada —, por que Rowling volta, agora com prosa “madura”, talvez podre, para, como se dizia nos tempos de antanho, iludir os leitores de que estão comprando literatura de qualidade porque, afinal, todos estão lendo?
As mulheres estão fincando bem espertas. Na lista dos mais ricos, várias mulheres aparecem. A terceira mais rica, superando Grisham, é Janet Evanovich, que, meio envergonhado, deve dizer que não conheço, aliás, nem sabia o nome, algo pomposo.
Veja abaixo a lista dos quinze autores mais ricos e quanto eles ganharam no ano passado.
1. James Patterson: 94 milhões de dólares
2. Stephen King: 39 milhões de dólares
3. Janet Evanovich: 33 milhões de dólares
4. John Grisham: 26 milhões de dólares
5. Jeff Kinney, 25 milhões de dólares
6. Bill O'Reilly: 24 milhões de dólares
7. Nora Roberts: 23 milhões de dólares 
8. Danielle Steel: 23 milhões de dólares 
9. Suzanne Collins: 20 milhões de dólares 
10. Dean Koontz: 19 milhões de dólares 
11. JK Rowling: 17 milhões de dólares
12. George RR Martin: 15 milhões de dólares
13. Stephenie Meyer: 14 milhões de dólares
14. Ken Follett: 14 milhões de dólares
15. Rick Riordan: 13 milhões de dólares


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Flóra Borsi / Picasso / Modigliani


Gelber Narrenhut by Rudolf Hausner

Flóra Borsi
PICTURES


Woman with Green Hat by Pablo Picasso

The Corn Poppy by Kees van Dongen

Bust of Woman by Kazimir Severinovich Malevich
Portrait of a Polish Woman by Amedeo Modigliani