sexta-feira, 24 de agosto de 2018

‘The Big Bang Theory’ acabará em 2019, depois da 12ª temporada







The Big Bang Theory

‘The Big Bang Theory’ acabará em 2019, depois da 12ª temporada

Último episódio da série, um dos maiores sucessos dos últimos tempos, vai ao ar em maio


El País
Madri, 22 ago 2018

Adeus Sheldon, Penny, Leonard e companhia. A décima segunda temporada da série de sucesso norte-americana The Big Bang Theory, que será transmitida em 2018, será a última, como foi anunciado nesta quarta-feira, 22, pela distribuidora Warner Bros. Television, o canal CBS e o produtor e criador Chuck Lorre (responsável também pelas séries Mom e Dois Homens e Meio) em um comunicado conjunto.
“Somos eternamente gratos aos nossos fãs pelo apoio a The Big Bang Theory durante estas 12 temporadas. Nós, juntamente com o elenco, roteiristas e equipe, apreciamos enormemente o sucesso da série e queremos fazer a última temporada e o episódio final que darão a The Big Bang Theory um desfecho épico e criativo”, afirmaram no comunicado. A decisão, segundo os produtores, foi criativa.
Assim, uma das séries de maior sucesso dos últimos anos, protagonizada por um grupo de amigos cientistas, se despedirá do público no último capítulo da décima segunda temporada, que começa em 24 de setembro e vai até maio de 2019. Ainda em sua décima primeira temporada continuou sendo a segunda série mais assistida da televisão, apenas atrás da malograda Roseanne, outra comédia tradicional cancelada depois dos comentários racistas de sua protagonista, mas retomada na ABC como The Conners.
The Big Bang Theory estreou em 24 de setembro de 2007, na rede CBS. No final da série, serão 279 episódios, o que fará dela a comédia tradicional com público ao vivo mais longeva da história da televisão. A série é responsável pelas carreiras de intérpretes como Kaley Cuoco, Johnny Galecki, Simon Helberg, Kunal Nayyar e, especialmente, Jim Parsons, que por sua aclamada interpretação do singular Sheldon Cooper ganhou um Globo de Ouro e quatro prêmios Emmy de melhor ator de séries de comédia. Os cinco atores também eram alguns dos mais bem pagos da televisão, pois ganhavam cerca de 900.000 dólares (cerca de 3,63 milhões de reais) por episódio (e faziam cerca de 22 episódios por ano). A série recebeu um total de 10 prêmios Emmy (de 52 indicações) e um Globo de Ouro (de 7 indicações). A série continua a ser uma fonte de receita constante graças às reprises nos EUA e às vendas internacionais, mas depois de 12 anos a Warner teria de renegociar os contratos dos atores, o que levaria os gastos a níveis estratosféricos.
Apesar do cancelamento, permanece no ar o spin-off O Jovem Sheldon, sobre a vida quando criança do personagem interpretado por Jim Parsons, que narra a série e serve como produtor, e foi um dos programas de maior sucesso da temporada na CBS.


O anúncio desta quarta-feira é, no entanto, uma meia surpresa. Em 5 de agosto, o presidente da CBS Entertainment, Kelly Kahl, anunciou que estava sendo discutindo com a produtora se a série continuaria depois desta última temporada.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

As cinco canções mais tristes da história, segundo o Spotify



As cinco canções mais tristes da história, segundo o Spotify

A plataforma tentou, por meio de um algoritmo, quantificar a tristeza de músicas produzidas desde 1958



Madri, 22 ag 2018

Embora soe contraditório, ouvir música triste pode ser prazeroso. E não só isso: a psicologia diz que, se você preferir esse tipo de canção, significa que é uma pessoa empática. Então, é um bom sinal se emocionar até às lágrimas com algumas canções? A plataforma digital de música Spotify realizou recentemente um estudo para revelar quais são as canções mais tristes da história. A cada uma das 35 milhões de faixas incluídas na plataforma foram acrescentados metadatos que incluem uma pontuação de valência para cada melodia de 0 a 1: “As faixas com alta valência soam mais positivas, alegres e eufóricas; e as com baixa soam de maneira negativa, triste, deprimidas e às vezes inclusive zangadas", disse o Spotify à BBC.
De acordo com esse critério, as canções mais tristes desde 1958 até hoje são:
1. The First Time Ever I Saw Your Face – Roberta Flack (1972)
2. Three Times a Lady – Commodores (1978)
4. Mr. Custer – Larry Verne (1960)
5. Still – Commodores (1979)
Ao analisar esses resultados, chega-se a uma confusa conclusão. A canção da Roberta Flack que encabeça a lista (e que, aliás, figurou como número 1 durante seis semanas em 1972) não é uma melodia triste por si mesma; pelo contrário, é romântica. O mesmo acontece com Three Times a LadyMr. Custer, por sua vez, é uma comédia que fala sobre um soldado que não quer lutar. Talvez as canções de Elvis Presley e Still, dos Commodores, possam de fato ser descritas como tristes.
Então, será que as máquinas conseguem detectar algo tão subjetivo e pessoal como a tristeza numa canção? Charlie Thompson, especialista em big data, fez um estudo similar ao do Spotify para medir a tristeza das canções da banda britânica Radiohead: "É difícil para uma máquina saber quanta nostalgia há nas canções, porque ela não tem as mesmas habilidades humanas para conhecer o contexto que cerca a pessoa e suas lembranças. Por isso, sempre é bom complementar estes estudos com análises psicológicas e assim obter resultados mais precisos", diz ao EL PAÍS. Apesar disso, Thompson esclarece que a análise de dados como a que o Spotify realizou é muito útil para diferenciar os tipos de ondas e, segundo isso, ordenar a informação.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Dacia Maraini / O teu rosto não tem nome



Dacia Maraini
O TEU ROSTO NÃO TEM NOME
Tradução de L. A. Ferreira



O teu rosto não tem nome
a tua voz não tem som
o teu comboio não tem número
a tua viagem não tem horário
mas eu sei que virás
com aquele rosto
com aquela voz
naquele comboio
no fim da tua longa viagem.




sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Aretha Franklin / Casaco de vison, pés de porco


A cantora Aretha Franklin
 

Casaco de vison, pés de porco

Aretha Franklin teve uma fase extraordinária, mas depois seus dotes foram desperdiçados


17 ago 2018

Esta história da Aretha Franklin ocorre num hotel de luxo nova-iorquino. A cantora entra no saguão, com suas joias e seu casaco de vison; saiu para fazer compras e segura contra o peito uma sacola grande de papelão. De repente, a sacola arrebenta e seu conteúdo se esparrama pelo piso encerado. Funcionários e clientes ficam horrorizados. São miúdos de animais: tripas, focinhos, orelhas, pés de porco. Como se não fosse com ela, Aretha continua andando até o elevador e, sem olhar para trás, sobe para sua suíte.

Nesse relato intuímos a verdadeira Aretha. Uma estrela capaz de se dedicar a cozinhar a saborosa comida do sul dos EUA, a chamada soul food, em um hotel de Manhattan. E também a diva altiva, preparada para ignorar os desastres causados por seus modos imperiais. O apreço pelo autêntico revela a profundidade de suas raízes, esse poço de gospel ancestral – sem esquecer o blues – que ela utilizava para exorcizar suas dores íntimas.
E havia também a superestrela. Ela usava suas exigências como lembretes da sua natureza sobre-humana. Inimiga do ar condicionado, fazia sofrerem os privilegiados que haviam pagado quantidades absurdas para vê-la ao vivo. Sua fobia de avião era a desculpa perfeita para frustrar os empresários europeus, que alegavam inutilmente que também era possível cruzar o Atlântico de navio.
Europa sempre foi uma solução para artistas afro-americanos em momentos delicados da sua carreira. Mas Aretha não procurava a respeitabilidade dos palcos britânicos e franceses. Ela jogava em outro time, o do show business norte-americano, em tempos nos quais eram poucas as mulheres que aspiravam à Primeira Divisão. A rivalidade se estabelecia em cifras de vendas, condições dos contratos, honras oficiais, inclusive em aspectos intangíveis que só elas podiam avaliar.
Entretanto, não se discutiam os méritos musicais. E é possível que nisso também Aretha levasse vantagem. Conforme reconheceu Jerry Wexler, um dos hipstersda Atlantic que pilotaram seu grande lançamento em 1967, ela era perfeitamente capaz de produzir-se a si mesma, e de fato o fez em muitas de suas gravações. Só que Wexler e companhia não lhe davam crédito, supostamente para que não lhe subisse à cabeça.
Uma desculpa péssima, que oculta a luta por royalties de produção e o desejo inconfessável de se aproveitar das inseguranças de Aretha. Como qualquer outra cantora, ela necessitava de desafios e de competidores musicais à sua altura, como evidenciou em Sparkle, o LP de 1976 no qual colaborou com Curtis Mayfielfd.
A partir de 1980, depois de sua contratação pela Arista, Aretha se habituou ao automatismo de trabalhar com produtores acomodados, como Narada Michael Walden, Luther Vandross e Michael Powell – que dizia ter o segredo do sucesso: bastava que ela entrasse com sua voz monumental. Era o início da era dos duetos, que caíam nas graças dos programadores das rádios e geravam sucessos meia-boca. Pode-se sonhar que algum dia montarão um tribunal de Nuremberg para julgar os responsáveis por juntá-la com Puff Daddy e Kenny G.




terça-feira, 14 de agosto de 2018

Morre o escritor e prêmio Nobel de Literatura V.S. Naipaul

V.S. Naipaul

Morre o escritor e prêmio Nobel de Literatura V.S. Naipaul






O escritor britânico faleceu aos 85 anos, anunciou sua família neste sábado


EL PAÍS
12 AGO 2018 - 08:44 COT






O avô de V.S. Naipaul fugiu da Índia para trabalhar em uma plantação de açúcar e seu pai foi jornalista e escritor. Cresceu em um meio humilde, mas que não o impediu se mudar aos 18 anos ao Reino Unido para estudar na Universidade de Oxford onde, graças a uma bolsa, se graduou em Arte em 1953.
Escreveu seu primeiro romance estando em Oxford, mas não foi publicado. Deixou a universidade em 1954 e encontrou um trabalho na National Portrait Gallery de Londres. Seu primeiro livro publicado, O Massagista Místico, em um princípio não foi bem recebido pela crítica, mas no ano seguinte, em 1956, ganhou seu primeiro prêmio literário: o John Llewellyn Rhys Memorial Prize para autores jovens.
Ganhou vários outros prêmios literários, entre eles o Bookers Prize em 1971 e o T.S. Eliot de Escrita Criativa em 1986, e é doutor honoris causa pelas universidades de Saint Andrew, Columbia, Cambridge, Londres e Oxford.
Também recebeu distinção da rainha Elizabeth da Inglaterra em 1989. "Quando aprendi a escrever, me converti em meu próprio professor, me fortaleci, e essa fortaleza está comigo até hoje", se descreveu durante uma entrevista em 2010 para a agência Reuters.
Naipul tinha fama de ser direto e contundente em suas declarações e afirmou, certa vez, que a literatura contemporânea em castelhano não é interessante e que os escritores latino-americanos são culpados de "negligencia intelectual". Do escritor espanhol Pío Baroja disse que seu Zalacaín, O aventureiro é "uma autêntica tolice" e do argentino Jorge Luis Borges afirmou: "Sua poesia é de escape. Engrandece o passado com falsidades. Deveria reconhecer que sua história é esquálida".
Durante uma entrevista ao EL PAÍS em 2015 ele e sua esposa descreveram seu estilo como: verdade, transparência e honestidade. "A verdade absoluta não existe, pois está sempre mudando, mas é preciso fazer o máximo esforço para se aproximar o máximo possível da verdade. Ele passou a vida voltando à Índia, falando sobre o tema, voltando a examinar o país de diferentes pontos de vista", assinalou sua esposa Nadira Khannum em sua casa do bairro de Chelsea em Londres.
Durante a mesma entrevista foi também muito contundente com o radicalismo islâmico. "Não tenho medo porque na verdade são débeis e seria muito fácil acabar com eles, destruí-los, se as grandes potências entrassem em acordo. Todo esse discurso islâmico tem pouca substância".


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Julia Hartwig / O Manuscrito




Julia Hartwig

O MANUSCRITO

Na casa onde nasceu Beethoven
pode ver-se, exposto numa vitrine, um texto do compositor escrito à mão
cheio de rasuras e correções.
É a carta em que pede a um poderoso príncipe que aceite
a sinfonia que acaba de concluir.
Nenhuma composição deste génio
mostra no papel marcas de um esforço idêntico ao que transparece nesta carta,
dirigida ao soberano de um pequeno Estado de que hoje já ninguém se lembra.

(Bona, junho de 2000)




Julia Hartwig

Rękopis


W domu gdzie urodził się Beethoven
można oglądać w szklanej gablocie rękopis kompozytora,
z dziesiątkami przekreśleń i poprawek.
Jest to list do możnego księcia z prośbą o przyjęcie
skomponowanej właśnie symfonii.
Żadna z kompozycji tego geniusza
nie nosi na papierze śladów takiego wysiłku jak ów list
do nieznanego dziś nikomu władcy małego państewka.


(Bonn, czerwiec 2000)


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Wisława Szymborska / O terrorista… Olha



Wisława Szymborska

O TERRORISTA… OLHA


A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
São neste momento treze e dezasseis.
Alguns conseguem ainda entrar,
alguns sair.

O terrorista passou já para o outro lado da rua.
A esta distância ficará livre de perigo
e, quanto a vista, é como no cinema:

Uma mulher de casaco amarelo… entra.
Um homem de óculos escuros… sai.
Rapazes de jeans… conversam.
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos.
Aquele baixinho tem sorte e senta-se na vespa,
mais um tipo alto que entra.

Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos.
Passa uma moça de fita verde nos cabelos.
Só que o autocarro oculta-a.

Treze e dezoito.
A rapariga desapareceu.
Se foi bastante estúpida para entrar ou não,
isso se saberá pelas notícias.

Treze e dezanove.
Parece que ninguém entra.
Há porém um careca gordo que sai.
Mas olha, parece que procura algo nos bolsos,
faltam treze segundos para as treze e vinte,
e ele volta a entrar em busca das luvas que perdeu.

São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, é agora.
A bomba… explode.